

Em linha com o esperado pelo mercado, nesta quarta-feira (26), o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) divulgou o aumento de 25 pontos base, na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano, do Fed Funds (taxa básica de juros dos Estados Unidos), maior nível em 22 anos. A decisão foi unânime.
Como esse aumento já era esperado, a expectativa maior dos investidores foi em torno da fala de Jerome Powell, presidente do Fed, que não apontou para uma postura mais rígida na próxima reunião nem para uma postura de flexibilização, mantendo o cenário incerto.
Por que a decisão sobre juros dos EUA é importante para os investidores brasileiros?
Segundo Rachel de Sá, chefe de economia da Rico Investimentos, a resposta é simples: por ser a maior economia e centro financeiro do mundo, as decisões de política monetária dos Estados Unidos funcionam como uma referência global e ecoam no restante do mundo.
Se você investe em ações dos EUA, fique esperto
Com o aumento dos juros, os ativos de risco tendem a perder atratividade, seja no Brasil ou nos Estados Unidos.
Jennie Li, estrategista de ações da XP, comenta que o momento dos EUA é delicado porque a economia está passando por um processo de desaceleração e juros altos aumentam a chance de recessão no país.”Nesse cenário, quem investe no mercado acionário dos EUA deve ter cautela”, explica.
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Em contextos negativos para a bolsa, porém, algumas empresas sofrem mais do que as outras. Para Rachel de Sá, o aumento nos juros dos EUA são negativos principalmente para empresas mais alavancadas, que têm a maior parte do seu rendimento esperado no futuro, como as de tecnologia. “Quanto maior o juro, maior a taxa de desconto que os analistas usam para trazer o preço da ação para o valor presente”, explica.
O aperto dos juros nos EUA pode ajudar o cenário brasileiro
Apesar da sua influência global, o cenário econômico dos EUA se encontra em um estágio diferente do nacional. Aqui, o mercado espera pelo o início do corte da Selic, em 0,25% ou 0,5%, após a reunião do Copom, do Banco Central, marcada para a próxima semana.
O otimismo pode ser visto, também, no Ibovespa (principal índice da B3), que chegou ao maior patamar, de 120.007,77 pontos, em dois anos nesta terça-feira (25).
Mesmo assim, é importante manter a economia dos EUA no radar, já que a crise no país tem potencial para beneficiar o cenário doméstico brasileiro. “Uma recessão moderada lá deve fazer com que o investidor global busque outras alternativas, como o Brasil”, explica Jennie Li.
Além disso, ao monitorar o andamento da maior economia do mundo, é possível saber se as expectativas do mercado estão alinhadas com os fatos, o que, segundo Bruno Lima, analisa de ações do BTG Pactual, é bom indício para a economia doméstica. “Junto com o movimento de queda de juros no Brasil, um cenário externo bem ancorado nas expectativas, favorece um cenário positivo para a alocação de ativos em renda variável“.
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