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Colunista

Um clique, nossas vidas e as telas: como a tecnologia nos afeta?

Usar a tecnologia de forma correta no aprendizado pode trazer ganhos para toda sociedade

Por Evandro Mello

15/02/2025 | 7:15 Atualização: 14/02/2025 | 20:07

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Uso dos celulares nas escolas (Foto: Adobe Stock)
Uso dos celulares nas escolas (Foto: Adobe Stock)

Na última semana, tivemos o retorno às aulas e um dos assuntos mais falados foi sobre o uso do celular nas escolas. Ou melhor dizendo, sobre o não uso do aparelho em salas de aula de escolas de todo o país. Desta vez, o assunto do momento não foi o caderno da moda, canetas coloridas ou a mochila que seria usada para levar o material escolar e é exatamente essa mudança de comportamento que preocupa pais e professores em relação a como esses adolescentes e jovens tem usado as tecnologias.

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Você que está lendo esse texto e talvez esteja usando o celular, tablet, computador, notebook e com certeza está usando uma tela. Não nos damos conta de que o tempo todo estamos fazendo isso, estando conectados com as telas que nos tiram do mundo físico e nos levam para o digital e que é onde tudo pode acontecer e parece ser simples como em um clique.

Em algum momento da sua vida já deve ter ouvido alguém falar que fazer tudo pela internet é mais rápido, barato e economiza tempo e tudo em um clique. Sim, um clique nas suas mãos. Vivemos um momento em que tudo parece simples e acessível a todos e da mesma forma e essa com certeza é uma das frases que não saem da minha cabeça quando começou o avanço da tecnologia com inundações de telas para todos os lados. Muitos especialistas e desenvolvedores disseram que a tecnologia chegava para democratizar o acesso e a forma como passaríamos a consumir e olhar o esse novo mundo. De fato, os avanços tecnológicos revolucionaram a maneira como compramos, ouvimos músicas e até mesmo como nos relacionamos e esse é o ponto que quero conversar com vocês.

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A Multiplicando Sonhos é uma instituição social sem fins lucrativos que tem como objetivo principal disseminar os conhecimentos de educação financeira para que jovens tenham acesso de qualidade aos conhecimentos de finanças pessoais e que assim possam realizar melhores escolhas. Fiz questão de afirmar isso e como isso impacta o que levamos para dentro da sala de aula e a resposta seria que impacta em tudo, mas vou aqui listar alguns pontos com vocês.

Influência e influencers

Ao chegar na sala de aula das escolas públicas para falar de educação financeira, uma das primeiras coisas que ouvimos é que um “influencer” disse que fazer determinado investimento fará com que você dobre o seu dinheiro. Nesse momento faço cara de interessado no assunto e ao mesmo tempo assustado por dentro. Conseguem compreender um dos primeiros problemas? Primeiro precisamos desensinar a informada errada e explicar por que está errado e, depois disso, apresentar conceitos para que eles possam se autoconhecer e entender o que fará sentido para suas vidas e, ao final de tudo isso, começar a passar a informação correta de educação financeira e finanças pessoais.

Aqui temos o problema de influenciar sobre determinados assuntos e a questão dos maus influencers que acabam contribuindo negativamente para os bons, que levam conteúdo sério e de qualidade na internet, influenciem positivamente.

Acessível e rápido

A internet passa em determinado nível uma ideia de que tudo é acessível a todos e de forma simples. Ou seja, levante cedo, corra 5 km, tome vitaminas, medite, poupe e trabalhe e no final de x anos terá uma riqueza acumulada. Fala sério, né! Mas é isso que vemos na internet, pessoas vendendo uma vida que não possuem para pessoas que não conhecem e assim constroem uma vida de aparências falando que tudo isso é acessível e simples.

Vou comprar um tênis de R$ 1000,00 porque quero fazer parte do grupo e mostrar que eu também posso ter. Já ouvi essa frase algumas vezes nas escolas e sempre convido os alunos para que façam uma reflexão sobre o porquê e como estão consumindo, para que eles mesmos façam o exercício de analisar as escolhas, sejam elas por influência ou por necessidade. Vejamos um exemplo que aconteceu:

Estávamos em uma sala de aula e começamos a falar sobre consumo e um dos alunos mencionou que determinada marcar de tênis estava patrocinando um jogador, e que possivelmente algumas pessoas da turma tinham comprado o tênis por esse motivo e não pela funcionalidade. Ou seja, o tênis que custou mil reais tem a mesma finalidade do tênis de trezentos, mas que os colegas compraram para que pudessem pertencer ao grupo. No final, o aluno preferiu comprar 3 pares e ter mais opções e não um único par de tênis, pelo mesmo valor.

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Aqui podemos observar o quão importante é se autoconhecer e saber quais são seus objetivos. O principal é ser o protagonista das próprias escolhas, e principalmente, as financeiras.

Culpa

Acredito que vocês já tenham assistido Os Simpsons, e para quem é fã do desenho animado sabe que uma das frases mais famosas do Homer é “a culpa é minha e eu coloco em quem eu quiser”. As vezes fazemos isso, buscamos um culpado para nossas escolhas financeiras e justificamos que consumir além do que se ganha é culpa da inflação, juros, economia, salário baixo e outros. Não estou aqui falando que isso não influencia, e sim com objetivo de refletir com vocês que precisamos conhecer nossa realidade financeira e como organizar nossas finanças para que possamos fazer mais conscientes – afinal a culpa é sua e você colocar em quem você quiser, mesmo em você, claro! Brincadeira rsrsrs.

Mas por que comecei falando da proibição do celular em sala de aula e terminamos falando de culpa? Então ambas estão relacionadas ao tempo? Seja o tempo que se passa na tela do celular ou a culpa de não ter mais tempo fazendo o que de fato quer porque está preso nas telas, ao invés de dar atenção às pessoas que às vezes estão ao seu lado, no mesmo espaço físico?

Proibir o celular em sala de aula é uma medida importante e necessária para que os alunos, de fato, possam se concentrar no seu processo de aprendizagem e desenvolva habilidades de relacionamento e convivência no mundo real, exercendo a capacidade de conversar e ter empatia com o colega que está ao seu lado. Entendo que antes da proibição geral do uso dos celulares nas escolas, uma campanha de conscientização poderia ter sido feita para que os próprios alunos pudessem entender os benefícios do não uso durante as aulas e como o aparelho poderia prejudicar o seu aprendizado, trazendo os alunos como aliados dessa ação.

Nas escolas públicas, em especial, temos realidades diferentes de jovens que usam o aparelho como ferramenta de trabalho para renda extra e em especial, no período noturno, temos alunos que ficam o dia fora de casa trabalhando e precisam se comunicar para saber se terão trabalho no dia seguindo. Reforço aqui que sou a favor da proibição do celular em sala de aula, mas que medidas para conscientizar os alunos e pais são importantes para que a escola possa trabalhar em conjunto com a sociedade civil.

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A tecnologia e o aparelho celular são facilitadores e usá-los de forma correta no aprendizado podem trazer ganhos para toda sociedade.

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