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Comportamento

FMI alerta que guerra infla dívida e afeta PIB mais que crise financeira e ambiental

A atividade econômica em países em guerra cai cerca de 3% no início do confronto, e as perdas acumuladas chegam a aproximadamente 7% em cinco anos

Por Aline Bronzati

08/04/2026 | 15:20 Atualização: 08/04/2026 | 15:20

O alerta do FMI ocorre em meio aos conflitos no Oriente Médio. (Imagem: Adobe Stock)
O alerta do FMI ocorre em meio aos conflitos no Oriente Médio. (Imagem: Adobe Stock)

A intensificação de conflitos geopolíticos e o aumento dos gastos militares geram efeitos econômicos mensuráveis e persistentes, alerta o Fundo Monetário Internacional (FMI), em estudos publicados hoje. Em países em guerra, a atividade cai cerca de 3% no início do confronto, e as perdas acumuladas chegam a aproximadamente 7% em cinco anos, patamar que costuma superar o impacto de crises financeiras e desastres naturais, de acordo com o organismo, com sede em Washington, nos Estados Unidos.

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Ao mesmo tempo, uma escalada relevante de gastos em defesa tende a durar quase três anos e elevar as despesas militares em 2,7 pontos porcentuais do Produto Interno Bruto (PIB), conforme uma mostra com 164 países desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Em geral, o financiamento ocorre com uma piora adicional das contas públicas. Em média, os maiores gastos com defesa ampliam o déficit em 2,6 pp do PIB e elevam a dívida pública em cerca de 7 pp em três anos – ou 14 pp em períodos de guerra.

O alerta do FMI ocorre em meio aos conflitos no Oriente Médio. Depois de ameaçar “dizimar” toda a população do Irã na noite de ontem, dia 07, caso o Estreito de Ormuz, por onde escoa ao menos 20% da produção mundial de petróleo, não fosse reaberto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concordou em uma trégua. O republicano suspendeu os ataques ao país por duas semanas e vai avaliar a proposta de dez pontos dos iranianos.

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“As guerras impõem custos econômicos elevados e duradouros e colocam difíceis compromissos macroeconômicos”, dizem os economistas Hippolyte Balima, Andresa Lagerborg e Evgenia Weaver, ao analisar os estudos do FMI. Os documentos fazem parte do material que será divulgado na próxima semana, às margens das reuniões de Primavera do Fundo, que acontecem em Washington.

Segundo os economistas, a pressão econômica recai especialmente sobre os países onde a guerra ocorre.

“As perdas de produção decorrentes de conflitos tipicamente superam aquelas associadas a crises financeiras ou a desastres naturais severos”, afirmam. “Cicatrizes econômicas também persistem mesmo uma década depois”, acrescentam.

O impacto das guerras não fica restrito às fronteiras, com as guerras causando efeitos colaterais significativos, conforme Balima, Lagerborg e Weaver. Mesmo quando não há destruição física no próprio território, economias vizinhas ou parceiros comerciais importantes do país onde o conflito ocorre sentirão o impacto. “Nos primeiros anos de um conflito, esses países frequentemente experimentam quedas modestas na produção”, afirmam os economistas.

Em 2024, mais de 35 países vivenciaram conflitos em seus próprios territórios, conforme o estudo do FMI, que é parte do relatório ‘World Economic Outlook’ (WEO). Outros dados alarmantes incluem o fato de que hoje aproximadamente 45% da população mundial vive em países afetados por conflitos e “somente desde 2010, os conflitos ceifaram mais de 1,9 milhão de vidas em todo o mundo”. Em uma era de proliferação de guerras, as regiões mais afetadas têm sido a África Subsaariana, a Europa e o Oriente Médio, conforme o FMI.

Quanto ao salto de despesas militares sem guerra no território, Balima, Lagerborg e Weaver alertam para ganhos de curto prazo e custos à frente que podem impor difíceis escolhas orçamentárias aos países.

“Os aumentos nos gastos com defesa frequentemente enfraquecem os saldos fiscais e externos”, alerta o estudo do FMI.

De acordo com o organismo, os aumentos de gastos com defesa em tempos de guerra são seguidos por incrementos acentuados na dívida pública e grandes reduções nos gastos sociais, dilema conhecido como “armas versus manteiga”.

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A composição do gasto também altera o resultado. O FMI afirma que os ganhos são menores “quando o estímulo é parcialmente gasto na importação de bens estrangeiros, o que é especialmente o caso dos importadores de armas”. O estudo cita o exemplo da Polônia, que elevou a despesa de defesa de 2,2% para cerca de 4,5% do PIB entre 2021 e 2025, mas reduziu o investimento em equipamentos. Segundo o Fundo, o aumento ocorreu por meio de importações, o que ajuda a explicar por que o impacto macroeconômico foi “silenciado”.

Por fim, o organismo alerta que o impacto macroeconômico do atual aumento dos gastos com defesa pode diferir do passado. Isso porque essas despesas são cada vez mais intensivas em capital e pesquisa e desenvolvimento (P&D) e ocorrem em economias mais integradas e mais endividadas.

*Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast

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