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Comportamento

CEOs estão preocupados com ‘demissão silenciosa’

Executivos têm mencionado o tema para profissionais de recursos humanos

Por Jo Constantz e Nicole Bullock, Bloomberg

04/10/2022 | 17:58 Atualização: 04/10/2022 | 17:58

Executivos não sabem o que fazer com a 'demissão silenciosa'. Foto: Envato Elements
Executivos não sabem o que fazer com a 'demissão silenciosa'. Foto: Envato Elements

À medida que as notícias sobre a tendência da demissão silenciosa inundaram a internet, empresas de recursos humanos, consultores, escritórios de advocacia e até mesmo startups de inteligência artificial entraram em campo para oferecer conselhos para preveni-la e combatê-la. Ao que tudo indica, existe uma demanda: líderes em geral e empresas famosas em setores como finanças, tecnologia e cuidados de saúde estão muito preocupados, disse Ben Granger, psicólogo organizacional chefe da empresa de pesquisa Qualtrics.

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“É bastante raro que tantos líderes de empresas grandes mencionem esse tema conosco em um prazo tão curto enquanto ele é tratado ao mesmo tempo pela mídia”, disse ele. “Não é algo que acontece com frequência.”

Veja nesta reportagem que a “demissão silenciosa” não é uma opção para mulheres e negros.

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Mas os executivos não sabem o que fazer com a questão. Os profissionais de recursos humanos dizem que os chefes estão preocupados se podem contar com seus funcionários no caso de uma recessão – ou se podem se dar ao luxo de demitir e substituir os adeptos à tendência em um mercado de trabalho aquecido, disse Granger. Eles temem não conseguir enxergar a demissão silenciosa se espalhar debaixo dos narizes deles.

“Muitos líderes e clientes com quem trabalho, alguns pela primeira vez em 30 anos, estão apavorados na posição de empregadores”, disse Erica Dhawan, consultora de local de trabalho e autora de um livro sobre trabalho remoto e híbrido. “Eles sentem que precisam continuar com as pessoas que não estão tendo um bom desempenho.”

A natureza “invisível” da tendência é particularmente assustadora para os líderes, de acordo com Granger. No trabalho remoto ou no esquema híbrido, os sinais clássicos de que um funcionário está com vontade de deixar o emprego, como atrasos e faltas, podem ser mais difíceis de detectar. Embora a primeira reação seja muitas vezes culpar a preguiça pela demissão silenciosa, Granger disse que muitos acabam se dando conta de que, na verdade, trata-se de um problema de gestão. Existe até uma startup de inteligência artificial que afirma oferecer uma solução, analisando e-mails e mensagens do Slack para identificar riscos no engajamento, de esgotamento e de rotatividade entre os funcionários.

Entretanto, os chefes de recursos humanos tendem a ficar menos assustados com todos os comentários a respeito da demissão silenciosa do que outros em cargos de chefia, de acordo com Caroline Walsh, vice-presidente de práticas de recursos humanos da empresa de consultoria Gartner. Como eles já passaram anos focando e conversando sobre esgotamento, o fenômeno parece ser menos surpreendente para eles.

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Mas eles podem estar subestimando a questão. Mais da metade dos profissionais de recursos humanos de vários setores entrevistados no final de agosto estavam preocupados com a demissão silenciosa, de acordo com uma pesquisa da Sociedade de Gestão de Recursos Humanos (SHRM, na sigla em inglês) com mais de 1.200 deles.

No entanto, apenas cerca de um terço acredita que isso esteja acontecendo na empresa onde trabalham, uma percepção que não se alinha com a estimativa recente da Gallup de que 50% dos trabalhadores dos EUA podem ser considerados como adeptos à tendência.

Embora seja difícil dizer quanto mais da desistência silenciosa esteja por vir depois que a tendência se tornou viral, segundo Granger, o fato de mais pessoas estarem falando a respeito do tema é significativo, porque há mais chances de ele se tornar popular e se espalhar.

“Agora temos um grande problema”, disse ele. “Se tivermos um cenário no qual as empresas começam a perceber essa dica, e agora há quantidades enormes de desistência silenciosa acontecendo, isso quase com certeza levará a alguns efeitos subsequentes nos negócios.”

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*Tradução de Romina Cácia

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