

Nos últimos meses, o governo federal, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem adotado uma série de medidas para ampliar o poder de compra da população, como o novo saque-aniversário do FGTS – entenda mais aqui. A intenção por trás dessas políticas para mim é clara, aumentar a sua popularidade, porém essas ações podem intensificar a pressão inflacionária no Brasil.
Ao injetar mais dinheiro na economia, o governo pode estar, sem querer, jogando gasolina no fogo da inflação, o que pode prejudicar ainda mais o controle dos gastos públicos e afetar a estabilidade econômica do país.
Uma das medidas mais discutidas é a recente assinatura de uma medida provisória (MP) pelo presidente Lula, que libera o acesso ao saldo do FGTS para trabalhadores que foram demitidos entre janeiro de 2020 e a data da publicação da MP, mas que estavam impedidos de sacar o recurso por terem aderido ao saque-aniversário; e essa medida beneficiaria cerca de 12,1 milhões de pessoas e disponibilizará R$ 12 bilhões para os trabalhadores.
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Mas o que acontece de fato é que a liberação de uma quantia tão significativa de recursos pode gerar um aumento no consumo, o que, por sua vez, pode exercer pressão extra sobre a inflação, que já não está fácil de controlar, visto os últimos números do IPCA e a recorrência dos aumentos nos juros por parte do Banco Central com a Selic podendo alcançar até 15% ao fim do ciclo.
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Ao liberar um volume de dinheiro considerável em um momento de alta demanda e oferta restrita de produtos e serviços, o risco é que o aumento de consumo não seja acompanhado por um aumento correspondente na produção, resultando em uma elevação generalizada dos preços.
Outros pontos que intensificam a inflação e trazem risco aos brasileiros
Além do impacto direto do auxílio do FGTS, há outros fatores que podem intensificar a pressão inflacionária nos próximos meses, criando um cenário econômico ainda mais desafiador para o Brasil.
Um desses fatores é o aumento no número de empregos formais. Embora a geração de empregos seja, sem dúvida, um dado positivo, ela pode contribuir para a inflação quando os salários sobem e, consequentemente, há um aumento no consumo.
Se a renda das famílias cresce, mas a oferta de bens e serviços não acompanha essa demanda maior, os preços tendem a subir. Sem uma política fiscal bem ajustada, o aumento dos gastos com benefícios sociais e o crescimento da demanda podem exacerbar ainda mais a pressão sobre a inflação, já que o efeito de liquidez extra contribui para um aumento da inflação.
Outro fator é que o governo também tem ampliado programas sociais como o Auxílio Brasil, que substitui o Bolsa Família, com valores ajustados para garantir uma maior cobertura da população em situação de vulnerabilidade social. Embora esses programas sejam importantes, o aumento de benefícios em um momento de alta da inflação pode ter o efeito contrário ao desejado.
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Ao garantir maior poder de compra para uma grande parcela da população, o governo pode estimular ainda mais o consumo, sem garantir que a produção consiga atender a essa demanda extra. Esse aumento na circulação de dinheiro pode se refletir em uma pressão por mais crédito, que, se não for bem gerida, pode criar um ciclo vicioso de aumento de preços.
A volatilidade do câmbio também pode contribuir significativamente para a piora do cenário. Se o dólar subir, os custos de importação aumentam, o que impacta diretamente os preços de produtos que dependem de insumos importados. Além disso, uma alta do dólar pode afetar a confiança dos investidores no Brasil, resultando em uma fuga de capitais e aumento da pressão sobre o câmbio.
Então embora as intenções do governo sejam voltadas para a recuperação econômica e a própria sobrevivência política, precisamos ter em mente que é essencial que o Brasil busque um equilíbrio entre o auxílio e o controle da inflação. É óbvio que injetar mais dinheiro na economia sem um controle rígido pode resultar em um aumento nos preços, prejudicando os próprios cidadãos que se esperam ajudar.
Para evitar esse efeito colateral, é necessário que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adote uma abordagem mais prudente, que leve em consideração o impacto fiscal e a inflação que qualquer medida pode causar.
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