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Márcio Kroehn é editor-chefe do E-Investidor. No Grupo Estado também está à frente da coluna Minuto E-Investidor, na rádio Eldorado, e dos projetos de vídeo para o YouTube. Ele está no jornalismo econômico desde 2002, quando ingressou na CardNews Magazine, e desde 2006 na chamada grande mídia, com passagens por Exame, Veja.com e IstoÉ Dinheiro. Foi eleito para compor os Top 50 do Prêmio Os +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças 2016, 17, 18 e 19 iniciativa do Jornalistas&Cia.

Márcio Kroehn

Matemático de Wall Street vai fazer você ganhar dinheiro com criptos

Jay Janér estudou com William Sharpe, bebeu cerveja com Steve Jobs e cuidou da tesouraria da GP Investments. Agora, sócio da gestora KPTL, ele explica por que trocou a aposentadoria para comandar dois fundos

Moedas simbólicas de Bitcoin, Ethereum e outros criptos sobre notas de dólar (Foto: Evanto Elements)
Moedas simbólicas de Bitcoin, Ethereum e outros criptos sobre notas de dólar (Foto: Evanto Elements)
  • Em junho de 2020, estrearam os fundos Fermi (multimercado) e Bohr (criptomoedas), que acumulavam ganhos em dólar de 1,7% e 17,9%, respectivamente, até novembro - no Brasil foram abertos dois fundos espelho em dezembro, com investimento mínimo de R$ 10 mil
  • Conhecida pelo seu histórico bem-sucedido na gestão de fundos de venture capital no Brasil, a KPTL esteve por trás do desenvolvimento e crescimento da Locaweb (LWSA3), empresa que realizou o IPO que gerou a maior valorização entre as novatas em 2020

Jay Janér viveu durante 20 anos na charmosa Via Ápia, uma das principais estradas da antiga Roma. Na Itália, esse matemático e físico formado na Cornell University, em Nova York, dedicou-se quase exclusivamente à sua paixão pela pintura. “Para mim, arte e matemática têm tudo a ver”, diz ele, que nos seus anos de Wall Street (década de 1980) trabalhava no mercado financeiro de dia e pintava à noite, num estúdio montado na sua casa no bairro de Chinatown, um loft que foi sendo modelado conforme a evolução da vida da família – hoje essa antiga fábrica estaria na lista das tendências dos arquitetos.

Mas o carioca Janér, filho de pai sueco e mãe italiana, soube desde que entregou seu Mustang 1967 para um comprador em Manhattan que sua vida não seria como o sonho da viagem de três meses que fez cruzando os Estados Unidos. O dinheiro do Muscle Car foi usado para comprar um computador, que se transformou na sua tela profissional. Por isso, nada mais natural para um matemático do que aproveitar um período da história em que a computação em nuvem e a capacidade de minerar dados alcançam novos estágios de desenvolvimento para voltar ao mercado financeiro. “Em vez de bolar em casa os modelos, por que não fazer em grupo?”, afirma Janér. “Especialmente na área de criptomoedas. Esse é o futuro.”

Foi dessa maneira simples, como se 1 mais 1 fosse 2, que Janér aceitou o convite de Renato Ramalho, CEO da KPTL, para lançar dois fundos de investimento quantitativos no exterior. Em junho de 2020, estrearam os fundos Fermi (multimercado) e Bohr (criptomoedas), que acumulavam ganhos em dólar de 1,7% e 17,9%, respectivamente, até novembro – no Brasil foram abertos dois fundos espelho em dezembro, com investimento mínimo de R$ 10 mil e carência de 60 dias para o resgate. Eles estão disponíveis nas plataformas de BTG Pactual, Modal Mais, Toro e Vitreo, porém ainda não possuem o histórico mínimo de seis meses para informar o desempenho ao investidor.

Conhecida pelo seu histórico bem-sucedido na gestão de fundos de venture capital no Brasil, a KPTL esteve por trás do desenvolvimento e crescimento da Locaweb (LWSA3), empresa que realizou o IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês) com a maior valorização entre as novatas em 2020. Ao todo, são mais de 90 empresas investidas nos últimos 15 anos, sendo que 47 ainda continuam no portfólio. E um patrimônio gerido superior a R$ 1 bilhão.

Agora, a gestora está ampliando o seu leque de produtos. Do lado do investimento direto em empresas, três segmentos passaram a ser prioritários: Agritechs, Heathtechs e Govtechs. A característica de empreender junto às investidas, que sempre foi uma marca da KPTL, continua igual. Além disso, a gestora passa a oferecer os fundos quants multimercado e em criptomoedas. “Somos especialistas em inovação e tecnologia e agora vamos quebrar novos paradigmas com os produtos”, afirma Ramalho. “O Jay é um especialista em criptos e traz a habilidade dos mercados líquidos, com inovação.”

A modelagem do fundo de criptomoeda pensada por Janér tem como base o comportamento humano. Ao contrário das ações ou dos juros, que são diretamente influenciadas pela informação, por exemplo, as criptos sobem ou descem dependendo da emoção de quem está operando, afinal, não se conhece o “valor real” daquele ativo. Com isso, o uso intensivo de tecnologia com machine learning, matemática avançada, tratamento de dados etc possibilita ao gestor fazer arbitragem entre mercados, entre criptos ou qualquer outra estratégia que não seja a direcional para ganhar dinheiro – o fundo Bohr analisa as 30 criptomoedas mais líquidas. “Estamos em um novo mercado, que está em evolução diária. O blockchain vai mudar muitos outros mercados tradicionais”, diz Janér. “Eu não sei se o Bitcoin vai para US$ 100 mil e nem me interessa. Aliás, há várias outras criptos, o que permite fazer arbitragem entre elas.”

O outro fundo quantitativo da KPTL, o multimercado Fermi, opera em 60 mercados globais influenciado pelas decisões macroeconômicas e dos resultados das empresas, por isso a modelagem leva em conta as informações que influenciam os ativos, como ações, commodities, juros e moedas. Mas, claro, com muita inteligência artificial por trás. “Os fundos são descorrelacionados dos tradicionais, como renda fixa ou ações, e de outros gestores”, diz Danilo Zelinski, head os sales da KPTL. “Eles foram construídos para agregar valor e gerar alfa com sharpe de 2 e volatilidade de 10%.”

Para os que não estão familiarizados com essa linguagem de mercado, gerar alfa é quando um fundo de investimento superou a expectativa de rendimento prevista. Porém, qual foi a estratégia que o gestor precisou adotar em comparação a uma aplicação livre de risco? É esse resultado que o Índice de Sharpe vai mostrar ao lado da oscilação no período. O economista William Sharpe, que dá nome ao indicador, venceu o Prêmio Nobel de ciências econômicas por desenvolver modelos para auxiliar a tomada de decisão de investimentos.

Jay Janér, sócio da gestora KPTL (Foto: Divulgação)
Jay Janér, sócio da gestora KPTL (Foto: Divulgação)

Jay Janér assistiu às aulas de Sharpe no MBA que concluiu em Stanford. Eram tempos em que o carioca dividia a “mesa de bar” com Steve Jobs, o fundador da Apple. Janér viveu 13 anos em Wall Street e foi um dos responsáveis pela consolidação da tecnologia na bolsa de valores americana. Nos anos 1990, ajudou o Morgan Stanley a ingressar no Brasil, no que seria a primeira filial fora dos Estados Unidos. Saiu do Morgan após um convite de Jorge Paulo Lemann para assumir a tesouraria da GP Investments, a gestora de private equity fundada por Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles. Ao sair da GP, em 1999, Janér embarcou para Roma, o refúgio que ele encontrou para aperfeiçoar a sua veia artística. Agora na KPTL, vai levar a precisão de traços e cores para combinações numéricas.

 

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