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Colunista

Ásia, EUA, Europa e os emergentes: um balanço do quadrimestre

Veja uma avaliação do que se passou nos mercados e do que esperar para os próximos meses

Por Dan Kawa

21/04/2021 | 7:00 Atualização: 20/04/2021 | 15:36

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Foto: Pixabay
Foto: Pixabay

Como um relâmpago, o primeiro trimestre do ano ficou para trás e já caminhamos para encerrar o primeiro quadrimestre do ano. Observamos alguns avanços no Brasil e no mundo, mas também alguns retrocessos e o surgimento de novos riscos no cenário. O momento me parece oportuno para realizarmos uma breve avaliação do que se passou e do que espero para os próximos meses.

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Sem a menor sobra de dúvida, a pandemia continua a ser o principal tema de direcionamento das economias globais e, consequentemente, dos mercados financeiros. O que vimos neste início de ano foi um cenário de grande heterogeneidade no desenvolvimento da crise sanitária entre países e regiões.

Na Ásia, a pandemia já havia sido, pelo menos olhando os dados oficiais, equacionada no segundo semestre de 2020. Não vimos “segundas” ou “terceiras ondas” relevantes em países mais desenvolvidos da região, em especial na China. Com isso, o que observamos foram dados robustos e saudáveis de crescimento na região, ainda sem grandes sinais de pressões inflacionárias.

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Na China, um dos principais motores do mundo, o crescimento se mostra satisfatório e a inflação controlada. Contudo, há um início de sinal de excesso no mercado imobiliário, assim como o aumento de “eventos de crédito” no mercado local de dívida.

Por um lado, vejo um cenário construtivo para o crescimento e a economia da região, mas alerto para o aumento do risco de medidas mais restritivas nos próximos meses, que poderiam desacelerar o crescimento e a economia. Este sinal ainda é um risco, e não um cenário base, mas precisa ser monitorado.

Caminhando ao Ocidente, na Europa, a situação ainda é frágil e demanda alguma atenção, mas as perspectivas seguem positivas para os próximos meses. Alguns países e regiões ainda enfrentam uma situação bastante delicada da pandemia e da crise sanitária.

A região, de certa forma, falhou em termos gerais, em seu processo de vacinação, e está bastante atrasada em relação a outros países desenvolvidos. De qualquer forma, há sinais de que a vacinação deva ganhar tração nas próximas semanas, levando a região a uma situação menos dramática.

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Assim, espera-se, também na Europa, uma recuperação do crescimento nos próximos meses. O Banco Central Europeu deve manter uma política monetária expansionista, enquanto não há sinais de uma inflação consistente e estrutural.

Aqui, vale citar os casos de Israel e do Reino Unido, dois “países” que aceleraram o processo de vacinação, atingiram o nível de imunização adequado da população e, hoje, já apresentam um ambiente de vida social praticamente normal.

Claramente, este cenário já começa a ficar evidente não apenas nos dados de alta frequência como nos números oficiais de atividade econômica.
Chegando aos Estados Unidos a situação caminha para um ambiente parecido com Reino Unido e Israel. A vacinação avança a passos largos, com algumas diferenças entre algumas regiões do país, mas com sinais cada vez mais consistentes de volta à normalidade.

Os dados econômicos refletem isso de maneira evidente, com um mercado de trabalho cada vez mais apertado, vendas no varejo com alta acelerada e um crescimento que deve rondar os 7% este ano.

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Aqui, contudo, valem alguns comentários. Primeiro, o processo de normalização não será linear. Devemos enfrentar problemas ao longo do tempo, dado as dimensões de alguns países e a fase de vacinação de cada região do mundo.

Segundo, a liquidez global abundante, derivada da política monetária expansionista e de pacotes fiscais extremamente generosos, aumentam exponencialmente o risco de superaquecimento da economia dos EUA nos próximos meses, à medida que a economia retoma à normalidade.
Reforço aqui que este ainda não é o cenário central. O Banco Central Americano (Fed) continua (e deve continuar) bastante expansionista nos próximos meses, assim como a inflação corrente ainda é baixa, mas é um risco crescente, que não pode ser ignorado e precisa ser mapeado cada vez mais.

Situação dos países emergentes

Quando olhamos os países emergentes, contudo, a situação ainda é gravíssima, com países como a Índia e o Brasil enfrentando situação de saturação do sistema de saúde e ausência de oferta adequada de vacinas.

No Brasil, em especial, a situação ainda é dramática, mas há sinais cada vez mais consistentes de que o pior desta “onda” da pandemia ficou para trás. Ainda devemos conviver com dados elevados (e imperdoáveis) de óbitos diários, mas já vemos uma tendência de queda do número de casos e internações nas principais regiões do país, o que costuma ser um indicador antecedente de queda do número de óbitos.

Vale a pena ressaltar que com o processo mais avançado de vacinação no mundo desenvolvido, devemos ver uma oferta mais satisfatória de vacinas para o Brasil nas próximas semanas, o que nos permitirá acelerar o processo de imunização.

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Ainda no Brasil, a pandemia não é nosso único desafio. Vivemos um ambiente político ainda mais polarizado, agora com a potencial entrada do ex-presidente Lula na corrida presidencial.

O País apresenta um problema fiscal que precisa ser equacionado de maneira incisiva e estrutural. O orçamento de 2021 ainda não foi aprovado e vive um impasse que tem mantido o mercado financeiro local à deriva e pressionado.

Não à toa, vemos os ativos locais com enormes prêmios de risco se comparados a seus pares internacionais e a seus valores adequados para preços históricos e derivadas econômicas.

Finalmente, convivemos com uma inflação corrente mais elevada do que o passado recente, que obriga o Banco Central a dar continuidade a um processo de ajuste da Taxa Selic que pode levá-la ao patamar de 6% (ou mais) nos próximos meses.

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De maneira geral, mantenho um cenário construtivo para a economia global ao longo deste ano. Acredito que veremos uma recuperação do crescimento mais evidente ao longo dos próximos meses. Contudo, vejo um aumento crescente do risco inflacionário, especialmente na segunda metade do ano e nos EUA. Vejo pouco prêmio em ativos internacionais como crédito privado, bolsas e títulos soberanos.

No Brasil, o cenário de curto-prazo ainda é desafiador, mas vejo melhoras à frente. Ao contrário do cenário internacional, vejo oportunidades nos ativos locais, dado o nível de prêmio de risco apresentado por diversos ativos do país.

Obviamente, que sem avanços econômicos, fiscais e sociais esses prêmios podem ficar ainda maiores, o que demanda algum tipo de parcimônia nas alocações. Tenho certeza de que novas variáveis irão surgir ao longo do ano e o cenário descrito acima não será linear. Precisamos estar preparados para separar os ruídos dos sinais.

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