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Colunista

Investidores: abram a carteira dos fundos que vocês investem

O investidor não deve olhar apenas para as métricas de retorno histórico

Por Rafael Paschoarelli

18/02/2022 | 8:30 Atualização: 18/02/2022 | 17:28

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O investidor deveria ser capaz de compreender a filosofia do gestor para saber o que ele faria ou não faria em certas circunstâncias.(Fonte: Shutterstock/NicoElNino/Reprodução)
O investidor deveria ser capaz de compreender a filosofia do gestor para saber o que ele faria ou não faria em certas circunstâncias.(Fonte: Shutterstock/NicoElNino/Reprodução)

A menos que você acredite que investir em fundo significa passar um cheque em branco para o gestor, você deveria periodicamente olhar a carteira dos fundos que investe.

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Mas, por qual motivo um investidor deveria saber o que tem dentro do fundo? Não seria suficiente apenas verificar o retorno nos últimos 12 meses, 24 meses ou desde o início? Ou, se o investidor for um pouco mais sofisticado, não seria suficiente verificar se o retorno ajustado ao risco está compensando?

A resposta é que verificar o retorno em várias janelas móveis ou índices de retorno ajustados ao risco não são suficientes para capturar certas nuances do fundo que vão fazer muita diferença no seu bolso, especificamente em cenários de stress.

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Fundos com histórico tranquilo de rentabilidade (isto é, baixa volatilidade) podem esconder bombas-relógio que o investidor apenas descobrirá quando elas explodirem.
Adicionalmente, o investidor deveria ser capaz de compreender a filosofia do gestor para saber o que ele faria ou não faria em certas circunstâncias.

Exemplo em Renda Fixa

Veja, por exemplo, o caso de fundos que carregam crédito privado high yield na sua carteira. Em um primeiro momento, o investidor médio ficaria “feliz” em saber que o fundo que investe possui ativos de crédito classificados como high yield.

Ocorre que chamar um título de high yield é um eufemismo para dizer que o papel carrega maior risco. Deste modo, um fundo de renda fixa recheado com papéis high yield provavelmente apresenta um retorno maior que o do fundo que carrega ativos mais seguros, os denominados high grade.

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Agora tente imaginar quando o investidor “desatento” perceberá que o fundo com os papéis mais arriscados é … mais arriscado? Acertou quem respondeu que o investidor deste tipo de fundo perceberá isso quando algum ativo arriscado da carteira do fundo sofrer um evento de crédito, como um calote. O evento de default (calote) é muito mais provável quando o título é high yield. Mas, o investidor “desatento” apenas prestou atenção no histórico de retorno mais alto do fundo e não como este retorno extra era obtido.

Justamente por isso, o investidor deveria analisar com certa frequência a composição da carteira do fundo que investe.

O investidor que apenas olha métricas de retorno histórico não faz a menor ideia de como aquele retorno extra foi conseguido. Será que este retorno extra foi obtido pela habilidade do gestor ou, pura e simplesmente, por que a carteira tinha títulos muito arriscados que felizmente não entraram em default?

O leitor poderia argumentar que mesmo abrindo a carteira do fundo, ele não seria capaz de diferenciar ativos high grade dos high yield. Pois bem, os dados de rating das empresas e emissões são facilmente obtidos nos sites das empresas de rating. Sim, dá trabalho. Mas, há de se pagar um preço para se certificar se o seu dinheiro está sendo investido de forma que reflita suas expectativas. Os investidores ultra-ricos pagam suas próprias equipes para verificar se o que o gestor do fundo promete ele cumpre em termos de política de investimento.

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Exemplo em Renda Variável

Outro exemplo emblemático agora considerando fundos de ações é o de gestores que montam posições muito grandes esperando que certo evento se concretize. É quase que um all in que o gestor faz com o dinheiro dos cotistas. Se der certo, todo muito sai feliz e com muito dinheiro. Se der errado, o cotista ficará bem chateado.

A pergunta que o investidor deve fazer é: “Será que o gestor do fundo que invisto faria uma operação assim?”

Um exemplo bem interessante é o caso da Oi. No início de 2022 o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) proferiu decisão sobre a venda da rede móvel da Oi para seus concorrentes, algo que geraria muitos bilhões de reais de receita para a companhia.

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Muitos gestores montaram posições relevantes esperando o desfecho da decisão do Cade. O fato de o gestor montar uma posição desta natureza não tem problema do tipo legal ou conceitual. A pergunta que o investidor deve se fazer é se é este o tipo de gestão que ele deseja para seu dinheiro.

A importância de se abrir a carteira dos fundos é tão relevante que grandes investidores institucionais em fundos exigem dos gestores dos fundos investidos receber a composição da carteira diariamente!

Por fim, ainda que você não seja um grande investidor, sugiro nunca perder a oportunidade de verificar como as salsichas são feitas. Isto é, não percam a oportunidade de verificar a composição das carteiras dos fundos que você aloca seu suado dinheiro.

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