Elon Musk diz que poupar para aposentadoria pode deixar de fazer sentido com a ascensão da IA e da robótica, que devem criar um cenário de abundância e transformar trabalho, renda e consumo. (Imagem: Krisztian Bocsi—Bloomberg via Getty Images)
Poupar para a aposentadoria é inútil graças ao iminente “tsunami supersônico” de inteligência artificial (IA) e robótica, que trará um mundo de escassez zero, segundo defende Elon Musk. Embora o CEO da Tesla e da SpaceX tenha admitido que é “mais otimista” que a maioria, ele insistiu que as pessoas não deveriam se preocupar em construir uma reserva financeira para o futuro distante, ao contrário do conselho tradicional de praticamente todos os profissionais de finanças.
“Não se preocupe em guardar dinheiro para a aposentadoria daqui a 10 ou 20 anos”, disse o homem mais rico do mundo no podcast Moonshots with Peter Diamandis, em janeiro. “Isso não vai importar.” Parte da visão controversa de Musk se baseia em sua projeção de um mundo transformado por IA, robótica e tecnologia energética em rápida evolução.
A previsão de Musk calcula que até 2030 a IA superará “a inteligência de todos os humanos combinados”. Ele também afirmou que, eventualmente, haverá mais robôs humanoides do que humanos na Terra. Aos poucos, o trabalho tradicional também será substituído, com os cargos de colarinho branco no topo da lista.
“Qualquer coisa que não envolva moldar átomos, a IA pode fazer provavelmente metade ou mais desses trabalhos agora”, disse Musk.
Os avanços podem levar a aumentos de produtividade tão grandes que irão superar “o que as pessoas poderiam conceber como abundância”, disse.
Em vez de uma renda universal, todos desfrutarão de uma “renda universal de ‘você pode ter o que quiser’” no futuro, segundo ele. Nesse mundo previsto por Musk, a ligação entre salários individuais, poupança e padrão de vida deixará de fazer sentido.
Na visão do bilionário, mesmo sem economias, a IA ajudará as pessoas a obter cuidados médicos melhores do que os atualmente disponíveis dentro de cinco anos. Também eliminará qualquer limite na disponibilidade de bens, serviços ou oportunidades educacionais.
Os comentários de Musk se baseiam em afirmações anteriores de que a IA e os robôs humanoides tornarão o trabalho “opcional” dentro de 10 a 20 anos e tornarão o próprio dinheiro irrelevante. Ele já comparou o futuro do trabalho a atividades de lazer, como praticar esportes ou jogar videogame, em vez de uma necessidade de sobrevivência.
“Se você quiser trabalhar, [será] da mesma forma que você pode ir à loja e simplesmente comprar alguns vegetais, ou pode cultivar vegetais no seu quintal. É muito mais difícil cultivar vegetais no seu quintal e algumas pessoas ainda fazem isso porque gostam”, disse Musk durante o U.S.-Saudi Investment Forum, em novembro de 2025 – veja aqui o que ele falou na ocasião.
Os efeitos negativos do pós-trabalho
Para ser justo, as previsões de Musk surgem em um momento em que muitos norte-americanos têm dificuldade para poupar. Em parte devido à inflação persistente e ao fraco crescimento salarial: apenas 55% dos adultos do país disseram ter uma reserva de emergência equivalente a três meses de despesas, abaixo do pico de 59% em 2021, segundo uma pesquisa do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Menos da metade dos entrevistados afirmou conseguir cobrir uma despesa de US$ 2 mil ou mais com suas economias.
Pesquisas também mostram consistentemente que uma grande parcela dos norte-americanos está atrasada na poupança para a aposentadoria ou tem pouco ou nada reservado para a vida pós-trabalho.
Musk também não ignora os possíveis efeitos negativos de uma sociedade em que as pessoas não precisam ganhar a vida. Uma renda universal elevada pode vir acompanhada de instabilidade social, alertou, já que as pessoas podem enfrentar uma crise mais profunda de propósito.
“Se você realmente tiver tudo o que quer, esse é realmente o futuro que você deseja? Porque isso significa que o seu trabalho não vai importar”, disse Musk.