Fachada de prédio do Banco Inter. Foto: Divulgação/Inter
O Inter (INBR32) abriu a temporada de balanços desta quarta-feira (11) com lucro líquido de R$ 374 milhões no quarto trimestre de 2025, alta de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, anunciou o pagamento de dividendos, reforçando a percepção de o banco digital entrou de vez em uma nova fase de maturidade. Para parte do mercado, o banco ficou “grande demais para ignorar”, como crava o analista da Nord Investimentos.
No consolidado de 2025, o lucro somou R$ 1,3 bilhão, alta de 45% em relação a 2024, enquanto o retorno sobre o patrimônio (ROE) atingiu 13,8% no ano e superou 15% no 4T25, um salto de 2,6 pontos percentuais na comparação anual.
O que dizem os analistas
Para o Citi, o balanço foi “sólido” do ponto de vista de receitas, mas “misto” em qualidade de ativos, eficiência e capital. O lucro ficou 2% abaixo das estimativas do banco americano.
“Taticamente, os resultados parecem mistos, talvez refletindo os custos de uma forte aceleração ao longo de 2025”, escreveu a equipe liderada por Gustavo Schroden.
Os analistas apontaram deterioração na carteira de crédito ao consumidor, com aumento da inadimplência e dos créditos em estágio 3, considerados os mais problemáticos. Também houve interrupção na melhora sequencial da eficiência, com aumento das despesas administrativas. No trimestre, o índice de eficiência (despesas sobre receitas) ficou em 45,5%.
Despesas limitam revisões
Na mesma linha, o Safra avaliou que o resultado veio em linha com suas projeções, mas 3% abaixo do consenso. O banco destacou como ponto positivo a manutenção da tendência de alta da receita líquida de juros (NII) e da NIM, além do crescimento de 30% nos cartões de crédito, o que sustenta a trajetória de ROE.
Por outro lado, as despesas operacionais continuaram acelerando, “neutralizando os benefícios da expansão da receita”, segundo o Safra, que reiterou recomendação Neutra para as ações.
Banco Inter ficou “grande demais para ignorar”
Para Rafael Ragazi, analista CNPI da Nord Investimentos, o desempenho reforça a tese estrutural da companhia.
“Com lucro recorde no consolidado de 2025, ROE acima de 15% no 4T25 e crédito crescendo 3,6 vezes o mercado, o Inter mostra que disciplina e escala podem caminhar juntas”, afirma.
Ele destaca que, em um setor em que muitos ainda crescem sacrificando rentabilidade, o banco acelera preservando a qualidade. “O Inter ficou grande demais para ignorar”, diz.
A companhia segue executando o Plano 60/30/30, meta de alcançar 60 milhões de clientes, 30% de índice de eficiência e 30% de ROE, com objetivo de chegar a R$ 5 bilhões de lucro em 2027. Embora o crescimento da base esteja em linha com o planejado e a rentabilidade tenha evoluído, o banco adotou postura mais conservadora na expansão do crédito.
Segundo Ragazi, isso não é necessariamente negativo. “Trata-se de uma instituição feita para durar, com características de vencedora no longo prazo”, explica. Ele lembra que, mesmo que os R$ 5 bilhões sejam atingidos um pouco depois de 2027, o patamar é factível considerando o potencial de monetização da base.
Com as ações negociando a cerca de 16 vezes o lucro, a Nord mantém recomendação de compra. “Tendo em vista o enorme potencial de crescimento e a disciplina na execução, seguimos enxergando o Inter como uma das melhores oportunidades da Bolsa”, conclui o analista.