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Mercado

Petróleo hoje fecha próximo de US$ 100 com negociações entre EUA e Irã; Petrobras avança

Escalada geopolítica recoloca prêmio de risco no barril, enquanto Opep mantém projeções para o Brasil e nova descoberta no pré-sal reforça perspectiva de oferta

Por Igor Markevich

13/04/2026 | 9:54 Atualização: 13/04/2026 | 16:40

Petróleo dispara e volta aos US$ 100 com ameaça de bloqueio ao Irã; ADRs da Petrobras sobem em NY e mercado reprecifica risco global de oferta. (Imagem: Adobe Stock)
Petróleo dispara e volta aos US$ 100 com ameaça de bloqueio ao Irã; ADRs da Petrobras sobem em NY e mercado reprecifica risco global de oferta. (Imagem: Adobe Stock)

O petróleo hoje fechou em alta após voltar a disparar próximo dos US$ 100, em um mercado que abandonou a trégua diplomática e passou a precificar um cenário mais duro no Oriente Médio. Nesta segunda-feira (13), o WTI para maio encerrou o pregão com valorização de 2,6%, a US$ 99,08, enquanto o Brent para junho avançou 4,36%, a US$ 99,36.

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O movimento devolve as perdas da semana passada e sinaliza uma mudança de regime, com o mercado migrando da expectativa de negociação para o risco concreto de interrupção prolongada da oferta.

A escalada retórica e operacional dos Estados Unidos ocupa o centro dessa virada. Após o fracasso das negociações com o Irã no fim de semana, o presidente Donald Trump confirmou a intenção de bloquear portos iranianos, ampliando o alcance do conflito para além do Estreito de Ormuz. A resposta de Teerã classificou a medida como “ato de pirataria” e sinalizou que nenhuma infraestrutura energética na região estará segura em caso de avanço americano.

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Ao mesmo tempo, surgem sinais ainda difusos de tentativa de reabertura de diálogo. Autoridades iranianas avaliam uma proposta dos Estados Unidos que envolve a renúncia ao enriquecimento de urânio como condição para encerrar o conflito, embora entraves operacionais e políticos ainda dificultem avanços concretos.

O movimento, no entanto, não encontra consenso entre aliados. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que o país não apoiará um eventual bloqueio e que não pretende se envolver diretamente no conflito, indicando foco na reabertura da rota de navegação.

Impacto na Bolsa e Petroleiras

No Bolsa do Brasil, a B3, as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) avançam em linha com o barril, refletindo tanto a exposição às exportações quanto o peso da estatal na composição do índice. Por volta das 16h30 (de Brasília), os papéis ordinários subiam 1,24%, a R$ 54,67, enquanto as preferenciais avançavam 0,80%, a R$ 49,42.

Além do efeito direto do petróleo, a companhia também reforça sua agenda operacional. A estatal anunciou a compra da participação de 50% da Petronas nos campos de Tartaruga Verde e Espadarte, na Bacia de Campos, por até US$ 450 milhões, retomando o controle integral dos ativos. Em paralelo, a Petrobras identificou hidrocarbonetos em poço exploratório no pré-sal da mesma bacia, no bloco C-M-477, avanço relevante na estratégia de recomposição de reservas.

A petroleira também afirmou não identificar risco de interrupção em suas operações de importação e exportação, mesmo diante das tensões no Oriente Médio. Segundo a empresa, os fluxos são majoritariamente realizados fora da região de conflito e há rotas alternativas disponíveis.

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A leitura no mercado é de que o choque atual vai além do ruído geopolítico de curto prazo. Segundo análise da StoneX, a retirada potencial de mais de 1 milhão de barris diários exportados pelo Irã agrava um balanço global já apertado, sobretudo em mercados asiáticos e europeus, que operam com déficit de oferta desde o início das tensões na região.

O movimento das ações da Petrobras destoa do setor, que opera no vermelho. A Prio (PRIO3) chegou a liderar os ganhos pela manhã, mas inverteu o sinal ao longo da tarde e, às 16h30, caía 1,30%, a R$ 66,77, enquanto a PetroReconcavo (RECV3) cedia 3,15%, a R$ 13,85, e a Brava Energia (BRAV3) tinha perda de 1,61%, a R$ 21,42.

O Ibovespa oscilou entre altas e baixas durante a sessão e, às 16h30, tinha valorização de 0,30%, aos 197.924 pontos, acompanhando a melhora em Nova York e a moderação dos ganhos do petróleo ao longo da sessão.

Ormuz segue como epicentro

Mesmo antes da nova ameaça, o Estreito de Ormuz já operava sob forte restrição. A via, responsável por cerca de 20% do petróleo mundial, segue refém de condicionantes políticos e militares, sem garantia de funcionamento contínuo.

A possibilidade de bloqueio ampliado, agora não apenas do estreito, mas também de portos iranianos, altera a dinâmica de formação de preços. O mercado reage não apenas ao fluxo físico e passa a precificar risco de infraestrutura, um estágio mais avançado de tensão geopolítica.

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Grandes consumidores seguem adotando medidas defensivas. O Japão anunciou nova liberação de reservas estratégicas equivalente a cerca de 20 dias de consumo, além de intensificar a busca por rotas alternativas que evitem Ormuz.

Esse ruído também se reflete nos mercados globais. Em Nova York, os índices reduziram perdas e passaram a oscilar próximos da estabilidade, enquanto o petróleo arrefecia parte dos ganhos diante da possibilidade, ainda incerta, de descompressão diplomática.

Oferta brasileira e novo vetor externo

O choque de petróleo também começa a redesenhar as contas externas brasileiras. O BTG Pactual revisou para cima suas projeções de superávit comercial, estimando saldo de US$ 90 bilhões em 2026 e 2027, impulsionado pela combinação de preços mais altos e aumento do volume exportado.

Segundo o banco, o Brasil hoje se beneficia de ciclos de alta da commodity, em contraste com o passado. Um avanço de US$ 10 no barril pode melhorar o saldo em transações correntes em cerca de US$ 5,9 bilhões, com ganho concentrado na exportação de petróleo bruto.

Há, contudo, efeitos colaterais. O encarecimento da energia eleva o custo de insumos estratégicos, como fertilizantes, o que pode adicionar cerca de US$ 1,5 bilhão à conta de importações. Além disso, aproximadamente 14% dessas compras têm alguma exposição logística ao Estreito de Ormuz, ampliando o canal de contágio via preços globais.

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Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o Brasil segue ampliando sua relevância no mercado global. As reservas provadas cresceram 3,84% em 2025, para 17,5 bilhões de barris, com taxa de reposição superior a 140%.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) anunciou que sua produção em março caiu quase 8 milhões de barris diários e 27,5% em relação à verificada em fevereiro devido à guerra no Irã e ao bloqueio do estreito de Ormuz. A entidade manteve a projeção de crescimento da produção brasileira, estimando avanço para cerca de 4,6 milhões de barris por dia em 2026, com expansão puxada por projetos como Búzios e Mero.

Inflação, juros e o efeito prolongado do petróleo

A disparada recente do petróleo volta a pressionar as expectativas de inflação global. Nos Estados Unidos, dirigentes do Federal Reserve, o banco central dos EUA, já indicam que o choque de energia pode atrasar a convergência dos preços à meta, prolongando o período de juros elevados.

No Brasil, o impacto também começa a aparecer, com reflexos sobre combustíveis e cadeias produtivas. A combinação entre petróleo caro, câmbio volátil e incerteza geopolítica tende a manter o Banco Central em postura cautelosa.

Com informações da Broadcast

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