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Onde está o tão esperado rali de Natal na Bolsa? Se é que ele virá mesmo…

Esse ano o rally está demorando mais para acontecer e o receio do mercado com o fiscal pode ser um dos motivos

Por Vitor Miziara

29/10/2024 | 8:35 Atualização: 29/10/2024 | 8:36

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Rally de Natal na Bolsa de Valores (Foto: Adobe Stock)
Rally de Natal na Bolsa de Valores (Foto: Adobe Stock)

Dois meses para o Natal e aquela expectativa dos investidores sobre um rali de Natal já começa a aparecer nas conversas de mercado. Tem fundamento? Não! Mas vou te explicar o que acontece quase todo ano e por que os investidores se animam e são, ao mesmo tempo, a causa e efeito para que esse movimento ocorra.

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Nós, eu e você, sabemos como funcionam os mercados, mas nem todo mundo acompanha a economia e variação dos ativos quase que semanalmente. Nesse grupo está boa parte dos investidores de fundos de investimentos que deixam para olhar suas cotas a cada semestre, a cada fechamento de ano. Sabe quando a gente abre aquela lâmina do produto e tem lá “Ano de 2023”? Quanto mais bonito for esse número, mais fácil para os fundos (gestoras) captarem dinheiro novo no mercado ou até mesmo manter o patrimônio ainda alocado sem sofrer com resgates quando os investidores tiram tempo para rebalancear e olhar seus investimentos.

  • Leia mais: Veja quais são os melhores investimentos conservadores com a disparada dos juros

Se coloque agora no lado do gestor de um fundo, sabendo que o ano está acabando. Por que não comprar um pouco mais daquela ação que já tenho, a fim de fazer o preço subir um pouco e eu aparecer melhor na foto de fim de ano? Basicamente é encolher a barriga antes de uma foto para parecer mais magro. Agora imagine todos os gestores, a indústria inteira fazendo esse movimento para melhorar seus números…pronto, temos o motivo número um.

O motivo número dois tem mais a ver com psicologia do que movimentos claros de mercado. Se todos os investidores estão aguardando um rali de Natal, uma alta nas ações no fim do ano e resolvem comprar um pouco para aproveitar esse movimento, a própria expectativa pelo movimento é motivo para a alta do mercado. Alguns compram, as ações sobem, outros olham e acham que o rally de natal vai acontecer e compram pra aproveitar ai o índice sobe mais e ai outros olham…e por aí vai.

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Esse ano talvez o rali esteja demorando um pouco mais para acontecer por causa do receio do mercado com o fiscal mas na minha opinião tanto a retirada de dinheiro por parte dos investidores estrangeiros quanto o custo de oportunidade são os maiores fatores pra esse atraso.

Somente em outubro (até data de 25/10) os investidores estrangeiros já retiraram mais de R$ 3 bilhões da nossa bolsa. Entre os motivos podemos colocar a expectativa de mais alta nas ações americanas, o próprio tesouro americano que está pagando taxas altíssimas ou até mesmo um rebalanceamento em ativos emergentes. No ano esse acumulado está em R$ 32bilhões ou seja, é muito dinheiro que saiu e que não deve voltar até fim do ano para ajudar em uma alta no mercado.

  • As 10 ações que mais pagam dividendos este ano

Em relação ao custo de oportunidade, os juros no Brasil estão subindo e por isso a conta para o investidor fica mais cara de tirar o dinheiro da renda fixa para arriscar e se posicionar esperando um rali de natal. “E se ele não vier?” ou pior “e se o mercado cair?”. Essas são as perguntas que o investidor faz antes de migrar mais capital para a bolsa, pois deixará de ganhar quase 1% na renda fixa, garantido, para buscar um movimento totalmente especulativo e em meio à um cenário não tão favorável com juros e inflação subindo e uma preocupação crescente em relação ao fiscal.

Se o Ibovespa de fato engatar um movimento de alta e buscar a máxima do ano, há um upside de 131 mil para 137 mil pontos, uma alta de 4,5% em dois meses, um retorno de pouco mais que o dobro da renda fixa no mesmo período.

A questão é, vale o risco? Talvez seja essa a pergunta que a maioria dos investidores estejam se fazendo e por isso, voltando no psicológico, sem ninguém chegar na resposta para comprar, de fato não subirá.

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