Esse descompasso tem obrigado o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável por controlar a produção de energia no País, a cortar a geração das grandes usinas, gerando impactos financeiros significativos. Como detalhou esta reportagem do Estadão, esses cortes já resultaram em prejuízos de R$ 6 bilhões entre outubro de 2021 e agosto de 2025 na produção de energias solares e eólicas. Metade desse valor ocorreu nos oitos primeiros meses deste ano, segundo Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).
Esse movimento, conhecido pelo setor como curtailment, acontece porque a geração distribuída, como também são classificadas as instalações de placas solares em residências e em pequenos estabelecimentos, fica fora do controle do ONS. Mesmo assim, injetam a sua produção na rede de distribuição. “O aumento da Micro e Minigeração Distribuída traz desafios adicionais para a operação do sistema, pois com o crescimento da geração distribuída e de usinas conectadas na rede das distribuidoras, a projeção é de que, em 2029, apenas 45% da capacidade instalada estará sob a coordenação do ONS”, afirmou o órgão ao Estadão.
Os desequilíbrios de energia elétrica, na avaliação da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), não podem ser atribuídos às residências e pequenos comércios que utilizam sistemas fotovoltaicos. Para a entidade, o País carece de modernização do seu sistema elétrico nacional desde 2020, quando a micro e minigeração distribuída (MMGD) ainda não existia no Brasil. “Além de ser uma medida de eficiência energética, a modalidade, por ser descentralizada, é hoje a principal ferramenta de democratização do acesso à energia renovável pelos brasileiros”, destacou a associação ao E-Investidor.
Atualmente, os custos de equipamentos fotovoltaicos para residências e pequenos estabelecimentos variam de R$ 15 mil a R$ 26 mil, mas há linhas de financiamento do mercado que tornam a compra mais acessível para os consumidores. A facilidade viabilizou o crescimento de 59,2% no número de instalações solares no Brasil entre os anos de 2023 a julho de 2025. Os dados são da SolFácil, empresa voltada para soluções de energia solar.
Veja o crescimento do número de usinas solares no Brasil desde 2023
| Ano |
Nº de usinas |
| 2023 |
2,3 milhões |
| 2024 |
3,2 milhões |
| 2025* |
3,7 milhões |
Fonte: SolFácil, com base em dados divulgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel)/*Dados até julho deste ano |
A adesão também tem sido acompanhada pela queda do custo dos equipamentos no País. Ainda de acordo com a SolFácil, o preço médio dos painéis solares caiu em torno de 37,8% durante o mesmo período.
Veja o preço médio das usinas solares por região em 2025
| Regiões |
Preço médio (R$/Wp)* |
| Norte |
R$ 2,68 |
| Nordeste |
R$ 2,45 |
| Centro-Oeste |
R$ 2,40 |
| Sudeste |
R$ 2,60 |
| Sul |
R$ 2,52 |
| Fonte: Solfácil/*Preço pela potência máxima da placa fotovoltaica |
Com informações do Estadão