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Comportamento

Estes são os produtos que podem ficar mais caros com o conflito entre Israel e Irã

O bombardeio de Israel contra o Irã pode elevar a inflação no País e corroer o poder de compra dos consumidores

Por Daniel Rocha

13/06/2025 | 13:32 Atualização: 13/06/2025 | 13:37

(Foto: Adobe Stock)
(Foto: Adobe Stock)

O mundo começou a sexta-feira (13) em alerta vermelho com a notícia do bombardeio de Israel contra o Irã, que resultou na morte de oficiais militares iranianos durante a madrugada. Os mercados reagem ao ataque com preocupação. Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa perdia 031%, aos 137.341,81 pontos. Já as bolsas dos EUA operavam no vermelho, enquanto o índice de volatilidade VIX — espécie de “termômetro do medo” — disparava 10,8%, a 20,77 pontos.

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O estresse reflete a preocupação dos investidores com o risco por causa de uma possível escalada do conflito nas próximas semanas. Caso isso aconteça, os efeitos dos ataques podem ultrapassar as barreiras do mercado financeiro e atingir o bolso dos brasileiros com o aumento do preço dos produtos, sobretudo o combustível. Enquanto os mercados globais derretem na sessão de hoje, o preço do barril do petróleo brent subia 5,55%, a US$ 73,21, às 13h30.

“Historicamente, cada acréscimo de US$ 10 por barril tende a elevar a inflação em cerca de 0,2 ponto porcentual e frear o crescimento em 0,1 p.p”, diz Sidney Lima, analista CNPI da Ouro Preto Investimentos. Essa disparada pressiona também os custos logísticos e operacionais do País, principalmente sobre os setores dependentes de transporte rodoviário e de importações. “Esse tipo de choque externo pode gerar efeitos indiretos sobre a inflação e sobre o poder de compra da população”, afirma Pedro Ros, CEO da Referência Capital.

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No entanto, esse efeito não será de imediato. Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, avalia que a Petrobras (PETR3;PETR4) deve aguardar os desdobramentos desse conflito para realizar qualquer alteração no preço de combustível. Vale lembrar que o último reajuste aconteceu no dia 3 de junho, quando o preço da gasolina vendida pela estatal nas refinarias saiu de R$ 3,02 para R$ 2,85. “A companhia deve aguardar até o fim do mês para verificar se realmente o conflito pode se estender ou se é um evento passageiro”, diz Cruz.

Os alimentos processados, como biscoitos, massas, enlatados e refrigerantes, também ficam suscetíveis a novos aumentos de preço com o conflito no Oriente Médio. Essas mercadorias utilizam embalagens plásticas que são produzidas a partir do refino do petróleo e ainda demandam transporte intensivo.”O setor de higiene e limpeza, que utiliza derivados petroquímicos, pode ser afetado, assim como a indústria de vestuário, que depende de fibras sintéticas oriundas do petróleo”, afirma Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP e especialista em investimentos.

Além disso, escalada dos conflitos tende a elevar a cotação do dólar, por ser considerado como ativo de refúgio. Às 13h30 (de Brasília), a moeda norte-americano sobe 0,25%, cotada a US$ 5,5490. Como mostramos aqui, a elevação do câmbio aumenta os preços de produtos importados e reduz as margens de lucro, diminuindo o poder de compra da população. Isso rapidamente se traduz em queda nas vendas. Segmentos intensivos em tecnologia e insumos importados são os que mais sofrem nesse contexto. “Se essa tendência se mantiver, podemos ver mais volatilidade cambial nas próximas sessões, relevante para países como o Brasil”, acrescenta Lima.

Quando os impactos podem aparecer?

O episódio do bombardeio de Israel contra o Irã na madrugada de sexta-feira (13) não será suficiente para desencadear uma série de alta nos preços no Brasil. Os especialistas afirma que esse impacto deve surgir com uma escalada mais significativa dos conflitos ao passo de ameaçar ou interromper o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, trecho de mar que corresponde ao trajeto de boa parte do petróleo do mundo.  “Caso os Estados Unidos ou aliados ocidentais entrem diretamente no conflito, ou imponham sanções adicionais ao Irã com impacto nas exportações de petróleo e gás, o choque inflacionário se tornaria global”, comenta Patzlaff.

Os ataques israelenses no Irã durante a madrugada mataram três dos principais líderes da Guarda Revolucionária do Irã e dois cientistas ligados ao programa nuclear da teocracia na madrugada desta sexta-feira, 13. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que Israel “deveria antecipar uma punição severa”. Por enquanto, a contra-ofensiva iraniana começou com 100 drones, mas o país persa deve responder de outras formas.

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Com informações do Estadão e Broadcast

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