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Colunista

Como a desvalorização do dólar no 1º tri deve melhorar resultados de empresas brasileiras

O ganho financeiro é equivalente a 68% do lucro EBIT

Dólar
(Imagem: jetcityimage em Adobe Stock)
Dólar (Imagem: jetcityimage em Adobe Stock)

A variação cambial é de extrema relevância para empresas com dívida em dólar. A queda da paridade da moeda americana frente ao real impacta diretamente os resultados dessas companhias, gerando efeitos positivos ou adversos a depender da estrutura financeira e da política de hedge adotadas.

O dólar caiu consideravelmente no primeiro trimestre deste ano. Com isso, empresas nacionais endividadas na moeda norte-americana experimentam um alívio financeiro, uma vez que o montante devido, quando convertido para a moeda local, diminuiu.

Isso tem reflexos positivos na linha de despesas financeiras do demonstrativo de resultado, reduzindo encargos financeiros e melhorando o lucro líquido. É o que indica o levantamento a seguir da Elos Ayta.

O estudo também leva em conta empresas que informaram sua dívida em moeda estrangeira de curto prazo [C] e longo prazo [D] dentro do plano padrão de contas definido pela CVM – as letras entre colchetes identificam as linhas da tabela às quais estamos nos referindo. Isso nos levou a uma amostra de 95 empresas de capital aberto com dívida tomada em moeda estrangeira.

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Ficaram de fora 151 empresas cujas dívidas são apenas em real. Outras 59 também foram desconsideradas por não terem divulgado dados referentes ao primeiro trimestre de 2025 – alguns exemplos são Petrobras, Vale, CSN, Marfrig, Neoenergia e Raízen.

Impacto nos resultados

No fim de 2024, essas 95 companhias possuíam uma dívida total bruta de R$ 925,9 bilhões, sendo que 43,1% desse montante (R$ 399,5 bi) era denominado em moeda estrangeira. Ao longo do primeiro trimestre deste ano, o dólar teve desvalorização de 7,27%, a maior registrada desde o primeiro trimestre de 2022, quando a moeda norte-americana recuou 15,1% (nossa referência aqui é o Dólar Ptax).

Com isso, a dívida em moeda estrangeira caiu para R$ 370,4 bilhões, resultando em um ganho financeiro de R$ 29,0 bilhões. A título de comparação, esse ganho representa mais de 68% do lucro EBIT registrado no quarto trimestre de 2024, que foi de R$ 42,2 bi.

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Além disso, as empresas analisadas possuíam um caixa total de R$ 300,0 bilhões, o que representa 75,11% da dívida em moeda estrangeira e 4,12 vezes o volume de dívidas de curto prazo. Esses indicadores confirmam que a liquidez dessas companhias foi bastante reforçada pela valorização do real frente ao dólar.

Cuidados e riscos associados

Os benefícios dessa redução relativa do montante de dívida são evidentes: redução da alavancagem das empresas, juros e amortizações mais baratos, melhoria de indicadores como dívida líquida/Ebitda e ampliação da capacidade de investimento, já que há mais dinheiro “sobrando”.

Mas é preciso tomar precauções. Empresas exportadoras que recebem receitas em dólar, por exemplo, podem sofrer impacto negativo na receita, reduzindo a margem operacional.

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Além disso, movimentos bruscos na taxa cambial, ainda que momentaneamente benéficos, são sempre fonte de incertezas. Muita variação cambial também impacta o cálculo de impostos, exigindo uma gestão fiscal eficiente desses efeitos contábeis e tributários para evitar surpresas no fluxo de caixa.

Por tudo isso, uma política sólida de hedge e uma estrutura de capital bem planejada são essenciais para que uma empresa possa aproveitar os benefícios da recente valorização do real sem, por outro lado, ignorar eventuais impactos negativos advindos desse movimento cambial.

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