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Colunista

Entenda as transformações e a evolução do mercado de crédito nos últimos 5 anos

Transformação contínua moldou o mercado de crédito privado, ampliando oportunidades e atraindo novos investidores

Por Fayga Czerniakowski Delbem, superintendente de crédito da Itaú Asset

07/05/2024 | 7:50 Atualização: 07/05/2024 | 14:10

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(Foto: Adobe Stock)
(Foto: Adobe Stock)

Depois de mais de 15 anos atuando com fundos de crédito privado, posso dizer que sou uma grande entusiasta desse segmento e da sua importância dentro do mercado financeiro do Brasil.

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Tenho convicção de que cada vez mais estamos falando de uma classe de ativos mais madura, que nada mais se parece com aquela que era usada apenas como alternativa para gestão de liquidez dos investidores.

Atualmente, o mercado de crédito se consolida como uma alocação capaz de atender e superar as expectativas de investidores de diferentes apetites de risco, por meio de produtos com target de retorno que vão desde Certificados de Depósitos Interbancários (CDI) + 0,50% até estruturas que superam CDI + 10% a.a.

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O caminho até aqui, porém, não escapou de turbulências e desafios, mas foram esses momentos que moldaram o mercado que temos hoje.

O segmento de fundos de crédito privado passou por grandes transformações ao longo dos últimos 5 anos e, sem dúvida, as três crises enfrentadas entre 2019 e 2023 – e os impactos que trouxeram aos ativos – possibilitaram o desenvolvimento que temos hoje.

Cada uma delas, a seu jeito, trouxe conhecimentos que hoje são aplicados no nosso dia a dia na gestão desses produtos. É sobre essas lições que vou falar por aqui.

1) Necessidade de adequar gestão de liquidez entre ativos e passivos de fundos de investimento

Voltamos ao ano de 2019. O contexto ali era de taxa de juros muito baixa e diferença entre o preço de compra e o preço de venda (spreads) de crédito apertados, com a média dos créditos corporativos negociando no mercado secundário a CDI + 0,80%, o que não remunerava adequadamente o risco do investidor e, por isso, resultou numa onda de resgates.

O principal problema: muitos fundos à época com a cotização inadequada para o perfil de alocação de suas carteiras. O que significa isso?

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Os gestores se comprometiam a entregar liquidez diária para seus investidores ao mesmo tempo em que investiam em ativos de longo prazo e com reduzida liquidez. Foi nesse momento que se entendeu a necessidade de adequar gestão de liquidez entre ativos e passivos de fundos de investimento.

2) Ao atrair outros perfis de investidores, o mercado ganhou maior dinamismo e maior liquidez.

Na sequência, em 2020, tivemos o choque em toda a economia decorrente da incerteza advinda da pandemia de Covid-19. Nesse contexto, o spread médio de crédito foi de CDI + 1,10% para algo superior a CDI + 5%, implicando em uma forte desvalorização dos ativos e, consequentemente, um novo ciclo de resgates na indústria.

Após esse movimento de perda de valor, presenciamos a entrada de novos participantes, como fundos multimercados, estratégias de investimento de risco, como apostar na direção oposta (hedge funds) e tesourarias de bancos, que perceberam a oportunidade de comprar ativos de alta qualidade de crédito a preços bem descontados.

Foi com a chegada de novos alocadores que o mercado ganhou maior dinamismo e maior liquidez.

3) A importância de uma equipe de gestão ampla e experiente na seleção dos ativos.

Depois de anos seguidos positivos de recuperação do spread e valorização dos ativos, o mercado de crédito sofre com uma nova crise, resultado do pedido inesperado de recuperação judicial de uma grande varejista no começo de 2023, seguida de eventos de crédito em outras companhias em virtude da reestruturação de suas dívidas.

Novamente, assistimos a um ciclo de desvalorização de ativos e resgates.

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Os fundos que menos sofreram e que mais rapidamente se recuperaram foram aqueles que, graças a uma forte equipe de gestão, seguia alguns princípios importantes no gerenciamento dos fundos: formação de um portfólio pulverizado em termos de ativos, rigor nas análises de crédito, seletividade dos investimentos e, sem dúvida, entendimento da relevância da governança corporativa na concessão de crédito.

Com isso, chegamos em 2024 com uma classe de ativos cada vez mais ampla, consolidada e com possibilidade de atender as expectativas de retorno de todos os perfis de investidores.

E não posso deixar de destacar a oportunidade que nasce do desenvolvimento que está ocorrendo com o surgimento dos derivativos de crédito no Brasil.

Por meio deles, nós, gestores, teremos, por um lado, instrumentos necessários para proteger melhor os portfólios em determinados ciclos e, por outro, conseguiremos aumentar alocações em crédito quando desejado de forma mais rápida e eficiente.

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Também vemos ganhos com o crescimento de ativos tokenizados, que devem contribuir para a robustez das estruturas de investimento e o dinamismo do mercado.

Olho para os próximos anos com a certeza de que temos uma avenida importante para capturar diferentes oportunidades e entregar portfólios com atrativa relação de retorno e risco para nossos investidores.

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