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Comportamento

5 impactos que as altas do dólar e do petróleo vão causar no seu bolso

Escalada dos conflitos no Oriente Médio, indefinição de corte de juros nos EUA e meta fiscal provocam aumento nos preços

Por Geovani Bucci

17/04/2024 | 17:06 Atualização: 17/04/2024 | 17:06

Foto: Envato Elements
Foto: Envato Elements

A cotação do dólar – ao redor de R$5,22 nesta quarta-feira (17) – chegou a bater os R$ 5,28 na última terça-feira (16), sendo o seu maior nível desde março do ano passado. E ainda não há perspectivas da moeda voltar a ficar abaixo dos R$ 5. Já o preço do petróleo, que tem sido negociado em torno de U$90, traz preocupações por conta de eventual escalada do conflito em Israel. Mas, uma coisa é certa: tanto o dólar quanto o petróleo devem impactar o bolso dos brasileiros, de várias maneiras.

Leia mais:
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De acordo com o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, o cenário atual é de um mercado mais estressado. Isso pode ser explicado por três fatores: as incertezas geopolíticas no Oriente Médio, a sinalização de que o banco central norte-americano pode manter a taxa de juros no atual patamar por um período mais prolongado do que esperado e a mudança da meta fiscal de 2025.

  • Leia Também: Dólar vai subir mais após disparar em abril? Veja as apostas dos analistas

No último sábado (13), seis meses após um ataque surpresa do grupo Hamas contra Israel, o Irã bombardeou o Estado israelense. Os mercados financeiros sentiram a insegurança gerada pela guerra, com uma queda generalizada no preço das criptomoedas após o anúncio da ofensiva, seguida por um aumento substancial do dólar em relação ao real desde a segunda-feira.

Soma-se isso à falta de previsibilidade sobre o início dos cortes de juros nos Estados Unidos. Desde julho do ano passado, o país mantém maior patamar da taxa em quase 24 anos, entre 5,25% e 5,5% ao ano.  Os dados recentes relacionados à inflação e ao emprego do mês de março mostraram que a economia americana ainda está resiliente e os preços continuam avançando acima das expectativas. Sendo assim, a persistência da inflação afasta, cada vez mais, a possibilidade de diminuição das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).

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E ainda há a “tempestade perfeita” de aversão a risco, agravada pelas últimas falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele confirmou, na última segunda-feira (15), que a meta fiscal de superávit de 0,5% estabelecida para o ano que vem não será atingida. Em vez disso, o Brasil deve ter déficit zero, mesma meta de 2024.

Em relação ao petróleo, há preocupação com a defasagem nos preços dos combustíveis vendidos pelas refinarias da Petrobras (PETR3; PETR4) no mercado internacional após a escalada das tensões entre Irã e Israel. Por enquanto, os preços estão sendo “segurados”, evitando repassar a volatilidade para o mercado doméstico. A última vez que a Petrobras interferiu nos preços da gasolina foi em 21 de outubro, quando aplicou redução de 4,1% (R$ 0,12 por litro). São 178 dias de inércia. Isso pode fazer com que a empresa perca rentabilidade.

  • Veja mais: Onde investir para proteger o patrimônio se o conflito Irã-Israel aumentar?

Para Gustavo Sung, esses fatores podem resultar em inflação no Brasil ou até mesmo impedir um ritmo de queda mais acelerado dos preços. “O petróleo e o câmbio em patamares mais elevados podem afetar a gasolina e alguns serviços, como fretes e transporte. Assim, esse movimento poderia diminuir a flexibilização da taxa de juros pelo Banco Central do Brasil“, afirma.

Impactos das altas do dólar e do petróleo no dia a dia

Diante do atual cenário, os especialistas Adriano Gomes, sócio-diretor da Méthode Consultoria, e Dierson Richetti, sócio da GT Capital, levantaram para o E-Investidor os principais impactos que podem acontecer no bolso dos brasileiros.

Preços no supermercado

O aumento do dólar tem um impacto direto no preço dos produtos nos supermercados. Desde os fertilizantes que são importados para a produção de alimentos até equipamentos estrangeiros para a fabricação de itens comuns na rotina das famílias podem acarretar em aumento de custos nas fábricas quando a moeda americana se valoriza.

Além disso, o fato do Brasil ser um país rodoviário não ajuda, diante da alta do petróleo.

Transporte  mais caro

O aumento do preço do petróleo tem um impacto direto nos custos dos transportes em diversas frentes. Devido ao aumento nos preços dos combustíveis ou de produtos derivados do petróleo, como lubrificantes, plásticos para peças automotivas e pneus, o consumidor sentirá o impacto financeiro.

Os custos adicionais decorrentes do reajuste de preços nos transportes acabam sendo repassados aos usuários. Isso se reflete no aumento das tarifas de frete, bem como em serviços de locomoção individual, como Uber, 99, entre outros. Sem mencionar o encarecimento do abastecimento nos postos de gasolina para quem possui veículo próprio.

Aumento no preço dos importados

Com diversos componentes importados utilizados na fabricação de roupas e tecidos, os custos de produção estão pressionados para cima neste momento. Qualquer reajuste será inevitavelmente repassado aos preços finais dos produtos, tornando-os mais caros para o consumidor final. Os itens comprados em lojas de fora do País, como Shein por exemplo, devem encarecer também.

Aluguéis podem aumentar

A inflação, sem dúvida, virá com mais força e, consequentemente, servirá como base para a correção dos valores dos aluguéis. Os proprietários, ao perceberem o aumento dos custos e a valorização dos imóveis, estarão mais propensos a ajustar os preços para compensar esses aumentos de custos e manter a rentabilidade de seus investimentos. Assim, os inquilinos podem esperar um reajuste à medida que a inflação se torna mais pronunciada.

Viagens internacionais

Para aqueles que têm planos de viajar para o exterior, a alta do dólar pode representar um aumento significativo nos custos. Isso se reflete em despesas como passagens aéreas, hospedagem, alimentação e atividades turísticas, que se tornam mais caras devido à necessidade de converter mais moeda local em dólares americanos. Como resultado, os viajantes podem precisar ajustar seus orçamentos ou optar por destinos mais acessíveis para evitar o impacto financeiro da valorização do dólar.

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