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Mercado

Após dias de queda, Vale (VALE3) salta 3% com derrubada de tarifas de Trump; o que fazer com a ação?

Feriado na China, queda dos preços do cobre e tendência de correção natural mexeram com os papéis da empresa nos últimos dias

Por Beatriz Rocha

19/02/2026 | 17:32 Atualização: 20/02/2026 | 18:56

Ações da Vale (VALE3) tombaram mais de 3% na volta do carnaval. Foto: Fabio Motta/Estadão
Ações da Vale (VALE3) tombaram mais de 3% na volta do carnaval. Foto: Fabio Motta/Estadão

As ações da Vale (VALE3) enfrentaram pregões turbulentos nos últimos dias. Depois de caírem 0,95% na quinta-feira (12) e 2,47% na sexta-feira (13), pré-carnaval, os papéis voltaram a recuar na quarta-feira (18), quando tombaram 3,57%. O desempenho negativo seguiu na quinta-feira (19), quando os ativos passaram a maior parte da sessão no campo vermelho.

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Já nesta sexta-feira (20), o cenário se inverteu e as ações saltaram 3,23% a R$ 86,81, após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que entendeu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) não autoriza o presidente a impor tarifas, derrubando as medidas globais adotadas por Donald Trump contra diferentes países. Veja aqui a reação dos mercados à notícia.

Para analistas, a queda da Vale nos últimos dias não está ligada aos fundamentos da companhia. Trata-se de um movimento de correção natural, após a alta recente dos papéis da mineradora, que acumulam ganhos de 68,21% em 12 meses e chegaram a superar, na última semana, o patamar histórico de R$ 90.

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“É importante citar que a queda da ação da mineradora não foi acompanhada por saídas significativas de investidores estrangeiros da B3, o que sinaliza apenas um ajuste técnico pontual”, destaca Pedro Galdi, analista CNPI do AGF.

Ele aponta um outro fator por trás do movimento negativo recente: o feriado do Ano Novo Lunar, que paralisou as negociações do minério de ferro na China até o dia 24 de fevereiro, quando o mercado retornará no país. Isso afeta não só a Vale, mas outras empresas que exportam para a China, além de deixar o investidor com menos informações para operar.

Segundo Galdi, com a queda do preço do minério de ferro na semana anterior ao do feriado prolongado, ocorreu uma pressão vendedora na ação VALE3.

João Abdouni, analista da Levante Inside Corp, avalia que o desempenho pressionado do cobre também tem afetado o papel. Nesta quinta-feira, o contrato futuro do metal para março encerrou em baixa de 1,11%, a US$ 5,7385 a libra-peso, diante de sinalizações de avanço nos estoques.

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“Há uma correção do preço do cobre no mercado internacional e os materiais metálicos têm sido o principal motor para a alta da Vale nos últimos 6 meses”, diz Abdouni.

Balanço do 4T25 da Vale

Na última semana, a mineradora divulgou o seu balanço do quarto trimestre, quando registrou lucro líquido proforma de US$ 1,5 bilhão, crescimento de 68% ante igual período de 2024. Na comparação trimestral, a empresa recuou 47% nesse indicador.

O lucro líquido proforma é, de acordo com a mineradora, uma métrica que oferece uma visão mais clara do desempenho do resultado ao longo dos períodos. Ela exclui itens não recorrentes, bem como os respectivos efeitos de Imposto de Renda (IR).

O prejuízo líquido atribuível, por sua vez, somou US$ 3,8 bilhões, aprofundando as perdas em relação ao resultado já negativo de US$ 694 milhões registrado um ano antes. Na visão de Rhuan Palma, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela Faculdade Brasileira de Negócios e Finanças (FBNF), o mercado se apegou a esse indicador, sem ler as notas explicativas do balanço e entender que boa parte desse prejuízo é contábil e não representa dinheiro saindo do caixa.

“Esse comportamento é clássico em resultados que misturam ruído com fundamentos sólidos. A venda veio primeiro, a reflexão veio depois, quando já era tarde para muita gente que saiu na abertura do pregão seguinte”, avalia.

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A empresa informou que a queda no indicador aos acionistas refletiu um impairment (uma reavaliação que reduz o valor de ativos no balanço) de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da divisão de Metais Básicos no Canadá. Ou seja, a companhia reconheceu contabilmente que seus ativos valiam menos do que estavam registrados no balanço.

De forma geral, no entanto, analistas avaliaram de forma positiva o resultado do 4T25, com destaque para o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) proforma de US$ 4,8 bilhões, avanço anual de 17% e trimestral de 10%, que veio acima das projeções.

“O Ebitda ficou 6% acima tanto da nossa estimativa quanto do consenso de mercado, com toda a surpresa positiva atribuída à divisão de metais básicos, devido ao impacto favorável de preços provisórios e a um desempenho de custos melhor do que o esperado”, afirma o Itaú BBA, que tem recomendação outperform (equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 100 para a Vale.

O Santander sinalizou que, na comparação sequencial, a empresa apresentou resultados robustos, impulsionados por melhores preços realizados em todos os segmentos, além de sua estrutura de custos aprimorada. O banco também tem recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 85,25.

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Já o BTG Pactual enxerga que, mesmo com “expectativas elevadíssimas”, a Vale conseguiu entregar um conjunto sólido de resultados, também ajudada pela alta dos preços das commodities.

Segundo o banco, embora a Vale ainda seja majoritariamente uma tese ligada ao minério de ferro, ao longo do tempo, o emergente nicho do cobre deve levar a questionamentos sobre a forma de avaliação dos preços da ação.

O que fazer com a ação agora?

Diante da alta recente, analistas revisaram as suas projeções para o papel VALE3. A Genial Investimentos rebaixou o ativo para “manter” no final de janeiro, com preço-alvo de R$ 90, após mais de três anos com indicação de compra.

Embora reconheça que a execução operacional da Vale esteja em um dos seus melhores momentos, a corretora enxerga poucos gatilhos adicionais para sustentar uma valorização relevante no curto prazo.

O BB Investimentos também rebaixou a recomendação da empresa para neutra no último mês, com preço-alvo de R$ 75. Embora espere resultados robustos à frente para a mineradora, a casa optou por se reposicionar após o rali das ações.

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Outras casas, no entanto, ainda seguem recomendando compra para a ação – caso da Ágora Investimentos e do BTG.

A Ágora ampliou o preço-alvo da Vale de R$ 83 para R$ 102 em relatório divulgado na última semana. A corretora avalia que a companhia continua atraente sob a ótica de geração de caixa. O rendimento estimado de fluxo de caixa livre para 2026 é de 8%, acima da média de 5% observada entre os concorrentes.

O BTG trabalha com preço-alvo de US$ 15 por American Depositary Receipt (ADR). Apesar da recente alta, o banco ainda vê a Vale sendo negociada a menos de 5 vezes EV/EBITDA para 2026, indicador que relaciona o valor da companhia e o seu Ebitda.

O banco cita outros fatores para a visão positiva em relação à Vale: a reprecificação em curso no setor de commodities, os fluxos estrangeiros mais fortes para ações de alta liquidez em mercados emergentes e o aumento da exposição ao cobre.

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Na avaliação Jose Áureo Viana, planejador financeiro e especialista em investimentos, o momento atual da ação da empresa envolve uma discussão de precificação e cenário, mais do que uma simples leitura de o papel estar “caro” ou “barato”.

“Parte do mercado ainda vê valuation competitivo e boa capacidade de geração de caixa, mas a leitura do preço no curto prazo segue muito dependente da direção do minério e da percepção sobre demanda chinesa. Em outras palavras, a Vale tende a oscilar mais pelo humor da commodity do que pelo resultado trimestral em si”, diz.

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