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Colunista

Não faça do ranking de fundos a sua lista de compras para 2022

Confira três motivos pra você não montar sua seleção a partir do ranking do retorno do ano

Por Luciana Seabra

15/12/2021 | 7:45 Atualização: 15/12/2021 | 7:45

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Bons gestores são os que têm retornos consistentes por períodos longos. Foto: Shutterstock/solarseven
Bons gestores são os que têm retornos consistentes por períodos longos. Foto: Shutterstock/solarseven

Fim de ano é tempo de balanço pra todo mundo, inclusive pros gestores de fundos. Já já começam a pipocar aqui e ali os famosos rankings que destacam os produtos mais rentáveis do ano.

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Se está à espera deles pra montar seu portfólio de fundos, dedico a você minha estreia nesta coluna (visitei o Estadão nos idos dos anos 2000 e fiquei encantada com a redação, com as pessoas, com o ofício… não consigo fingir costume diante do convite para estar aqui).

Pois bem, vou listar abaixo três motivos pra você não montar sua listinha de compras de fundos a partir do ranking do retorno do ano:

A janela é curta

Um ano é um tempo muito reduzido para se concluir qualquer coisa sobre os resultados de um fundo. Bons gestores são os que têm retornos consistentes por períodos longos. O estudo mais adequado de retorno se dá em janelas móveis – avaliar quanto ganharam os cotistas que entraram em qualquer momento da história do fundo e resgataram depois de três ou cinco anos. É com esses horizontes que muitos gestores de multimercados e ações montam suas teses.

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Os fundos que se destacam nesse tipo de análise com frequência ficam no segundo quartil do ranking, e não no primeiro em períodos mais curtos. Isso porque os destaques do ano com frequência são gestores que alavancaram demais, correram risco em excesso ou simplesmente tiveram sorte – fatores que podem ajudar no curto prazo, mas que não necessariamente te levam muito longe.

O quantitativo não basta

Pra avaliar se um fundo é legal, é importante ter em conta também critérios qualitativos, como há quanto tempo a equipe trabalha junta, a filosofia de investimento e seus controles de risco. Acompanhar notícias sobre a gestora, fazer uma pesquisa em seu site e ler suas cartas pode ajudar.

Um caso que me marcou foi o de uma gestora de multimercados que ganhou grande destaque em um ranking por não ter perda relevante em maio de 2017, no evento que ficou conhecido como Joesley Day. À época, muitos gestores estavam otimistas e sofreram perdas relevantes.

O segredo do fundo destaque? A equipe estava saindo pra montar outra gestora e, em respeito aos clientes, achou por bem reduzir o risco do portfólio até que outra equipe assumisse. Ou seja, quem fosse atrás do desempenho brilhante encontraria um fundo acéfalo.

Os mercados são cíclicos

É importante ter em conta que a expertise que funcionou bem no último ano não necessariamente vai funcionar no próximo. Pense bem: um fundo permanentemente alavancado em dólar ou vendido em Bolsa ou especialista em petróleo teve um 2021 incrível, ao menos até aqui.

Nem todos os anos, entretanto, são bons para essas estratégias – ou, pior, como o mercado tende a exagerar para cima e para baixo, é comum que fortes altas sejam seguidas de fortes quedas.

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Cada gestor tem seus pontos fortes e a melhor estratégia é mesclar perfis diferentes em uma carteira. Assim você tende a aproveitar diferentes tendências (em vez de correr atrás do movimento passado).

Ou seja, trate o ranking com curiosidade, entenda os movimentos do ano, mas não se baseie exclusivamente nele para tomar suas decisões de investimento, combinado?

Lembre-se: uma carteira que anda toda pro mesmo lado na alta tende a caminhar junta também para o abismo.

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