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Comportamento

‘Joias Brutas’ levanta curiosidade sobre mercado de gemas – e não ‘pedras preciosas’

Entenda como se chega ao valor dessas preciosidades

Joias Raras é o título em português do filme Uncut Gems, da Netflix
  • “Joias Brutas” atiça o telespectador para saber mais sobre um mundo que não é assim tão conhecido
  • A distinção entre pedras preciosas e semipreciosas não tem mais validade científica
  • Ainda que beleza e raridade sejam os primeiros fatores que vêm à mente quando se fala em valorar uma gema, eles não são os únicos
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(Murilo Basso, especial para o E-Investidor) – É em torno de uma misteriosa peça bruta de opala negra que gira o suspense policial “Joias Brutas” (“Uncut Gems”, em inglês), lançado no Brasil no início de 2020 na Netflix e considerado por muitos críticos o melhor trabalho do ator Adam Sandler. No filme, Sandler interpreta Howard Ratner, que está à frente de uma joalheria na região de Nova York conhecida como Diamond District, em Manhattan. Ratner vê na hipnótica pedra uma chance de pagar uma enorme dívida de jogatina e, quem sabe, colocar sua vida de volta nos eixos. Ir além disso é spoiler.

Mais do que um bom filme, “Joias Brutas” atiça a curiosidade do telespectador para saber mais sobre um mundo que não é assim tão conhecido por todos: o das pedras preciosas, ou melhor, gemas. Afinal, como fala Ratner no filme, “dizem que você consegue enxergar o universo inteiro em uma opala”. Confira algumas curiosidades sobre esse universo tão fascinante:

Por que não “pedras preciosas”?

Antes de tudo, é preciso ressaltar que o termo “pedra preciosa” está defasado. A geóloga Andrea Sander, professora do curso de Geologia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), explica que a distinção entre pedras preciosas e semipreciosas não tem mais validade científica. Segundo ela, atualmente todas as pedras, tanto minerais (como diamantes e esmeraldas) como rochosas (lápis-azúli, por exemplo) devem ser chamadas de “gemas”.

“A denominação ‘pedra preciosa’ era utilizada apenas para quatro gemas: o diamante, a esmeralda, o rubi e a safira, conhecidas como gemas cardinais, pois possuíam uso eclesiástico, devocional ou cerimonial. As demais gemas eram denominadas de semipreciosas. Esse termo, porém, é discutível e confuso, e desmerece gemas como a opala, a água-marinha, o crisoberilo, a ametista e a alexandrita, entre outras pedras de grande beleza, apreciadas no mundo todo”, afirma.

4Cs: como é calculado o valor de uma gema

Ainda que beleza e raridade sejam os primeiros fatores que vêm à mente quando se fala em valorar uma gema, eles não são os únicos. Na verdade, o processo de valoração depende de um conjunto de propriedades, os chamados 4Cs.

Trata-se de classificação desenvolvida pelo Gemological Institute of America (Gia) e mundialmente aceita. Andrea conta que os 4Cs foram pensados, inicialmente, para diamantes, mas acabaram se popularizando para outras pedras. Apesar de não ser a única classificação existente, é a mais utilizada. Os 4Cs são: color (cor), clarity (pureza), cut (lapidação) e carat (peso), medido em quilates – sendo que 0,2 gramas equivalem a um quilate (ct).

Em relação aos diamantes, a classificação das cores vai de D a Z, sendo a primeira incolor e a última, amarelo claro. Quanto mais amarelado for o diamante, portanto, menos valioso ele será. Joalherias como a Tiffany, sonho de consumo das noivas, trabalham apenas com minerais até a letra I (quase incolor). Quanto à pureza, a pedra será considerada pura se nenhuma impureza interna (inclusão) e externa (mancha) for visível sob uma ampliação de 10 vezes.

Andrea reforça, contudo, que existe um fator externo crucial para definir o preço de uma gema: “uma boa lapidação, que realce as qualidades inerentes do mineral, valorizam uma gema. Já uma lapidação de baixa qualidade pode desvalorizar. O design da joia, se a gema estiver montada, também influi no preço final”.

Mercado

Por mais que não esteja nos 4Cs, o fator “mercado” também influencia. Afinal, assim como outros itens de desejo, as gemas também estão sujeitas à moda. Dependendo do marketing feito em cima do mineral, pode ser que haja um maior interesse das pessoas sobre ele. Não necessariamente as pedras mais raras serão as mais caras, ainda que haja exemplos emblemáticos, como a turmalina paraíba, encontrada em apenas cinco minas do mundo.

“Também precisamos considerar a oferta e demanda. Se há uma corrida maior por reserva de valor no ouro, por exemplo, seu preço pode aumentar. No caso do diamante, há uma mina de produção na Austrália que deve encerrar suas atividades no final de 2020. Por isso, é previsto que o preço do diamante vá aumentar. A lógica é: se tem muita oferta, o preço tende a cair”, diz Johnny Silva Mendes, professor de Finanças na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap).

Mendes se refere à mina Argyle, operada pela Rio Tinto, segunda maior corporação mundial de metais e mineração. Localizada no Norte da Austrália Ocidental, a mina opera desde meados da década de 1980 e é conhecida por fornecer diamantes para os dois extremos do mercado, pois extrai minerais de qualidade considerada inferior – e, portanto, mais acessíveis economicamente – ao mesmo tempo em que é responsável por 90% da produção mundial dos raríssimos diamantes rosa-magenta.

Com o fechamento da mina, a produção de diamantes da Rio Tinto vai ser reduzida em aproximadamente 75%. A empresa, entretanto, não deve ser tão impactada em termos de ganhos, já que os diamantes representam apenas cerca de 2% do faturamento. O minério de ferro, por outro lado, equivale a 60%.

E como é feita a comercialização das gemas? Como ocorre com muitos tipos de bem, a comercialização desses itens e sua importação e exportação é bastante burocrática e complexa, afirma a professora Andrea Sander.

“Em geral as gemas são adquiridas dos produtores. A grande maioria desses produtores são garimpos, alguns são organizados em cooperativas com apoio técnico, enquanto outros são ilegais. Depois de adquiridas, as gemas são lapidadas e colocadas no mercado. As gemas lapidadas podem ser vendidas soltas para o público em geral – nas cidades próximas aos depósitos produtores ou de lapidários é comum se encontrar lojas de gemas – ou então a joalheiros, que montam a gemas em joias, aumentando significativamente seu valor agregado. O ‘começo’ depende muito do que o comprador quer: gemas brutas, para coleção, por exemplo; gemas brutas para lapidação; ou se pretende adquirir gemas já lapidadas”, explica a geóloga.

O fascínio das opalas

Em “Joias Brutas”, o personagem interpretado por Adam Sandler recebe em sua loja uma peça bruta de opala negra, alegadamente extraída de uma mina na Etiópia, no Chifre da África. Que gema é essa, afinal?

De acordo com o Gemological Institute of America (Gia), as opalas são formadas após séculos e séculos de chuvas sazonais, que dissolvem partículas microscópicas de sílica do arenito, carregadas até as profundezas de fissuras e cavidades subterrâneas. À medida em que os materiais depositados secam, entrelaçam-se. Quando a luz atinge essa microestrutura, cria um deslumbrante caleidoscópio com as cores do arco-íris.

“As opalas não são pedras que alcançam altos valores, como o diamante ou as esmeraldas. São minerais menos raros. Não são totalmente transparentes, são leitosos. Sua característica como gema está num jogo de cores, pois quando exposto à luz, o mineral emite reflexos matizados, leitosos ou nacarados no seu interior”, diz Andrea.

A fim de valorizar essa característica da gema, a lapidação das opalas não é facetada, como ocorre com os diamantes, mas em formas arredondadas. Na gemologia, chama-se o estilo de “cabuchão”. As opalas mais famosas do mundo em termos de beleza não são as africanas, como no filme, mas as mexicanas e as australianas. No Brasil, há mineração de opala na cidade de Pedro II, no interior do Piauí.

Gemas brasileiras

Apesar de não ser de conhecimento de todo o público, o Brasil possui uma produção expressiva de gemas, tanto em variedade quanto em quantidade, já que o país é mercado por uma grande geodiversidade. Andrea diz que a produção brasileira de esmeraldas, que tem seus principais depósitos em Minas Gerais e na Bahia, tem bastante destaque no mercado internacional.

O país também é o único produtor de topázio imperial, também em Minas Gerais, e um dos únicos produtores do planeta de turmalina paraíba, no estado homônimo. Além disso, é o maior produtor mundial de ametista, extraída no Rio Grande do Sul e na Bahia. Lembrando que no século XVIII o Brasil foi o maior produtor de diamante do mundo. Já gemas do grupo do coríndon (rubi e safira) não são extraídas por aqui em quantidade e qualidade expressivas.

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