A Berkshire Hathaway abriu neste sábado, 2, em Omaha, nos Estados Unidos, sua conferência anual de acionistas, a primeira sem Warren Buffett no comando, em meio à atenção do mercado após a recente queda das ações do conglomerado.
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A Berkshire Hathaway abriu neste sábado, 2, em Omaha, nos Estados Unidos, sua conferência anual de acionistas, a primeira sem Warren Buffett no comando, em meio à atenção do mercado após a recente queda das ações do conglomerado.
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Da plateia, o megainvestidor reforçou o apoio ao novo CEO da Berkshire, Greg Abel, e disse que a sucessão foi uma decisão “100% acertada”, classificando Abel como “a pessoa certa” para liderar a companhia.
Segundo ele, Abel faz tudo o que o próprio Buffett fazia “e mais um pouco”. Ao agradecer, o atual CEO afirmou que a cultura corporativa seguirá como principal ativo do grupo. “A cultura é a base da Berkshire e seguirá após a saída de Buffett”, declarou. Na abertura do evento, Buffett destacou o desempenho do investimento da companhia na Apple, estimando que um aporte de cerca de US$ 35 bilhões se transformou em aproximadamente US$ 185 bilhões ao longo de dez anos, considerando dividendos, ganhos realizados e valorização não realizada.
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De acordo com ele, a Berkshire entregou parte relevante de seus recursos à administração da empresa de tecnologia. “Delegamos 10% do capital da empresa à gestão da Apple”, afirmou. Buffett também elogiou a liderança de Tim Cook após a morte de Steve Jobs. “A Apple parece uma empresa nova, mesmo após 50 anos”, comentou.
A conferência ocorre após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026. A Berkshire reportou lucro líquido de US$ 10,1 bilhões, alta de cerca de 120% em relação ao mesmo período do ano passado, com menor impacto negativo da marcação a mercado de investimentos.
As perdas com investimentos somaram US$ 1,6 bilhão, cerca de 75% menores do que as de um ano antes. A receita total foi de US$ 93,7 bilhões, avanço de 4,4%, com destaque para seguros e atividades industriais. O lucro antes de impostos alcançou US$ 12,3 bilhões, alta de 139%. O lucro operacional, por sua vez, somou US$ 11,3 bilhões, crescimento de cerca de 18%.
A companhia manteve elevado nível de liquidez. Ao fim de março, a soma de caixa e aplicações em títulos do Tesouro americano superou US$ 390 bilhões. Abel disse que a posição líquida de caixa e Treasuries era de cerca de US$ 380 bilhões, após ajustes relacionados à compra de títulos pouco antes do encerramento do trimestre.
Segundo ele, o balanço mostrava aproximadamente US$ 397 bilhões, mas o número incluía US$ 17,2 bilhões em pagamentos pendentes, com liquidação no início de abril. Abel afirmou que o caixa elevado dá à Berkshire capacidade para investir com grande volume de capital em oportunidades, sem depender de financiamento externo.
“Não pretendemos ser dependentes de terceiros”, disse.
Ele também ressaltou a flexibilidade para realocar recursos entre seguros, operações industriais e investimentos em ações. No trimestre, a Berkshire vendeu cerca de US$ 24 bilhões em ações e comprou aproximadamente US$ 16 bilhões. Ao fim de março, a carteira de ações somava US$ 288 bilhões, abaixo dos cerca de US$ 298 bilhões do fim de 2025.
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As cinco maiores posições representavam cerca de 61% da carteira, com participações em Apple, American Express, Bank of America, Coca-Cola e Chevron. Abel afirmou que o portfólio mantém cerca de US$ 200 bilhões concentrados em poucas ações e disse que, além desse núcleo, há aproximadamente US$ 70 bilhões em outras participações relevantes, incluindo Bank of America, Chevron e Alphabet. “Conhecemos bem esses negócios e suas equipes de gestão”, afirmou.
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