O petróleo hoje (28) amplia os ganhos e consolida a escalada recente acima de US$ 100 por barril, em um movimento que reflete o agravamento do impasse entre Estados Unidos e Irã e a percepção de restrição prolongada de oferta global.
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O petróleo hoje (28) amplia os ganhos e consolida a escalada recente acima de US$ 100 por barril, em um movimento que reflete o agravamento do impasse entre Estados Unidos e Irã e a percepção de restrição prolongada de oferta global.
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Nesta terça-feira (28), por volta das 9h30 (de Brasília), o Brent para julho avançava 3,52%, a US$ 105,27, enquanto o WTI para junho subia 4,45%, a US$ 100,66. Ao longo da madrugada, os contratos já acumulavam alta superior a 2% e ganharam tração adicional com a ausência de sinais concretos de avanço diplomático.
O principal vetor segue sendo a paralisia nas negociações entre Washington e Teerã. Sem perspectiva de reabertura imediata do Estreito de Ormuz, o mercado reforça a leitura de que a normalização dos fluxos de petróleo será mais lenta do que o inicialmente esperado.
Analistas do ING indicam que o cenário-base agora contempla uma retomada gradual apenas entre maio e junho, ainda assim abaixo dos níveis anteriores ao conflito ao longo de boa parte do ano. A revisão reforça a percepção de um mercado mais apertado, com oferta limitada diante de uma das principais rotas globais ainda comprometida.
A manutenção desse gargalo logístico sustenta o prêmio de risco embutido nos preços e ajuda a explicar a sequência de altas da commodity.
A escalada do petróleo começa a se refletir de forma mais direta nas expectativas macroeconômicas. No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,89% em abril, acelerando em relação a março, com pressão relevante de combustíveis.
O movimento reforça o canal de transmissão entre energia e inflação e tende a influenciar a condução da política monetária, em uma semana marcada por decisões do Federal Reserve, banco central dos EUA, e do Comitê de Política Monetária (Copom).
No pré-mercado de Nova York, os American Depositary Receipts (ADRs, que permitem negociar ações estrangeiras em bolsa americana) da Petrobras (PETR3; PETR4) avançavam mais de 2%, acompanhando a valorização da commodity. O equivalente às ações ordinárias subia 2,19%, a US$ 21,44, enquanto os papéis preferenciais ganhavam 2,11%, a US$ 19,39.
Além do efeito petróleo, a estatal também anunciou a conclusão da compra de 100% de uma parcela do campo de Argonauta, na Bacia de Campos, anteriormente detida por Shell, ONGC e Brava Energia. O valor total da operação soma R$ 700 milhões, além de US$ 150 milhões a serem pagos em três parcelas.
Apesar da alta do petróleo, o ambiente global permanece pressionado. O principal fundo de índice (ETF) brasileiro negociado em Nova York, o EWZ, recuava cerca de 1% no pré-mercado, refletindo a aversão a risco diante da escalada do conflito.
No exterior, o avanço do “ouro negro” também limita o fôlego das bolsas, enquanto investidores monitoram os desdobramentos geopolíticos e seus efeitos sobre crescimento, inflação e política monetária.
Nesse ambiente, o petróleo segue operando como variável central para os mercados, sensível a qualquer sinal vindo do Oriente Médio e com trajetória condicionada ao ritmo, ainda incerto, das negociações entre Estados Unidos e Irã.
*Com informações da Broadcast
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