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Colunista

A aposta do governo americano na tecnologia de IA e a resposta chinesa com o DeepSeek

IA chinesa mostra que empresas de setores tradicionais poderão adotar a tecnologia sem depender das big techs dos EUA; entenda

Por Bruno Funchal

12/02/2025 | 13:41 Atualização: 12/02/2025 | 14:40

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DeepSeek é uma startup chinesa que desenvolveu um modelo de IA que compete com gigantes do mercado. (Foto: Adobe Stock)
DeepSeek é uma startup chinesa que desenvolveu um modelo de IA que compete com gigantes do mercado. (Foto: Adobe Stock)

Nas primeiras semanas do ano tivemos uma demonstração de como a inteligência artificial (IA) pode influenciar os rumos das empresas e do mercado de ações global para os próximos anos. Com a eleição de Donald Trump, seu viés desregulamentador e sua escolha por pessoas do meio tech, como Elon Musk, CEO da SpaceX e da Tesla (TSLA34), David Sacks, ex-diretor da PayPal e fundador da Yammer, Sriram Krishnan, ex-Microsoft (MSFT34) e Meta (M1TA34), dentre outros, mostram que não só o setor privado está indo nessa direção, mas a tecnologia também tem chamado atenção dos governos.

Leia mais:
  • DeepSeek não é a única: outras empresas chinesas de inteligência artificial podem abalar o mercado financeiro
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Nos primeiros dias de governo Trump, o presidente americano anunciou o Projeto Stargate para investir US$ 500 bilhões em infraestrutura de IA. Ele assinou uma ordem executiva que estabelece 180 dias para elaboração de um plano de ação de IA visando sustentar o domínio do país nessa tecnologia, trazendo cada vez mais competitividade para a maior economia do mundo.

Empresas de tecnologia e o impacto no mercado de ações nos EUA

Nos últimos anos as empresas de tecnologia tiveram um papel fundamental na valorização do mercado de ações americano. Não à toa elas foram apelidadas de “Magnificent Seven” (“As Sete Magníficas”, em tradução livre) – Amazon, Meta, Google, Nvidia, Microsoft, Tesla e Apple. Apenas elas representaram, sozinhas, mais da metade dos 57% da valorização do índice S&P 500 nos últimos dois anos.

Em termos macroeconômicos, conforme destacado nesta coluna em junho do ano passado no texto “Efeitos macroeconômicos da inteligência artificial”, Acemoglu, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2024, o ganho é limitado, entre 1,1% e 1,6% de crescimento em 10 anos, dada a limitação do uso da IA em alguns setores de tarefas mais rotineiras, de fácil automação e menos complexa. Além disso, o investimento em infraestrutura e o gasto com energia são elevados para o desenvolvimento de IA.

DeepSeek ameaça concorrentes de tecnologia

Em meio aos anúncios do governo americano para acelerar iniciativas de IA, veio da China a informação do mais novo player nesta corrida pelo avanço desta tecnologia, o DeepSeek. Sua divulgação trouxe muita curiosidade em todo o mundo, pois se diferencia dos concorrentes americanos de algumas formas, trazendo uma abordagem nova no desenvolvimento da IA, com custos aparentemente mais baixos.

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A diferença principal aparece em dois pilares: primeiro, o uso de uma infraestrutura otimizada e distribuição de tarefas de trabalho em diversos processadores menores, o que reduz a dependência de unidades de processamento gráfico (GPUs) caras; segundo, utiliza um modelo de código aberto, estratégia que gera, ao liberar seus modelos para uso público, competição e desenvolvimento acelerado.

  • DeepSeek: conheça a IA chinesa que fez as ações da Nvidia despencarem

A inovação para uso de processadores menores se deu, em grande parte, pelas restrições impostas pela política americana em limitar o acesso chinês a tecnologias essenciais ao desenvolvimento de IA, como a limitação de GPUs de alto desempenho, a exemplo daqueles fabricados pela Nvidia (NVDC34), e controles de exportação de algoritmos de IA. Por conta disto a DeepSeek vem investindo em desenhos que permitem maior independência das GPUs da Nvidia.

Com essa novidade trazida pelo DeepSeek, a crença de que há necessidade de altos investimentos em infraestrutura para sustentar o crescimento da IA pode sofrer uma mudança relevante, para melhor, dado seu menor custo de desenvolvimento e demanda mais baixa por recursos para infraestrutura.

Desta forma, diferente de hoje, em que a competição de ponta demanda alto investimento em infra de nuvem e chips de grande desempenho, o DeepSeek, ao adotar modelos mais eficientes e menos dependentes de hardware específico, reduz drasticamente essa barreira de entrada, deixando a tecnologia mais barata e democrática – o que significa que companhias menores poderão acessar inteligência artificial de ponta sem custos proibitivos.

  • Saiba mais: Por que a DeepSeek assusta tanto investidores de big techs americanas?

Com isso, empresas que vêm tendo altos gastos em infraestrutura computacional podem perder seu diferencial competitivo. Não à toa, no dia do anúncio do DeepSeek, a Nvidia perdeu USD 500 bi de valor de mercado em um único dia – e estima-se uma perda de US$ 1 trilhão em valor de mercado da Nasdaq e da NYSE, as bolsas de valores de Nova York. Isso pode levar a uma revisão nos valuations (valor de mercado) das big techs e criar oportunidades para startups que antes não conseguiam competir.

DeepSeek dá pontapé inicial no mercado de tecnologia

Por outro lado, novas oportunidades se abrem, com outros setores que não percebiam a viabilidade na implementação de IA e, agora, têm a tecnologia ao alcance. Empresas de ramos tradicionais da economia, como saúde, varejo e indústria, poderão adotar IA sem depender de gigantes da tecnologia. Isso pode criar uma onda de valorização para companhias que conseguirem integrar a inteligência artificial aos seus modelos de negócio.

A DeepSeek não foi apelidada de Sputnik em vão: a nova “corrida espacial” está acelerada e tanto as questões econômicas quanto as geopolíticas são elementos fundamentais nesse cenário. A certeza que temos é que a inteligência artificial veio para ficar e gerar valor para aqueles que melhor souberem utilizá-la, além de proporcionar poder estratégico não só para as empresas, mas também para governos.

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