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Colunista

A métrica que todo investidor deveria acompanhar antes de comprar ações na B3

Levantamento mostra transformação estrutural no perfil financeiro das empresas brasileiras

Por Einar Rivero

05/02/2025 | 12:59 Atualização: 05/02/2025 | 13:24

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Quanto maior o peso da dívida no EV, maior é a percepção de risco por parte dos investidores. (Foto: Adobe Stock)
Quanto maior o peso da dívida no EV, maior é a percepção de risco por parte dos investidores. (Foto: Adobe Stock)

No mercado financeiro, poucas métricas são tão abrangentes quanto o Enterprise Value (EV), ou “valor da firma”. Ele sintetiza o valor total de uma empresa ao integrar o capital próprio, a dívida líquida e a participação de acionistas minoritários.

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Um levantamento recente sobre a evolução do EV nas empresas da B3 entre 2019 e 2025 revela transformações estruturais significativas – tanto no peso relativo dos seus componentes quanto nas dinâmicas que moldam o mercado.

Uma radiografia da B3

Em 2019, o valor de mercado das ações negociadas na B3 representava 81,8% do EV total das empresas listadas. Esse número despencou para 65,2% em 2025, confirmando um movimento de queda contínua desse indicador ao longo dos anos.

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Paralelamente a isso, a participação da dívida líquida e dos acionistas minoritários saltou de 18,2% para 34,8%. Ou seja: embora o EV total das empresas da B3 tenha se mantido estável desde 2021, em torno de R$ 3,5 trilhões, há uma mudança notável na sua composição interna.

Se, em 2019, o mercado precificava as companhias predominantemente pelo seu valor em ações, em 2025, o retrato inclui uma dose muito maior de alavancagem financeira e aportes de minoritários.

São números que escancaram uma transformação estrutural no perfil financeiro das empresas brasileiras, com implicações que vão muito além dos números.

Sintomas e causas

A redução na representatividade do valor de mercado na composição do EV não é um movimento isolado. Ao contrário, ele reflete uma série de fatores interligados, sobretudo três:

  1. Desvalorização das ações, consequência da baixa confiança dos investidores frente às incertezas econômicas e aos desafios operacionais que penalizam cotações na B3;
  2. Crescimento da dívida líquida, à medida que as empresas recorrem ao financiamento externo para sustentar suas operações, elevando o risco financeiro;
  3. Cenário macroeconômico adverso, marcado por juros altos e crescimento econômico anêmico, o que pressiona margens e valuations.

Esse conjunto de fatores contribui para que as empresas brasileiras fiquem menos atrativas. Quanto maior o peso da dívida no EV, maior é a percepção de risco por parte dos investidores, o que afasta capitais que priorizam solidez financeira.

Avaliar os riscos

A recente mudança na composição do EV total ilumina alguns caminhos. Empresas mais alavancadas tendem a sofrer em cenários de juros elevados, enquanto companhias que mantêm um equilíbrio saudável entre dívida e capital próprio tendem a se destacar como apostas melhores de longo prazo.

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Num mercado competitivo e desafiador como o brasileiro, saber diferenciar esses perfis pode ser o fator decisivo entre estagnação e crescimento sustentável.

A dependência crescente de dívida exige que as companhias olhem com atenção para suas estruturas de capital. Um equilíbrio saudável não apenas reduz riscos para as próprias empresas, como também contribui para uma sinalização, ou uma “narrativa”, de crescimento sustentável – algo que os investidores buscam cada vez mais.

Lição de casa

O Enterprise Value não reflete só o presente, mas também projeta o futuro – melhor dizendo, o que nós precisamos fazer no presente para garantir que esse futuro seja próspero.

No caso das empresas da B3, é imprescindível recuperar o protagonismo do valor de mercado na composição do EV, o que depende fundamentalmente de dois fatores: a retomada da confiança dos investidores e uma maior previsibilidade no ambiente econômico.

Essa é a “lição de casa” do país para melhorar a situação do seu mercado de capitais com o Enterprise Value.

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