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Dólar a R$ 6 chacoalha o Brasil: 7 impactos que você nem imaginava sobre o câmbio

Empresas que exportam commodities também devem ser beneficiadas nesse novo ciclo, o que pode trazer boas oportunidades para os investidores, explica especialista

Por Isabela Ortiz

09/04/2025 | 14:27 Atualização: 10/04/2025 | 17:50

Como está a operação do dólar hoje diante da guerra comercial. (Foto: Adobe Stock)
Como está a operação do dólar hoje diante da guerra comercial. (Foto: Adobe Stock)

Na tarde desta quarta-feira (9), o presidente dos EUA, Donald Trump, recuou e disse que vai interromper a implementação das tarifas recíprocas pelos próximos 90 dias. Por outro lado, ele elevou as tarifas sobre as importações chinesas para 125% depois que a China decidiu, nesta manhã, elevar as tarifas sobre produtos americanos para 84%.

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Acirramento da guerra comercial entre as maiores economias do mundo tem balançado os mercados globais. No Brasil, um dos reflexos foi a valorização do dólar, que já ultrapassa a barreira de R$ 6 – o real foi a 3ª moeda mais desvalorizada, com queda de 5,1% frente à moeda americana, desde o anúncio das tarifas de Trump, em 2 de abril.

Segundo André Matos, CEO da MA7 Negócios, diante do cenário, o Banco Central (BC) terá de agir com firmeza. “O risco inflacionário aumenta substancialmente, o que pode forçar uma elevação dos juros. Isso encarece o crédito, esfria o consumo e atrasa ainda mais qualquer expectativa de retomada consistente da economia”, diz.

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A alta do dólar pressiona os custos de combustíveis, alimentos e outros produtos essenciais, que são fortemente impactados pela variação cambial – como consequência, a inflação fica mais difícil de ser controlada.

Essa pressão sobre os preços afeta o poder de compra dos brasileiros e aumenta a incerteza nos mercados. A elevação dos juros pelo Banco Central, embora necessária para conter a inflação, pode desaquecer o consumo e a atividade econômica, prejudicando ainda mais o crescimento em um momento já delicado.

“Tudo que vem de fora fica mais caro. O comércio e o setor de bens duráveis também sofrem, já que o crédito encarece e as pessoas seguram o consumo”, explica Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike. Com o crédito mais restrito e a incerteza no cenário econômico, consumidores ficam mais cautelosos, reduzindo compras não essenciais e atrasando investimentos de maior porte, como automóveis e eletrodomésticos.

Além disso, a escalada do dólar já havia mostrado seus efeitos em momentos recentes. “Em janeiro de 2025, o dólar chegou a bater R$ 6,22 ao longo do dia. Portanto, em momentos de turbulência e instabilidade mundial, é sim esperado que a divisa se mantenha acima de R$ 6 nos próximos dias”, comenta João Kepler, CEO da Equity Group. A declaração reforça como a moeda americana costuma se valorizar em contextos de incerteza, sendo um reflexo das tensões externas e da percepção de risco nos países emergentes, a exemplo do Brasil.

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1- Aumento de preços

Segundo Kepler, setores como o varejo são especialmente sensíveis a essas oscilações. A elevação do dólar aumenta os preços de produtos importados, reduz as margens de lucro e diminui o poder de compra da população, o que rapidamente se traduz em queda nas vendas.

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Segmentos intensivos em tecnologia e insumos importados são os que mais sofrem nesse contexto. “A alta cambial pressiona os custos operacionais, reduz margens e pode exigir reposicionamento de preços”, diz Carlos Braga Monteiro, CEO do Grupo Studio. Muitas empresas, ao não conseguirem absorver os aumentos nos custos, acabam repassando-os aos consumidores — o que acelera o processo inflacionário.

Por outro lado, nem todos os setores são prejudicados com a alta do dólar. Monteiro ressalta que o agronegócio e a mineração, cujas receitas são fortemente dolarizadas, podem ver seus resultados financeiros melhorarem. A valorização da moeda americana torna os produtos brasileiros mais competitivos no exterior, ampliando as margens de lucro para os exportadores.

No entanto, essa aparente vantagem pode ser ilusória. “Mesmo que alguns setores se beneficiem pontualmente da alta do dólar, como exportadores, é preciso lembrar que a economia brasileira é altamente dependente de insumos importados. A vantagem competitiva obtida nas exportações pode ser anulada por custos operacionais inflacionados”, pondera Theo Braga, CEO da SME New Economy. O especialista aponta que os ganhos com exportações nem sempre compensam as perdas estruturais que o país sofre com uma moeda local desvalorizada.

2- Fuga de capitais

O cenário também levanta alertas mais amplos. Sidney Lima, analista CNPI da Ouro Preto Investimentos, destaca os perigos de uma valorização abrupta da moeda americana. “Caso essa marca simbólica dos R$ 6,00 seja efetivamente rompida, os primeiros setores a sentir o impacto serão os mais dependentes do câmbio, como combustíveis, alimentos industrializados, medicamentos e tecnologia. A indústria tende a repassar parte desses custos ao consumidor, pressionando a inflação”, explica.

Para ele, o momento atual é agravado pelas tensões entre Estados Unidos e China, o risco de uma recessão global e a fuga de capitais de mercados emergentes. “A Bolsa pode sofrer com a saída de capital estrangeiro, os juros futuros tendem a subir e o Banco Central pode ter de reforçar a comunicação para conter o pânico”, alerta Lima. A instabilidade se espalha por diversos setores, afetando o apetite por risco e aumentando a aversão a ativos brasileiros.

3- Trava no consumo e no crescimento do país

A combinação da alta do dólar com o cenário internacional conturbado e a fragilidade econômica do Brasil impõe desafios extras à gestão econômica. “Quando a moeda americana se valoriza desse jeito, o impacto imediato é sentido nos combustíveis, alimentos e itens importados. Isso alimenta a inflação, pressiona o custo de vida e dificulta ainda mais a recuperação econômica”, avalia Jorge Kotz, CEO do Grupo X. Com a inflação pressionada, o orçamento das famílias se torna ainda mais comprometido, diminuindo o consumo e travando o crescimento.

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Para o setor de crédito estruturado, o momento pede ainda mais prudência. “As empresas precisam reforçar os estoques enquanto as coisas não encarecem, reforçar o caixa para ter mais liquidez e repensar o risco nas operações”, orienta novamente Volnei Eyng. Com o eeal entre as moedas que mais perderam valor recentemente, o alerta se intensifica, especialmente em um cenário de enfraquecimento do yuan chinês, que pode provocar novos ajustes globais.

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4- Oportunidades para quem mora fora

Ainda assim, nem tudo é negativo. Alguns nichos veem oportunidades em meio ao caos. “Para brasileiros no exterior, o momento é oportuno: com mais poder de compra, investir no mercado imobiliário nacional se torna ainda mais atrativo, especialmente via consórcio, que evita juros altos”, aponta Pedro Ros, CEO da Referência Capital. Com a desvalorização do real, brasileiros que recebem em moeda forte veem seu dinheiro render mais no país, o que pode estimular investimentos internos em imóveis e outros ativos reais.

Ros ainda acrescenta que “a instabilidade global favorece ativos reais e exige decisões estratégicas”. Em outras palavras, a crise cambial também pode abrir portas para quem sabe se posicionar com visão de longo prazo, aproveitando os preços deprimidos de alguns ativos e a necessidade de diversificação patrimonial em tempos turbulentos.

Por fim, Carlos Braga Monteiro lança um alerta para o futuro próximo. “Caso o ambiente de incerteza interna e externa persista, é possível que o dólar avance ainda mais. Isso exigirá do Brasil uma resposta econômica firme e coordenada”. A declaração resume o sentimento do mercado: diante de um cenário volátil e sensível, será preciso habilidade e clareza nas ações para evitar que o câmbio descontrolado se transforme em crise econômica generalizada.

5- Dolarização do patrimônio

Com a recente disparada do dólar e a crescente instabilidade nos mercados internacionais, pensar em estratégias de proteção financeira se torna cada vez mais urgente. Uma dessas proteções será a dolarização do patrimônio, que, segundo Natalia de Fátima Oliveira Cordeiro, professora do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Anhanguera, deve estar sempre no radar dos investidores. “Dolarizar o patrimônio deve ser sempre considerado. Os aportes precisam ser periódicos para equilibrar, ao longo do tempo, a taxa em que o ativo foi adquirido”, afirma.

Ela explica que o investimento constante permite suavizar os efeitos das variações cambiais. “Suponha que, todos os meses, você faça um aporte de R$ 500 em dólares. Haverá meses em que conseguirá comprar apenas US$ 100, em outros US$ 80,00, e eventualmente até US$ 120. Esse processo ajuda a equilibrar a carteira de investimentos ao longo do tempo”, acrescenta.

6- Queda dos ativos listados na Bolsa

Além da estratégia de proteção, Natalia aponta que o cenário atual pode trazer oportunidades. “Precisamos estar sempre preparados, porque o nosso mercado é cíclico. Por isso, reforço a importância dos aportes periódicos. No entanto, com essas novas taxas, os EUA podem entrar em um ciclo de recessão, e isso pode provocar uma queda brusca no preço dos ativos listados na bolsa”, alerta. Segundo ela, momentos de incerteza também abrem espaço para oportunidades: “O cenário de incerteza pode abrir ‘janelas’ de oportunidade com relação à queda do dólar. O ideal é observar esses pequenos movimentos e aproveitar as chances que surgirem”.

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7- Os itens mais afetados pela alta do dólar

No campo da economia real, a alta do dólar tende a afetar diretamente o consumidor. “Grandes empresas têm sua produção terceirizada em diversos países. Com isso, itens de bens de consumo e eletrônicos devem ser os mais afetados nesse cenário de alta do dólar. No entanto, ainda há possibilidades de negociação, o que pode nos ajudar a não sentir tanto os impactos desse aumento”, avalia a professora.

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