O petróleo WTI para agosto fechou em baixa de 2,38% (-US$ 1,79), em US$ 73,37 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para setembro caiu 3,41% (-US$ 2,63), a US$ 74,53 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE).
Ontem, a Opep+ cancelou a cúpula após impasse causado pela recuso dos Emirados Árabes Unidos em aceitarem a proposta de russos e sauditas para aumento da produção a partir do mês que vem. “Por enquanto, o impasse permanece cimentado com poucas manobras de qualquer uma das partes envolvidas”, destaca Louise Dickson, da Rystad Energy. Ainda não há uma nova data para discussões. Hoje, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, indicou que presidente russo, Vladimir Putin, não tem planos imediatos para contatos com altos funcionários da Opep+, segundo a Reuters. Já a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que o governo dos Estados Unidos “monitora” o tema, mas que não deve haver envolvimento direto.
O cenário impulsionou as cotações de petróleo na sequência da indecisão, embora os preços tenham virado para negativo nesta manhã. O impulso maior foi no WTI, que reduziu a diferença para o Brent, e chegou a registrar seu maior nível desde novembro de 2014. De acordo com Dickson, isso ocorre porque a recuperação forte da economia americana eleva os prospectos para a demanda.
A analista acrescenta que os países ainda podem voltar às mesa de negociações e decidirem pelo aumento da oferta. “Um déficit de oferta considerável no mercado alimentará os preços no curto prazo, potencialmente acima de US$ 80 por barril de Brent, mas também pode estar preparando o cenário para uma queda do preço do petróleo semelhante ao que o mercado experimentou em novembro de 2018”, especula. Para Edward Moya, economista da OANDA, um acordo ainda pode acontecer em uma ou duas semanas, mas a incerteza pode ser suficiente para suportar outro aumento nos preços do petróleo, com preços chegando a US$ 85 e eventualmente a US$ 90. Segundo a avaliação, uma das provas de que o mercado observa um cenário para alta foi a decisão da Arábia Saudita hoje de elevar os preços do barril.