Lá fora, os holofotes miram no índice de preços de despesas de consumo pessoal dos Estados Unidos, o PCE, medida de inflação preferida do Federal Reserve, banco central dos EUA. Também serão divulgados dados de renda e gastos pessoais, a leitura preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre e as vendas de casas novas, compondo um retrato mais amplo da maior economia do mundo.
Na Europa, saem índices de gerentes de compras, os PMIs, que medem o ritmo de atividade nos setores industrial e de serviços, além de inflação ao produtor na Alemanha e vendas no varejo no Reino Unido. Nos EUA, ainda entram no radar o sentimento do consumidor da Universidade de Michigan e o índice de indicadores antecedentes do Conference Board. O conjunto de dados pode redefinir expectativas para a trajetória dos juros globais e ditar o tom dos mercados no encerramento da semana.
Na quinta-feira (19), o Ibovespa avançou 1,35%, aos 188.534,42 pontos, embalado por uma agenda intensa. No Brasil, o IBC-Br de dezembro, indicador calculado pelo Banco Central e considerado uma prévia do PIB, caiu 0,18% na comparação com novembro, na série com ajuste sazonal. Ainda assim, na comparação com dezembro de 2024, o índice subiu 3,05%, acima da mediana das projeções, reforçando a leitura de atividade resiliente no fim de 2025.
Ibovespa hoje: veja os destaques desta sexta-feira (20)
Exterior reage a dados econômicos positivos
Os mercados acionários em Nova York e na Europa avançam após dados positivos de PMIs da Alemanha e da zona do euro e pela surpresa com o crescimento das vendas no varejo do Reino Unido. Porém, os ganhos são limitados pela expectativa por indicadores relevantes nos EUA e com a escalada das tensões entre EUA, Irã e no Leste Europeu.
As bolsas europeias operam em alta e, por volta, das 7h30 (de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,54%, a 628,71 pontos.
Às 7h47 (de Brasília), a Bolsa de Londres subia 0,52%, a de Paris avançava 0,76% e a de Frankfurt ganhava 0,26%. As de Milão e Madri, por sua vez, tinham respectivas altas de 0,93% e 0,58%. Na direção contrária, a de Lisboa caía 0,35%.
Os índices futuros das bolsas de Nova York, por sua vez, operam em alta modesta. Às 7h20 (de Brasília), no mercado futuro, o Dow Jones subia 0,16%, o S&P 500 avançava 0,29% e o Nasdaq tinha alta de 0,35%.
Já as bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam em baixa nesta sexta-feira, depois de preocupações renovadas com inteligência artificial (IA) pesarem em Wall Street ontem e em meio a temores de possível conflito entre Estados Unidos e Irã. Na contramão, o mercado sul-coreano avançou a novo recorde pelo segundo dia consecutivo.
O índice japonês Nikkei caiu 1,12% em Tóquio, enquanto Hang Seng recuou 1,10% em Hong Kong. Por outro lado, o sul-coreano Kospi subiu 2,31% em Seul, ao nível inédito de 5.808,53 pontos, graças a ações de defesa, de energia e financeiras.
Na Oceania, a bolsa australiana acompanhou o viés negativo da Ásia e fechou em baixa marginal: o índice S&P/ASX 200 recuou 0,05% em Sydney, a 9.081,40 pontos.
Commodities
Os contratos futuros de petróleo operam em alta modesta pela manhã, estendendo robustos ganhos das duas sessões anteriores, um diz após o presidente Donald Trump sugerir que os EUA podem lançar ataques ao Irã se os dois lados não chegarem a um acordo sobre o programa nuclear de Teerã em até 15 dias. Operadores também aguardam uma série de dados econômicos relevantes dos EUA.
Às 7h48 (de Brasília), o barril do petróleo WTI para abril subia 0,24% na Nymex, a US$ 66,56, enquanto o do Brent para maio avançava 0,10% na ICE, a US$ 71,34.
O que mais esperar do Ibovespa hoje
O fôlego curto das bolsas internacionais pode amenizar os ajustes do Ibovespa em meio à queda do petróleo. Notícias corporativas também ficam no radar, como a possibilidade da J&F Investimentos, de Joesley e Wesley Batista, adquirir o controle da CSN Cimentos, da CSN, em um negócio estimado em pelo menos R$ 10 bilhões.
O resultado da Pnad contínua será monitorado, mas não tende a mudar a aposta majoritária de corte de 0,50 ponto percentual da Selic em março, deixando os juros mais sensíveis à volatilidade dos rendimentos dos Treasuries e do dólar.
No câmbio, a perspectiva de manutenção de juros pelo Fed e o forte diferencial de juros do Brasil podem ainda beneficiar o real em manhã de recuo da divisa americana frente alguns dos principais pares emergentes. A previsibilidade dos dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) para rolar o vencimento de 3 de março de 2026, das 10h30 às 10h35, deve também aliviar a liquidez.
Esses e outros indicadores têm peso sobre as decisões dos investidores nesta sexta-feira (20), o que pode ditar os rumos do Ibovespa hoje.