Tudo isso costuma entrar no pacote de atendimento, mas os executivos Eron Falbo e Rodrigo Peretz, que atuavam juntos há uma década em um multi family office suíço atendendo famílias high net worth na região Centro-Oeste do Brasil, acreditavam que essa parte ‘não financeira’ estava ficando de lado. Foi dessa brecha que nasceu a Bridge Legacy, empresa que acaba de estrear no Brasil e não se define como uma gestora de investimentos, escritório jurídico ou instituição financeira, mas sim como um “parceiro estratégico das famílias”.
A ideia é ser um consultor independente, uma espécie de curadoria de serviços que possa ajudar os clientes a acessar o que houver de melhor na gestão de patrimônio, mas também em governança e sucessão, com enfoque especial na presença internacional. “Nosso papel é ser esse elo estratégico, garantindo que cada decisão faça sentido dentro de uma visão única de longo prazo, alinhada aos valores e aos objetivos de legado da família”, afirma Falbo, CEO do negócio.
Pela experiência dos fundadores, muitas famílias enfrentam dificuldades não por falta de capital, mas por falta de entendimento sobre ferramentas financeiras internacionais. Enquanto existem muitos players no mercado dedicados a atender bem às necessidades de portfólio de investimentos, aquelas não financeiras, como a arquitetura tributária e jurídica das estratégias, principalmente internacionais, são abordadas com menos especialização.
É nesse ponto que a Bridge quer focar. “Estamos trazendo para o planejamento uma camada anterior ao investimento. A jurisdição é a base de todo o resto do patrimônio.”
Neste primeiro ano de atuação, a Bridge diz que não quer crescer a qualquer custo. Os primeiros clientes são fruto de uma parceria dos sócios com a gestora na qual trabalhavam; a gestão do portfólios fica na empresa estrangeira e eles entram com a assessoria jurídica e outras soluções. O foco é atender entre cinco a dez famílias em 2026, com patrimônio médio de US$ 100 milhões.
“São as que têm demandas mais urgentes de estratégias internacionais de proteção patrimonial. Não buscamos escala. Buscamos profundidade, confiança e impacto real na forma como essas famílias tomam decisões sobre seu legado”, destaca o sócio.
O gatilho da reforma tributária
Essa demanda jurídica e tributária ficou ainda mais evidente para os executivos após as mudanças recentes da reforma tributária. O público de alta renda viu boa parte de suas estruturas de investimentos tradicionais entrarem no radar, do fim dos fundos exclusivos, lá atrás, às recentes mudanças em dividendos, offshores e ITCMD.
Estratégias que antes funcionavam bem podem não funcionar mais. E há muita informação generalizada sobre o tema – como mostramos aqui, desde que esse debate começou, muita gente passou a recomendar as holdings familiares como uma saída universal para fugir da nova tributação. Mas nem sempre é simples assim.
“Se a família não incluir alternativas internacionais, fica 100% exposta ao risco político do Brasil. Mas o planejamento de longo prazo como era feito antes já não funciona mais, é preciso redesenhar a arquitetura completa do patrimônio, de acordo com a necessidade de cada família”, diz Falbo.
Entre as principais demandas das famílias atendidas pela Bridge estão mudança de residência fiscal, passaportes e vistos, estruturas como offshore, fundações e trusts. O que fizer sentido dentro do contexto de cada cliente para aproveitar isenções tributárias e ter alternativas ao Brasil para as famílias e suas empresas, dizem os sócios.