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OPINIÃO: Você vai pagar a conta do tarifaço, mesmo sem vender nada para os EUA

Tarifa de Trump atinge produtos brasileiros, mas quem vai sentir no bolso é o brasileiro comum. Dólar sobe, inflação volta a rondar e o juro deve continuar alto. E a Bolsa? Essa pode travar de vez

Por Fabrizio Gueratto

24/07/2025 | 16:49 Atualização: 24/07/2025 | 16:49

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Donald Trump
(Foto: Adobe Stock)
Donald Trump (Foto: Adobe Stock)

Quando o investidor brasileiro achou que podia respirar, Trump resolveu jogar mais lenha na fogueira. A partir de 1º de agosto, os Estados Unidos voltam a tributar produtos brasileiros com uma tarifa de até 50%. O alvo, em teoria, seriam os exportadores.

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Mas a prática é outra: quem vai pagar essa conta é você, mesmo que nunca tenha exportado uma caixa de fósforo pros Estados Unidos. É a cadeia que dói. O dólar sobe. O custo de insumos dispara. A inflação volta a pressionar. O Banco Central se vê obrigado a manter os juros altos. E tudo isso sem que você tenha participado do jogo.

A lógica é simples: se exportar ficou mais caro, o Brasil perde competitividade. O dólar se valoriza para tentar compensar o prejuízo. Só que isso encarece os produtos importados e, por tabela, tudo o que depende deles, do remédio ao pãozinho.

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O ciclo se completa com juros travados e Bolsa sangrando por falta de liquidez. E antes que alguém pense que o efeito vai demorar, já tem empresário dizendo que não dá mais tempo de embarcar produtos que escapariam da tarifa. O transporte por navio leva entre 14 e 18 dias. Ou seja: o tarifaço já pegou. A única certeza agora é que o investidor brasileiro vai ter que se replanejar.

O curioso é que, mesmo sendo um movimento puramente político, de olho na eleição americana, o tarifaço respinga na política brasileira. A postura agressiva dos EUA pode até gerar um respiro momentâneo para o governo Lula, já que parte da opinião pública volta a se incomodar com a figura de Trump. Mas esse fôlego é frágil.

A economia brasileira continua sem âncora fiscal, o Congresso em rota de colisão com o Executivo, e agora ainda temos um novo ingrediente externo azedando o caldo. Pra onde o investidor corre nesse cenário? Renda fixa. E com força.

O ciclo de cortes da Selic já estava desacelerando, e agora deve ficar ainda mais cauteloso. Enquanto isso, títulos públicos, CDBs e fundos de crédito privado seguem entregando taxas atrativas, com risco controlado e previsibilidade. É hora de travar bons retornos antes que o cenário piore de vez.

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Já a renda variável, que começava a dar sinais de recuperação, pode ficar em stand-by. A Bolsa precisa de confiança e fluxo estrangeiro. E nenhum dos dois deve aparecer enquanto o mundo entra em modo “aversão ao risco”. O investidor americano vai preferir ficar por lá, comprando títulos do Tesouro. O estrangeiro tira o pé do Brasil. E o pequeno investidor local, que estava começando a esticar as asas, vai ter que guardar o paraquedas por mais algum tempo.

Portanto, anote aí: mesmo que você nunca tenha feito um dólar com os EUA, vai pagar a conta do tarifaço. E o mercado já sabe disso. Resta ao investidor inteligente proteger o patrimônio enquanto ainda dá tempo. No Brasil de hoje, a passividade custa caro. E a reação precisa ser rápida.

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