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Diretor de Estratégia da Arko Advice

Thiago de Aragão é diretor de estratégia da Arko Advice e assessora diretamente dezenas de fundos estrangeiros sobre investimentos no Brasil e Argentina. Sociólogo, mestre em Relações Internacionais pela SAIS Johns Hopkins University e Pesquisador Sênior do Center Strategic and International Studies de Washington DC, Thiago vive entre Washington DC, Nova York e Brasilia.
Twitter: @ThiagoGdeAragao

Escreve às sextas-feiras, a cada 15 dias

Otimismo no curto prazo, incerteza no longo e o problema da precificação do risco político

Investidores já normalizaram o caos no Brasil. Mas há fatores capazes de minar a confiança

Paulo Guedes, ministro da economia
Paulo Guedes, ministro da Economia: sua presença no governo mantém a confiança dos investidores no Brasil. (Adriano Machado/ Reuters)
  • Projeção de recuperação da Bolsa brasileira no segundo semestre fez Ibovespa subir
  • Investidores de curto prazo indicam maior tolerância com o ambiente político brasileiro
  • Perder Paulo Guedes e depressão econômica são fatores capazes de minar esse otimismo

Nesta semana, um relatório do banco Goldman Sachs sacudiu o mercado brasileiro com uma nova onda de otimismo. Esse otimismo se refletiu na Bovespa, que mostrou sólido e surpreendente crescimento ao longo dos últimos dias, embora o relatório tenha pontuado que as ações de empresas brasileiras foram fortemente afetadas – foram os ativos de pior desempenho em dólar entre os mercados emergentes – e ainda que apresentamos uma queda de 48% desde janeiro, agravada pela depreciação do real. Essa conjunção de fatores, certamente se deixou influenciar pelas recorrentes crises políticas encapsuladas dentro da super crise da covid-19.

O pessimismo em relação ao Brasil tem uma base institucional forte e não está, necessariamente, centrado na qualidade e na oportunidade que alguns ativos representam. Dentro da lógica binária que impera hoje, somos induzidos a fazer uma leitura de que o investidor estrangeiro está otimista ou pessimista em relação ao país. Porém, diferentes graus de pessimismo podem gerar uma sensação de oportunidade ou de resguardo.

O otimismo em relação a um mercado engloba inúmeras possibilidades e variações de investimentos (hedge, renda variável a curto prazo, investimentos estruturantes de longo prazo etc.). O pessimismo, dentro de suas variações de intensidade, também pode render oportunidades.

Afinal, a crise política recorrente no Brasil ainda se mantem dentro de uma institucionalidade incomum entre outros mercados emergentes. A expectativa de uma tragédia institucional e de um tsunami avassalador que culminaria em um impeachment do presidente Bolsonaro é o cenário paralisante do pessimismo mais hardcore.

À medida que esse cenário não se concretiza, mesmo com pessimismos localizados e específicos, uma sensação de “normalização” do comportamento errático do governo se espalha. Isso estimula uma visão menos destrutiva do caos político brasileiro e a compreensão de que, mesmo com confrontação política, uma ruptura institucional não irá ocorrer.

O Goldman Sachs aposta nesse “pessimismo manejável” para recomendar a compra de posições de mais longo prazo na Bovespa, dentro da expectativa de 90 mil pontos. Categorizando ativos brasileiros como “candidatos ideais para a recuperação”, o Goldman aposta que o cenário institucional ruim não se converterá em péssimo ou trágico. Naturalmente, há uma grande dose de subjetividade entre o que é péssimo para alguns e razoável para outros. Nesse caso, a possibilidade de “comprar barato e vender caro” é a aposta dessa leitura do Goldman.

Três fatores importantes são ressaltados:

  • baixa participação de investimento externo,
  • significativo ciclo de relaxamento monetário e
  • baixas margens de ganhos das ações parecem já estar precificados.

Logo, o que resta para uma depreciação ainda maior, já que as incertezas em relação ao ambiente político permanecem? A resposta estaria no desenrolar catastrófico dessas incertezas. Dentre várias, cito (não necessariamente em ordem de importância):

  • Saída do Ministro da Economia Paulo Guedes. A saída de Paulo Guedes é tratada como impactante, não necessariamente por um apreço absoluto do mercado para com ele, mas pela acentuação da incerteza sobre qual rumo a economia teria com um outro ministro. Hoje criticam menos as ideias do ministério e mais a sua capacidade de execução. Outro nome geraria um reboot de confiança sobre ideias e capacidade de entrega.
  • Depressão Econômica. Desemprego fora do controle, falências de empresas e derretimento de confiança são indicadores de uma batalha quase perdida. Dados do Caged em abril mostram 1,5 milhão de demissões e 600 mil contratações. Levando em consideração que a covid-19 se manterá forte até agosto, esse dado preocupou o estrangeiro de forma mais aguda que o investidor brasileiro, que esperava números piores. Pessimismo manejável versus pessimismo catastrófico.
  • A não confirmação do catastrófico. E não especificamente uma melhora na conjuntura como um todo, fará com que os ativos se valorizem.
  • Narrativa parlamentar de reformas em 2021 (mesmo sendo secundária como urgência perante as ações necessárias para a contenção da crise e a manutenção da economia). Importante ressaltar que a demonstração de confiança em aprovar reformas convence mais o investidor quando parte de lideranças parlamentares do que do Ministério da Economia.
  • Avanços em alguns projetos de lei específicos. Tais como a do Saneamento, SEaC (Serviço de acesso Condicionado) etc.

O risco político no Brasil ainda não bem precificado pelos investidores

A velocidade da geração de fatos negativos no ambiente político é tão intensa que para alguns investidores passou a ser normal. No entanto, novos fatos negativos (que são uma tendência) geram um acúmulo que, mesmo normalizado entre investidores brasileiros, pode significar um limite para o estrangeiro, principalmente se outro mercado emergente se mostrar mais atraente.

O risco político não parece estar bem precificado por investidores no Brasil e no exterior. A precificação de algo subjetivo como a política é bem difícil, por isso analistas políticos tentam auxiliar nessa leitura. As predileções pessoais e o cruzamento de aceitação (alguém concorda com ações A e B do governo e passa a olhar positivamente para as ações C e D, mesmo que não façam sentido e representem risco) aumentam a subjetividade e embaçam a visão de futuro.

A alocação de investidores brasileiros na Bolsa, dado os juros baixos, peso dos bancos e recuperação de commodities (entre outras variáveis) continuará ocorrendo. Não irá se traduzir, obrigatoriamente, na mesma visão que o estrangeiro tem da Bolsa.

O Goldman Sachs realmente transmitiu confiança para o investidor de curto prazo – horizonte de 3 meses e fundos hedge. É uma recomendação de alocação de curto prazo (horizonte de 3 meses) com risco cambial limitado. Para o de longo prazo, mirando o Brasil nos próximos 10, 20 anos, o buraco é mais embaixo.

O clima de confiança não substituirá as análises e expectativas estruturais de longo prazo. A “tara” em reformas vem desse tipo de investidor que busca traduzir os próximos 10 anos em uma planilha de Excel. Para estes, a usina geradora de crises e incertezas que se instalou em Brasília gera apreensão, pois sabem que quanto mais profunda são as crises, mais emotivos, impulsivos e irracionais os governos latino-americanos tendem a ser.

O Brasil já foi a exceção à regra diversas vezes, mas em análises de investimentos de longo prazo há pouco espaço para interpretações otimistas por meio das análises de curto prazo. Atraímos bastante investimento quando o mundo vivia um otimismo econômico sem precedentes, crescemos quando a China fez do Brasil um supermercado de commodities. Agora, para nos recuperarmos, dependemos das nossas próprias ações, disciplina de cronograma, eficiência, transparência, diálogo e claras políticas de Estado. Aí é que mora o perigo.

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