O ouro sempre teve uma função de proteção e ativo anticíclico nas carteiras de investimentos. Como diriam os especialistas, é o famoso ativo TINA (There is no alternative, quando não há outra alternativa, na sua tradução).
Publicidade
O ouro sempre teve uma função de proteção e ativo anticíclico nas carteiras de investimentos. Como diriam os especialistas, é o famoso ativo TINA (There is no alternative, quando não há outra alternativa, na sua tradução).
CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Para alguns, como Maria Irene Jordão, estrategista global da XP, o ouro é aquele produto alternativo que é recomendado que todo investidor tenha em até 5% do seu portfólio, pela sua descorrelação com outros ativos, afinal ouro sempre vai na contramão do fluxo de mercado. “Antes, o investidor tinha como opção se refugiar no dólar ou nas Treasuries (títulos do Tesouro Americano), mas diante da incerteza global e enfraquecimento da moeda norte-americana, o ouro acabou assumindo o papel”, afirma Jordão.
Contudo, a estrategista faz a ressalva que o ouro deve ainda ser visto como elemento de proteção nas carteiras diante de forte volatilidade e nem sempre com o objetivo de gerar ganho de capital. Por ser uma commodity, ganhar dividendos diretamente também se torna mais complexo, mas não impossível. Para este fim, o investidor teria que se expor indiretamente, via fundos de índice (ETFs) que trabalham com opções ou investindo em ações de mineradoras.
Publicidade
Para você investidor que gosta de dividendos, nesta reportagem explicamos algumas alternativas para proteger a sua carteira de incertezas e gerar renda. Confira abaixo:
Nas últimas semanas, o ouro enfrentou forte volatilidade, chegando a disparar para depois realizar lucros. Os contratos futuros do ouro para abril de 2026 revelam que, no seu melhor momento, a commodity chegou a negociar a US$ 5.626,80, para depois recuar para próximo dos US$ 4.900. Contudo, nesta semana, o metal voltou a ser cotado no patamar de US$ 5 mil.
Entre os motivos que fizeram o metal disparar, Thomas Monteiro, analista-chefe do Investing lembra que o principal era a incerteza do mercado em relação às escolhas de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, conhecido por ter uma política econômica errática. “O mercado estava precificando o risco de uma ruptura institucional maior”, destaca.
Contribuiu também o enfraquecimento do dólar como moeda e a perspectiva de que os juros de longo prazo refletiriam uma correlação entre o Tesouro americano e um achatamento do balanço do Federal Reserve (Fed, banco central americano)
No entanto, o cenário se inverteu nos dias seguintes, com a escolha de Kevin Warsh para presidente do Fed, um nome mais alinhado com os princípios de mercado e com a manutenção da autonomia do banco central dos EUA. “Uma escolha tecnicamente sólida, com profundo entendimento dos mecanismos de política monetária e que não representa uma ruptura como o mercado temia”, explica Monteiro.
Publicidade
Com isso, o ouro realizou lucros e voltou a negociar abaixo de US$ 5 mil no período. Contudo, para economistas consultados pelo E-Investidor, a commodity ainda teria potencial de negociar em US$ 6 mil no médio e longo prazo.
Mauriciano Cavalcante, economista da Ourominas, o ouro em US$ 6 mil ainda deve ocorrer até o final de 2026, diante da procura do metal pelos Bancos Centrais do mundo com troca de reserva ao invés do dólar. “A queda do metal só ocorreria se essa procura dos Bancos Centrais globais diminuir ou se as crises e guerras cessarem”, destaca Cavalcante, que considera isso improvável.
Para Monteiro, do Investing, não há dúvidas de que o ouro deva chegar aos US$ 6 mil a onça, contudo seria precipitado dizer quando e talvez não seja até dezembro de 2026. “Mas não me surpreenderia o ouro recuperar boa parte dessa queda recente ainda este ano”, diz.
Monteiro destaca que vivemos um processo de desglobalização, o que enfraquece o uso de moedas como reserva de valor. Além disso, acredita que os riscos não foram todos precificados, como o grau de alinhamento que Warsh terá com as políticas de Trump, em relação a tarifas e fragmentação das cadeias globais de suprimentos.
Publicidade
“Se Warsh se mostrar menos independente e guiado por decisões ideológicas, o risco está subprecificado. Mas se tiver forte independência, compromisso técnico, balanço de Fed enxuto, veremos um dólar mais forte”, destaca. Todos estes fatores podem vir a impulsionar o preço do ouro. No dia 9 de fevereiro, por exemplo, o metal negociava novamente no patamar de US$ 5 mil.
Especialistas consultados pelo E-Investidor citam pelo menos 4 formas para gerar renda de forma indireta com a commodity. O ouro não paga dividendos em si, mas existem estratégias que favorecem a geração de renda passiva.
A mais efetiva é investindo em ações de mineradoras de ouro, tanto na bolsa brasileira como no exterior.
Para quem quer ter a comodidade de comprar diretamente da B3, tem os BDRs (recibos de ações) da Aura Minerals (AURA33), uma mineradora de ouro que é negociada no Brasil e na Nasdaq – lá fora com o código AUGO.
Aura Minerals permite ao investidor ter um ganho de capital robusto de médio e longo prazo, dado que a companhia está em ampla expansão, com projetos em novas minas até 2028. Embora tenha valorizado mais de 300% nos últimos 12 meses, o mercado ainda enxerga espaço para Aura proporcionar ganho de capital.
Publicidade
Por outro lado, um ouro nas máximas também favorece o pagamento de dividendos da companhia. Dado que o custo de produção de ouro é relativamente baixo, de US$ 1.500, favorecendo a geração de caixa.
A empresa paga dividendos trimestralmente e segundo analistas teria capacidade de entregar um dividend yield (retorno em proventos) entre 5% e 8% em 2026.
Segundo Max Bohm, estrategista de ações da Nomos, se expor a Aura Minerals permite que o investidor se beneficie com aumento do preço do ouro e cobre, além da expansão operacional vigente da companhia e tudo isso ganhando dividendos.
Já Gustavo Maders, diretor de Investimentos do Grupo Ável, adverte sobre os riscos, como a queda do preço do ouro, risco operacional da companhia e risco cambial com desvalorização do dólar. Além disso, lembra que todo BDR tem uma retenção de 30% de imposto de renda sobre os dividendos, somado a taxas de 3% a 5%, o que diminui o valor final que cai no bolso do investidor na B3.
Publicidade
Maders chama a atenção ainda para outras opções de mineradoras para investir diretamente nos EUA, como Newmont Corporation (NEM) e Barrick Gold (GOLD), com dividend yield projetado para 2026 de 0,79% e 1,49%, respectivamente. O retorno em proventos nos EUA é relativamente menor do que no Brasil.
“Essas mineradoras operam com uma estrutura de custos de extração fixa, a valorização do ouro não precisa cobrir novos gastos, o que se traduz integralmente no aumento de lucro líquido e proventos”, aponta.
Para quem não se sente confortável de se expor aos riscos de uma empresa mineradora, que carrega endividamento próprio e outros fatores operacionais, existe a alternativa de comprar fundos de índice (ETFs) que tenham certa exposição ao ouro.
Luciana Ikedo, especialista em investimentos, faz uma analogia do uso de ETF ao carnaval. “ETF é ir ao baile, participar da festa, mas dançar perto da porta de saída”, comenta. O motivo é que o investidor não fica preso a falta de liquidez de um fundo tradicional, mas consegue investir com facilidade mesmo sem conhecer muito da dinâmica do ouro, dado que o ETF vai replicar um desempenho de algum índice.
Especialistas apontam que é possível fazer isso diretamente pela B3, com o AURO11, um ETF da Buena Vista que paga dividendos mensais elevados e pode entregar um dividend yield em 2026, entre 10% até 13%.
Publicidade
Renato Nobile, gestor da Buena Vista Capital, que cuida deste ETF, explica que o AURO11 gera renda mantendo posição comprada no ouro e ao mesmo tempo vende opções de compra sobre contratos futuros do metal. “Toda vez que as opções são vendidas, o fundo recebe um prêmio. Isso gera proteção de carteira e ao mesmo tempo, fonte de renda recorrente que vira dividendo ao cotista”, explica
Atualmente é o único ETF que oferece essa exposição direta ao ouro na B3 pagando um dividendo mensal, que na sua média entrega um dividend yield de 1,05%, bastante elevado. “Mesmo em períodos que o ouro fique de lado, as opções permitem que o investidor siga gerando renda sem depender apenas da valorização do metal”, destaca Nobile.
Marco Saravalle, estrategista-chefe da MSX Invest, utiliza o AURO11 com diversos clientes por considerar o dividendo elevado e menos risco do que comprar Aura Minerals, que embora se favorece com o preço de ouro também possui endividamento próprio, projetos, um risco embutido maior. “O AURO11 é uma alternativa para se expor a tendência do ouro e receber dividendos, mas como diversificação de portfólio”, destaca.
Existe ainda na Bolsa brasileira, a possibilidade de comprar um ETF que replica o desempenho de um recibo de ação (BDR), como o GDXB39, da gestora norte-americana VanEck. Este acompanha o índice NYSE Arca Gold Miners, que investe em grandes mineradoras de ouro e prata no mundo, listadas no exterior e com capitalização de mercado superior a US$ 750 milhões.
Contudo, o dividend yield é baixo, de apenas 0,28%. Em janeiro de 2026, o ETF pagou R$ 0,48 centavos de proventos aos cotistas.
“A tese do GDXB39 não é replicar diretamente o preço do ouro, mas capturar o desempenho das empresas que exploram o metal, combinando sensibilidade ao ciclo do ouro com potencial de distribuição de proventos”, aponta Danilo Moreno, analista da Investo, gestora brasileira de ETFs controlada pelo grupo VanEck. Veja abaixo mais opções
| Ativo | Nome do ativo | Paga proventos | Dividend yield para 2026 | Quem recomenda |
| BDRs de mineradoras na B3 | Aura Minerals (AURA33) | Sim, trimestral | 5% até 8% | Avel, Nomos, MSX Invest |
| Ações de mineradoras nos EUA | Newmont Corporation (NEM) | Sim, trimestral | 0,79% | Avel |
| Ações de mineradoras nos EUA | Barrick Gold (GOLD) | Sim, trimestral | 1,49% | Avel |
| ETFs de BDRs ligados a empresas mineradoras | GDXB39 | Sim | — | Investo |
| ETF de ouro | AURO11 | Sim, mensal | 10% até 13% | Avel, MSX Invest, Buena Vista |
| ETFs nos EUA | GLDI | Sim, mensal | 10% até 12% | Avel |
Fonte: Levantamento E-Investidor com analistas.
Invista em informação
As notícias mais importantes sobre mercado, investimentos e finanças pessoais direto no seu navegador