1T26: Vale (VALE3) deve entregar geração operacional de caixa de US$ 4 bi, com destaque para cobre e níquel
Resultados do 1º trimestre deste ano devem vir sólidos, impulsionados por metais básicos e preços mais altos, apesar da sazonalidade, segundo analistas
Metais básicos devem liderar resultados da Vale no 1º trimestre de 2026 (Foto: Adobe Stock)
A Vale (VALE3) divulga nesta terça-feira (28), após o fechamento do mercado, os resultados doprimeiro trimestre de 2026 em meio a expectativas de números sólidos, sustentados principalmente pelo avanço da divisão de metais básicos e pela resiliência operacional do minério de ferro. Analistas e casas de análise enxergam um trimestre marcado por crescimento anual relevante, ainda que pressionado pela sazonalidade típica do início do ano.
O BTG Pactual estima Ebitda de US$ 3,98 bilhões e lucro líquido de US$ 2,97 bilhões, com receita líquida de US$ 9,6 bilhões. Já a XP projeta Ebitda ajustado de US$ 4,23 bilhões, cerca de 32% acima do registrado no mesmo período do ano passado.
Para André Matos, CEO da MA7 Negócios, o mercado deve acompanhar um trimestrerobusto, especialmente pela combinação entre melhora operacional e fortalecimento das operações ligadas à transição energética.
“Os números devem vir sólidos, com lucro líquido estimado em torno de US$ 2,9 bilhões, potencialmente mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado, e Ebitda proforma próximo de US$ 4,1 bilhões”, afirma.
Segundo ele, a produção de minério de ferro deve atingir 69,6 milhões de toneladas, alta anual de 3%, enquanto as vendas podem chegar a 68,7 milhões de toneladas no trimestre. Os números operacionais divulgados previamente pela companhia – 16 de abril – já deram sinais positivos ao mercado. A XP destacou que a Vale apresentou “mais um desempenho operacional sólido”, levemente acima das expectativas da casa, puxado principalmente pela divisão de metais básicos.
O principal destaque do trimestre deve ser justamente cobre e níquel. A produção de cobre avançou 12,5% na comparação anual, para 102,3 mil toneladas, enquanto o níquel subiu 12,3%.
“O ponto que mais chama atenção é o segmento de metais básicos, em que o cobre cresceu 12,5% na produção, atingindo 102,3 mil toneladas, com Ebitda estimado em US$ 1,2 bilhão para o segmento, mais que o dobro dos US$ 0,5 bilhão registrados no mesmo período do ano anterior”, diz Matos
Na avaliação dele, o movimento mostra uma empresa “cada vez melhor posicionada para capturar a demanda global por insumos da transição energética”.
Preços também ajudam
Segundo o BTG, o cobre acumulou alta de 16% no trimestre frente ao quarto trimestre de 2025, enquanto o níquel avançou 16% no mesmo intervalo. A XP ressalta que os preços realizados do cobre chegaram a US$ 13.143 por tonelada, salto de 48% na comparação anual.
“Tivemos um resultado operacional muito forte nesse relativo ao primeiro trimestre de 2026. Então, esse é um ponto importante ser observado”, afirma Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital.
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Ele pondera que houve queda sequencial na produção em relação ao quarto trimestre, mas reforça que isso já era esperado devido à sazonalidade típica do setor no início do ano, marcada por chuvas mais intensas e menor ritmo operacional.
De fato, o BTG lembra que o primeiro trimestre costuma ser mais fraco para mineradoras justamente por fatores sazonais, como manutenção e impacto climático sobre a produção. Ainda assim, a Vale conseguiu elevar a produção anual de minério de ferro para 69,7 milhões de toneladas, com destaque para o Sistema Sudeste, impulsionado pela rampa de Capanema e bom desempenho de Brucutu.
Cobre deve influenciar receitas e dividendos
Pletes destaca ainda que o mercado deve olhar com atenção para o impacto do cobre sobre receitas e dividendos.
“Aqui a gente teve a questão do cobre, que teve um aumento muito forte nas vendas e deve adicionar receita da Vale”, afirma. “A expectativa agora é do preço-alvo confirmado acima dos R$ 90, entre R$ 95 e R$ 100, e também o quanto de receita líquida vem para divulgação de dividendos”, acrescenta.
Além dos números em si, investidores devem monitorar o tom da companhia sobre demanda global por ferro, especialmente da China. Esse segue sendo o principal ponto de atenção para o setor.
“No curto prazo, o câmbio favorável e os preços das commodities seguem sustentando as margens, mas o principal risco macro continua sendo a demanda chinesa, ainda pressionada pelo setor imobiliário, mesmo com as políticas de estímulo do governo de Pequim”, afirma Matos.
A XP também chama atenção para o fato de que parte da valorização recente das ações já embute um cenário mais otimista para o minério de ferro. A casa mantém recomendação neutra para a companhia por considerar que os papéis negociam acima do preço spot do minério.
Ainda assim, o mercado enxerga fatores que podem continuar sustentando as ações no curto prazo, como a alta dos metais industriais, principalmente cobre, e o fluxo para mercados emergentes.
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Outro ponto estratégico observado pelos analistas é a diversificação geográfica da companhia. Matos destaca que a expansão da Vale na Índia pode reduzir a dependência da demanda chinesa no longo prazo. “Quem acompanha a empresa no longo prazo precisa entender que essa transição de portfólio é tão importante quanto qualquer resultado trimestral”, afirma.