O pessimismo em relação a situação econômica também se mostra homogêneo entre as diferentes classes sociais. As perspectivas são ruins tanto para o presente, quanto para os próximos meses. O Índice de Confiança Atual (ICA) caiu 10,5 pontos na comparação mensal, chegando aos 65,6 pontos, menor patamar desde 2016.
Já o Índice de Expectativas, indicador que mede a confiança no futuro, teve queda de 28,9 pontos na comparação mensal, fechando em 55 pontos, menor valor da série.
A queda histórica do indicador de confiança já é observada na prática. De acordo com o levantamento feito pela Nielsen Brasil com mais de 3 mil lares, as famílias estão comprando apenas o essencial para lidar com o orçamento mais curto durante a crise.
Segundo o estudo, as cestas de Mercearia Doce, Mercearia Salgada e Limpeza tiveram um salto de 23,9%, 22,3% e 27,9%, respectivamente. Na ponta dos supérfluos, as quedas foram expressivas. Bebidas alcoólicas e produtos de Higiene&Beleza, por exemplo, tiveram queda de 17,4% e 4,3%.
“O brasileiro se abasteceu com o básico, por isso o crescimento de cestas de Mercearia e Limpeza. Mas outros itens, principalmente dentro de Higiene&Beleza e Bebida Alcoólicas retraem, visto que não são considerados essenciais neste momento de pandemia”, afirmou Patrícia Almeida, especialista em entendimento do Consumidor da Nielsen Brasil.
Entretanto, mesmo com o orçamento mais curto, 91% das famílias brasileiras declararam estar mais preocupadas com a saúde do que a situação financeira.
“Desde 2014, as finanças pessoais eram o principal ponto de preocupação e agora isso vem em segundo lugar. É um movimento natural a consciência da população diante de uma crise sanitária”, afirmou Almeida.