Nesta terça-feira (3), ataques lançados por Israel e pelos Estados Unidos atingiram o prédio da Assembleia de Especialistas, órgão responsável pela eleição do novo líder supremo do Irã, segundo a imprensa local. O jornal The Times de Israel informou que a reunião teria a presença de 88 aiatolás, mas ainda não se sabe quantos deles estavam no local no momento do ataque.
No Brasil, os números do Produto Interno Bruno (PIB) do quarto trimestre de 2025 e os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) ganham destaque.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB brasileiro de 2025 avançou 2,3% ante 2024, um acumulado de R$ 12,7 trilhões. Em relação ao semestre passado, o índice cresceu 0,1%, e 1,8% em comparação ao quarto semestre de 2024.
Já o Caged anunciou que o mercado de trabalho brasileiro abriu 112.334 postos de trabalho em janeiro. O número superou a mediana das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, que indicava criação líquida de 92 mil vagas (intervalo de 55.304 a 157.231 postos).
No período, o setor agropecuário registrou abertura de 23.073 vagas e a indústria geral criou 54.991 empregos, no saldo líquido. A construção civil foi responsável pela abertura de 50.545 vagas em janeiro e o setor de serviços, por 40.525 postos de trabalho. Por outro lado, o comércio fechou 56.800 vagas no primeiro mês deste ano.
Na segunda-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,28%, aos 189.307,02 pontos, após inverter o sinal ao longo da tarde. O movimento ocorreu em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que impulsionaram o petróleo no mercado internacional. A valorização da commodity sustentou ações de petroleiras, com destaque para a Petrobras (PETR3; PETR4), que avançaram mais de 4% no fechamento.
Ibovespa hoje: veja os destaques do pregão desta terça-feira (3)
Temores no Oriente Médio causam aversão mundial a risco
Os investidores fugiram do risco diante da escalada dos conflitos com o Irã, que fechou o Estreito de Ormuz e ameaçou incendiar qualquer navio que tentar passar. O estreito concentra cerca de 20% do fluxo global do petróleo. Os EUA negam que a passagem esteja fechada. O petróleo avançou mais de 4%.
Já os contratos de gás natural na Europa chegaram a disparar mais de 20%, após uma paralisação da produção na maior instalação de exportação de gás natural liquefeito do mundo, no Catar. As Forças de Defesa de Israel informaram que conduzem “ataques simultâneos contra alvos militares em Teerã e Beirute”. Trump prometeu retaliação após o ataque à Embaixada americana em Riad, na Arábia Saudita.
A ofensiva de Israel e EUA contra o Irã começou no sábado e resultou no assassinato do líder supremo do regime iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, disse que uma guerra prolongada pode impulsionar fortemente a inflação na zona do euro e prejudicar seu crescimento econômico.
A guerra respinga diretamente nas bolsas mundiais. Na Europa, os mercados fecharam em queda firme nesta terça-feira, estendendo as fortes perdas da última sessão. A bolsa de Londres fechou em baixa 3,04%, a de Paris, 3,46% e Frankfurt perdeu 3,59%. As de Milão, Madri e Lisboa, por sua vez, tiveram respectivas quedas de 3,92%, 4,30% e 4,24%.
Nas bolsas de Nova York, o Dow Jones caiu 0,83%, o S&P 500 recuou 0,94% e o Nasdaq teve queda de 1,02%.
As bolsas asiáticas fecharam em forte baixa hoje. Liderando as perdas na Ásia, o índice sul-coreano Kospi sofreu um tombo de 7,24% em Seul – no seu pior pregão em 19 meses -, na volta de um feriado. As fabricantes de semicondutores Samsung Eletronics – maior blue chip do Kospi – e SK Hynix amargaram respectivas quedas de 9,88% de 11,50%.
Em outras partes da Ásia, o japonês Nikkei caiu 3,06% em Tóquio; o Hang Seng recuou 1,12% em Hong Kong e o Taiex cedeu 2,20% em Taiwan.
Na China continental, o Xangai Composto teve baixa de 1,43%, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto registrou perda mais expressiva, de 3,24%. Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no vermelho, com baixa de 1,34% do S&P/ASX 200 em Sydney.
Commodities e dólar
Os contratos futuros do petróleo saltaram mais de 4% nesta terça-feira, depois da disparada da última sessão, à medida que a guerra no Oriente Médio mantém elevados os riscos de corte na oferta da commodity.
“O conflito militar em andamento entre os Estados Unidos/Israel e o Irã enviou ondas de choque pelos mercados globais de energia”, afirma Kerstin Hottner, da Vontobel, em e-mail.
“O Estreito de Ormuz, um ponto vital para o comércio global de energia, efetivamente cessou operações como resultado do conflito”, diz a chefe de commodities.
“À medida que a situação se desenrola, a duração e a intensidade do conflito serão fatores-chave que moldarão o cenário energético no curto prazo”, acrescenta Hottner.
O barril do petróleo WTI para abril subiu 4,7% na Nymex, a US$ 74,56, enquanto o do Brent para maio aumentou 4,7% na ICE, a US$ 81,40.
O contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para maio de 2026, fechou em alta de 0,67%, cotado a 753,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 109,47.O segundo contrato mais negociado, para setembro de 2026, terminou o pregão em alta de 0,48%, a 733 yuans, o equivalente a US$ 106,49 por tonelada.
Os contratos futuros da prata e do ouro recuaram. Mesmo assim, analistas do BMI dizem que, sem um consenso claro sobre a duração do conflito e o prêmio associado, os mercados devem buscar ativos considerados mais seguros, como o ouro, o que deve dar sustentação aos preços do metal precioso.
Na Comex, o ouro para abril encerrou em queda de 3,54%, a US$ 5.123,70 por onça-troy, e a prata para maio perdeu 6,05%, a US$ 83,47 por onça-troy.
O dólar, por sua vez, fechou em alta em relação a outras moedas de economias desenvolvidas. O euro caiu a US$ 1,1616, a libra recuou a US$ 1,3361 e o dólar avançou a 157,64 ienes. Já o índice DXY do dólar – que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes – terminou em valorização 0,68%, a 99,052 pontos.
No mercado doméstico, o dólar encerrou em alta de 1,92% cotado a R$ 5,2652.
Juros futuros sobem no pregão
Os juros futuros avançaram refletindo a aversão a risco global envolvendo o Irã. A possibilidade de um corte de apenas 25 pontos-base da Selic em março passou a ser majoritária, com 52%, ante a chance de redução de 50 pontos (48%), segundo o estrategista-chefe da EPS Investimentos, Luciano Rostagno.
Ontem a curva de juro a termo precificava 72% de probabilidade de corte de 50 pontos da Selic, para 14,50%, e 28% para -25 p.b. A curva chegou a apontar, até a semana passada, quase 100% de chance de corte de 50 pontos-base.
Ações de petroleiras fecham em queda
Depois da abertura de um pregão que indicava um ritmo de alta, logo o Ibovespa perdeu forças e passou a acentuar forte queda pela manhã. O principal índice da B3 foi afetado, em especial, pelo conflito entre EUA, Israel e Irã, que despencou bolsas afora de forma generalizada. O movimento ocorre apesar da valorização nas cotações futuras do petróleo no mercado internacional.
“A notícia oficial do fechamento de Ormuz pelo Irã, que diz que quem ousar passar, ateará fogo eleva a tensão. Vai prejudicar o mundo todo. O cenário de petróleo a US$ 100 o barril pode ser mesmo possível. Neste caso, é mais inflação mundial”, diz Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital.
Da carteira de 85 ações, apenas Raízen (RAIZ4) e Braskem (BRKM5) subiram. Vale (VALE3) cedeu 4,17%, enquanto papéis de bancos caíram em torno de 4% em sua maioria também. Brava (BRAV3) cedeu 2,92% e Petrobras (PETR3;PETR4) recuou 0,74% nos papéis ordinários e 0,44% nos preferenciais. Prio (PRIO3) recuou 3,77%.
Esses e outros indicadores influenciaram os humores do mercado nesta terça-feira e moldaram os resultados do Ibovespa hoje.
*Com informações de Sergio Caldas, Cecília Mayrink, Luciana Xavier e Silvana Rocha, da Broadcast