Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital, não é conhecido por ser o mais otimista dos gestores brasileiros. Mas o cenário dos mercados globais parece tão favorável que até isso mudou.
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Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital, não é conhecido por ser o mais otimista dos gestores brasileiros. Mas o cenário dos mercados globais parece tão favorável que até isso mudou.
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No CEO Conference 2026, evento anual promovido pelo BTG Pactual, o gestor disse que vê mais assimetrias positivas à frente, inclusive para Brasil. Não é a primeira vez que Xavier faz uma análise mais favorável a risco do que outros grandes nomes, como Luis Stuhlberger, da Verde Asset, ou André Jakurski, da JGP – em um outro evento promovido pelo banco de André Esteves no 2º semestre de 2025 com o mesmo grupo, ele já tinha dito que o mercado doméstico, à época apenas começando a acelerar o ritmo de alta, estava certo de acompanhar a “exuberância” do cenário externo.
A visão positiva começa pelos Estados Unidos. A rotação dos portfólios de investidores globais que vinham há muito concentrados em ativos do país é um dos principais gatilhos impulsionando mercados emergentes, sobretudo em 2026. Só no acumulado do ano, os gringos investiram quase R$ 30 bilhões na B3.
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Xavier reconheceu que há riscos econômicos e geopolíticos que podem interromper esse fluxo, mas que este não é o cenário-base. “A economia americana vai continuar crescendo em um ritmo robusto, a inflação vai cair e o Federal Reserve vai continuar cortando juros. Se faz isso, os mercados vão continuar performando positivamente.”
O gestor destacou ainda que a perspectiva parte do movimento positivo dos mercados e da melhora das tensões das “várias confusões geoeconômicas”. Boa parte das tarifas anunciadas pelo presidente americano Donald Trump em abril de 2025, no Liberation Day, foram negociadas e reduzidas, por exemplo. “A grande questão talvez seja o exagero dos investimentos das companhias americanas em inteligência artificial. Mas isso é uma história para depois, o cenário de agora é de amante do risco.”
Faltando menos de oito meses para as eleições presidenciais, boa parte dos investidores está se perguntando se a disputa política já não deveria estar fazendo preço. Ou se terá capacidade para estancar o fluxo bilionário que vem do exterior para a B3.
Xavier vê uma disputa acirrada, com 50% de chances para ambos os lados; de reeleição do presidente Lula (PT) ou de vitória de uma chapa de direita. Mas sem um choque abrupto no dia seguinte ao resultado, como o que aconteceu em 2002 logo que o petista foi eleito. Como ninguém sabe quem vai sair vitorioso em outubro, o mercado não vai ficar de fora até lá, sem capturar o fluxo internacional.
“A piora é contínua e segura. Mas há muita assimetria porque o Brasil é muito fácil de consertar”, disse. “O crescimento da dívida é alto, mas o ‘mato é muito alto’ para cortar despesa. Um governo comprometido em reformar o Estado, com uma reforma administrativa ou uma nova reforma da previdência, o Brasil iria melhor.”
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