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Colunista

“Anos de cachorro”: como eventos de 2023 aceleraram o mercado cripto

É como se cada ano fosse equivalente a sete anos no mundo das finanças tradicionais

Confira qual criptomoedas os brasileiros negociam mais do que Bitcoin. (Foto: Envato Elements)
Confira qual criptomoedas os brasileiros negociam mais do que Bitcoin. (Foto: Envato Elements)

No mundo cripto, é comum usarmos a expressão “anos de cachorro” para descrever o ritmo acelerado dos acontecimentos. É como se cada ano fosse equivalente a sete anos no mundo das finanças tradicionais. E ao olharmos para os primeiros seis meses de 2023, podemos afirmar que essa comparação faz sentido, pois foi um período repleto de eventos e desenvolvimentos que parecem ter ocorrido em um tempo acelerado, trazendo mudanças e impactos significativos para o mercado cripto.

Um dos destaques foi a notável alta do bitcoin, superando os 60% de valorização nesse período e garantindo o título de “melhor investimento de 2023“, ao menos até agora. Essa valorização pode ser atribuída a vários fatores, incluindo a recuperação do mercado após a queda da FTX em novembro de 2022.

Outra contribuição positiva ficou com a expectativa em torno da aprovação de um ETF (fundo que busca retorno semelhante a um índice de referência) pela SEC, órgão norte-americano equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) brasileira, especialmente após o pedido feito pela Blackrock no mês de junho.

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No entanto, nem tudo significou ganhos no cenário cripto. O colapso do Silicon Valley Bank (SVB) também marcou os primeiros meses do ano. Esse evento gerou incertezas e impactou o mercado, ainda que com vetores em ambos os sentidos. Se por um lado trouxe à tona vulnerabilidades da USDC, uma das principais stablecoins do mercado, que chegou a ver seu valor ficar abaixo dos R$ 0,90, por outro nos lembrou que o bitcoin pode servir como um sistema alternativo ao financeiro tradicional.

A tese de “quanto pior, melhor” renasceu e trouxe novo impulso aos criptoativos.

Binance e Coinbase

O mercado cripto também enfrentou desafios regulatórios, com a SEC movendo processos contra importantes exchanges, como a Binance e a Coinbase, bem como a investigação do Departamento de Justiça (DoJ) sobre a primeira. Se por um lado isso mostra uma certa aversão ao mundo cripto nos Estados Unidos, por outro esses acontecimentos ressaltam a necessidade de um ambiente regulatório mais claro e seguro para toda a indústria.

No campo do ethereum, as atualizações Shanghai e Capella foram marcos importantes. Elas permitiram o saque dos ETH depositados em staking (forma de remuneração para investidores que fornecem suas criptomoedas para ajudar a validar transações em uma rede blockchain), o que aumentou a atratividade dessa funcionalidade e fortaleceu o ecossistema do ethereum. A ideia de que essa é uma blockchain viva, que consegue se organizar globalmente para entregar novas funcionalidades, é um marco relevante.

No contexto brasileiro, o Banco Central (BC) assumiu o papel de regulador do mercado cripto, indicado por um decreto do Poder Executivo. O avanço do projeto piloto do real digital, com a participação de 16 consórcios e quase 60 empresas, mostra o comprometimento do Brasil em explorar as possibilidades das moedas digitais e da tecnologia blockchain.

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A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também emitiu os Ofícios Circulares 4 e 6, abordando a tokenização e demonstrando o interesse em regulamentar esse segmento. Essas iniciativas reforçam a importância do diálogo entre os órgãos reguladores e as empresas do mercado para o desenvolvimento sustentável e seguro do setor.

Por fim, a Comissão Parlametar de Inquérito (CPI) das Pirâmides Financeiras trouxe à tona a necessidade de combater práticas ilegais e desonestas no mercado cripto, ao mesmo tempo em que sinaliza que proporcionará uma oportunidade para os players legítimos demonstrarem a seriedade e a transparência de suas atividades.

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