Para 2027, a expectativa também subiu para 3,91%, enquanto 2028 e 2029 permanecem em 3,60% e 3,50%, respectivamente. No curto prazo, o Focus indica pressões adicionais, com IPCA de 0,50% em abril, 0,32% em maio e 0,28% em junho, enquanto a inflação em 12 meses suavizada está em 4,05%, ainda acima do centro da meta.
No câmbio, o cenário segue relativamente estável, mas com leve apreciação do real nas projeções mais recentes. A mediana para 2026 caiu para R$ 5,37 por dólar, contra R$ 5,40 na semana passada, enquanto 2027 também recuou para R$ 5,40. Para horizontes mais longos, o dólar é projetado em R$ 5,46 em 2028 e R$ 5,50 em 2029. No curtíssimo prazo, as expectativas mensais indicam dólar em torno de R$ 5,25 a R$ 5,26 entre abril e junho, mostrando pouca volatilidade esperada, apesar do choque externo, um ponto importante diante do fortalecimento global da moeda americana.
A política monetária permanece restritiva por mais tempo. O mercado manteve a projeção da Selic em 12,50% ao fim de 2026, com estabilidade há semanas, mas com taxas ainda elevadas no curto prazo de 14,50% em abril e 14,00% em junho. Para 2027, a expectativa segue em 10,50%, caindo para 10,00% em 2028 e 9,75% em 2029. Esse cenário de juros altos por período prolongado acontece especialmente diante da deterioração inflacionária e do risco adicional vindo do petróleo.
No crescimento, o quadro segue morno e sem revisões relevantes. O Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 foi mantido em 1,85%, enquanto 2027 permanece em 1,80%. Para 2028 e 2029, as projeções seguem em 2,00%, indicando uma trajetória de expansão limitada e sem aceleração relevante. Esse crescimento fraco, combinado com inflação pressionada, reforça um cenário de “equilíbrio desconfortável” para ativos domésticos.
No bloco fiscal e externo, os números mostram estabilidade com pontos de atenção. O déficit primário segue projetado em -0,50% do PIB em 2026, melhorando gradualmente até -0,10% em 2029, enquanto o resultado nominal permanece elevado em -8,50% do PIB em 2026. A dívida líquida está em 69,90% do PIB neste ano, com trajetória de alta até 78,82% em 2029. No setor externo, a conta corrente tem déficit de US$ 64,7 bilhões, enquanto a balança comercial projeta superávit de US$ 70 bilhões e o investimento direto no País permanece robusto em US$ 75 bilhões.