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É seguro investir via SCP com rentabilidade de até 25% ao ano?

Sem a estrutura correta, o investidor pode responder por dívidas da operação. Entenda o papel da Sociedade em Conta de Participação

Por Fabrizio Gueratto

02/04/2026 | 14:05 Atualização: 02/04/2026 | 14:05

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O brasileiro começa a investir em startups, Mas ignora a estrutura jurídica correta para esse investimento. (Imagem: Adobe Stock)
O brasileiro começa a investir em startups, Mas ignora a estrutura jurídica correta para esse investimento. (Imagem: Adobe Stock)

O brasileiro que começa a investir em startups olha para crescimento, inovação e potencial de retorno. Vê empresas capazes de multiplicar capital e acredita que a incerteza está apenas no sucesso ou fracasso do negócio. Mas ignora o ponto mais importante: utilizar a estrutura jurídica correta para esse investimento. É aí que mora o perigo.

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Porque sem a estrutura adequada, o risco existe. Quando o investidor entra direto, sem proteção, não assume apenas a exposição da operação. Assume também um risco invisível, que, em casos extremos, pode inclusive ultrapassar o valor investido e atingir seu patrimônio pessoal.

A dúvida que paralisa quase todo investidor é sempre a mesma: “se der problema, podem cobrar de mim?”. A resposta depende de uma única variável: a forma como você investiu. Sem estrutura, o investidor pode ser arrastado para passivos trabalhistas, tributários ou financeiros da operação. Com a estrutura jurídica correta, esse risco simplesmente deixa de existir. Não é sobre sorte. É sobre planejamento e proteção.

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É exatamente nesse ponto que entra a Sociedade em Conta de Participação. Não como burocracia, mas como proteção. A SCP não é um detalhe jurídico, é um instituto robusto que separa aquele que tem exposição ao negócio executado daquele que apenas deseja participar dos resultados.

Na prática, ela organiza o jogo de forma objetiva: quem opera responde, quem investe apenas participa do resultado. O sócio ostensivo assume a frente, aparece, negocia e responde por todas as obrigações. Já o sócio participante entra com capital, não se expõe e não responde perante terceiros. Sua responsabilidade tem limite, e esse limite é o valor investido.

Essa separação não é uma construção criativa. Está prevista na lei e reforçada pelos tribunais. O Código Civil estabelece que o sócio participante não se relaciona com o mercado e, por isso, não pode ser responsabilizado por dívidas da operação. O entendimento é: quem aparece paga, quem não aparece preserva. E quando isso não é respeitado, o problema não está na lei. Está na forma como o investimento foi estruturado.

O mercado já entendeu isso há muito tempo. A SCP não é exclusividade de fundos sofisticados. É utilizada por grandes empresas, iniciativas públicas e estruturas de investimento que não aceitam correr risco jurídico desnecessário. Quando capital relevante entra em jogo, proteção deixa de ser opção e passa a ser regra. Nenhum profissional investe exposto.

Além da proteção, existe eficiência

Startups precisam de velocidade. Se cada novo investidor exigisse um contrato apartado ou alteração societária, registro e burocracia, o mercado simplesmente travaria. A SCP resolve isso ao permitir que investidores entrem e saiam conjuntamente por meio de contratos privados, sem interferir na operação principal. É um modelo que acompanha o ritmo do mercado, sem comprometer a segurança.

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Na parte tributária, o impacto também é direto. Sem estrutura, o retorno pode ser corroído por múltiplas camadas de tributação. Com a SCP, a distribuição de resultados segue uma lógica mais eficiente, semelhante à dos dividendos, o que preserva a rentabilidade do investidor. Parece detalhe técnico, mas é o tipo de detalhe que define o resultado final de um investimento.

O erro mais comum não está em investir em startups, mas em fazê-lo sem proteção. É focar apenas no potencial de ganho e ignorar a fragilidade da estrutura por trás da operação. O investidor amador entra pela promessa. O organizado e profissionalizado entra pela estrutura. Porque retorno sem controle de exposição não é investimento. É aposta.

E aqui está o ponto que poucos querem encarar: a exposição assumida não vem apenas do negócio em si, mas da forma como a entrada é feita. Uma parcela foge do controle. A outra depende exclusivamente da estrutura jurídica escolhida. Ignorar isso não elimina o problema. Apenas adia a conta.

Investir na nova economia sempre vai envolver incerteza. Nem toda startup vai dar certo. Mas perder mais do que foi investido não faz parte do jogo. Isso é um erro de estrutura. A Sociedade em Conta de Participação não é um atalho, nem um jeitinho. É o mecanismo que existe justamente para impedir que o investidor pague um preço que não deveria pagar.

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Quem entra sem estrutura está jogando sem proteção e torcendo para dar certo. Pode funcionar por um tempo. Mas quando der errado, não existe negociação com a realidade. Quem estruturou certo limita a perda e continua no jogo. Quem ignorou isso descobre, da pior forma possível, que no mercado não vence quem acerta mais. Vence quem consegue sobreviver aos próprios erros.

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