E os investimentos financeiros são também muito afetados. O chamado fly to quality, que sempre acompanha os aumentos abruptos de volatilidade, tende a prejudicar os países emergentes, já que o dinheiro flui para os países centrais, e também empresas voltadas para o consumo.
Mas há mais: as empresas de tecnologia, em particular as que não estão associadas ao complexo bélico, são prejudicadas. Até indiretamente via juros. E, claro, as associadas ao consumo, são fortemente afetadas pela alta de juros.
Isso já está claro nos mercados globais. Nestes primeiros dias de guerra os índices norte americanos apresentaram quedas variando de 1.5% para o S&P 500 até 4,5% no Nasdaq, concentrado em tecnologia. Na Europa as quedas também são grandes, com 3% em Londres, quase 7% na Bélgica e 5.5% no EuroStock 50. O Ibovespa perdeu 4%, até pouco frente aos 8% da Argentina e 7% do Chile.
Renda fixa cai menos, mas cai. Em geral os indicadores de variação de preços de Corporate Bonds apresentam queda em torno de 0.5%. Alta para um porto seguro.
No meio dessas quedas, há quem ganhe. Empresas de energia e de defesa são bons exemplos.
O que você deve fazer agora
O que o investidor deve fazer? Em primeiro lugar não tomar decisões emocionais. Lembre que crises e guerras passam em algum momento. Mesmo esta, que parece se alastrar com grande velocidade por toda a região, vai passar. O que é fundamental é trabalhar com uma estratégia definida. E aí temos alguns pontos.
- a. Mantenha a maior parte dos seus investimentos, em particular os que estão sofrendo mais. Evite realizar prejuízos.
- b. Se tiver liquidez, procure as barganhas. Haverá muitas. Em particular no mercado de bonds, em que o aumento de juros vai derrubar muitos preços levando Yield to Maturity a níveis elevados. Lembro que, no final de março de 2020, era possível comprar Jaguar LandRover do grupo Tata com Yield de 12% a.a. em euros. Hoje um título dessa mesma empresa com vencimento em 2029 tem Yield to Maturity igual a 5.40% a.a.
- c. Trocas são possíveis. Você pode trocar setores que não apresentam grandes perspectivas para os próximos meses, como consumo, por outros que têm perspectiva melhor, como energia e defesa. Mas sempre com o devido cuidado e lembrando que market timing – a habilidade de comprar e vender no momento certo – é uma habilidade rara no mercado.
E vem a pergunta de sempre. E o ouro? Não é o hedge mais clássico para esses momentos? Sim, é um hedge para insegurança. Mas será que é hora de comprar? Não está já muito caro? Em meados de 2023 a onça troy estava a US$ 1.950. Hoje está a US$ 5.280, o que significa que nos últimos 33 meses o ouro subiu em média 3% ao mês. Total de 170% no período. Tenho dúvidas se isso é sustentável e se uma calmaria pós-guerra não vai derrubar esse preço. Mas, claro, é só uma opinião.
De toda forma é o momento para refletir e montar uma estratégia para enfrentar esse aumento de incerteza com racionalidade e com possíveis ganhos. Bons investimentos!