Enquanto os tickers (código de ações) das empresas brasileiras devem ter quatro letras e um número, nos Estados Unidos as companhias podem optar pela combinação de uma a quatro letras. Como lá o mercado é maior, as marcas utilizam os símbolos de negociação para atrair investidores.
Se funciona ou não? Imagine a reação de um investidor ao encontrar CAFE, PZZA, GAMR, BABY GAIN na plataforma de operações. No mínimo, pode despertar a curiosidade de conhecer mais sobre o que está por trás do código.
Fãs da série Friends podem se lembrar bem do episódio 21 da segunda temporada (Aquele com os Encrenqueiros), quando a personagem Monica Geller (Courteney Cox) se aventurou no mercado financeiro e começou a comprar ações apenas pelo símbolo.
Apesar de não ser indicado por nenhum especialista, há quem faça o mesmo que a personagem. Guilherme Zanin, estrategista da corretora americana para brasileiros Avenue Securities, ressalta a importância de fazer escolhas baseadas em análises da empresa e do mercado, mas diz que a estratégia é válida. “Os ETFs (fundos de investimento, na sigla em inglês) estão cada vez mais temáticos. A união entre estratégia de investimento em segmentos específicos com a tática de marketing pode funcionar para chamar atenção, mas não deve ser a motivação única e exclusiva”, aponta.
O estrategista da Avenue comenta que já presenciou casos de investidores que foram atraídos por tickers como SLIN (do inglês, magro), índice que acompanha empresas atuantes contra a obesidade; e GURU, ETF que acompanha as apostas dos maiores gurus do mercado. Segundo ele, isso acontece porque as pessoas acreditam nas propostas, mas fazem avaliações antes de tomar a decisão de compra.
No Brasil, existem casos de tickers curiosos. A Parmalat já foi listada com o código MILK11. Com IPO recente, a Méliuz, plataforma cupons de cashback, é negociada como CASH3. Além disso, a Minerva, frigorífica com foco em exportação é negociada como BEEF3. Milk, cash e beef significam, respectivamente, leite, dinheiro e carne. “A própria Vale (VALE3) é destaque quando falamos em ticker porque ela consegue ter exatamente os quatro dígitos do nome no papel”, ressalta Zanin.
Influência da nova geração de investidores
Com a ampliação dos conceitos ESG, tripé de ações sociais sustentáveis e de governança corporativa, as empresas estão buscando criar maior afinidade com o público. Utilizar um código que remeta o produto ou serviço pode contribuir para essa aproximação. É o caso dos ativos ligados ao mercado de cannabis, que “usa e abusa da brincadeira com os códigos”, de acordo com o estrategistas.
Outro fator que se relacionada com a atratividade dos nomes é o fenômeno de “gameficação” dos investimentos que a corretora americana Robinhood alavancou em 2020. Zanin destaca que a plataforma virou fenômeno e atrai diversos investidores, incluindo os mais novos por conta das ferramentas de fácil acesso ao usuário
Ações americanas com nomes curiosos:
| Ticker |
Segmento |
| BABY |
Fertilização in vitro e genética |
| BOOK |
Reservas on-line |
| BOOM |
Materiais explosivos |
| CAR |
Aluguel de carros |
| COIN |
Criptomoedas |
| CRM |
Sistema CRM e de nuvem |
| DNA |
Produção genética |
| FOGO |
Setor culinário |
| FUN |
Parques aquáticos e de diversão |
| GAIN |
Gestora de recursos |
| HOME |
Decoração para o lar |
| MATCH |
Tinder |
| PZZA |
Pizzaria Papa John’s Pizza |
| RACE |
Carros esportivos |
| WORK |
Trabalho remoto |
| YUM |
Grupo da Pizza Hut, Taco Bell, KFC |
| Fonte: Avenue Securities |
ETFs americanos com nomes curiosos:
| Ticker |
Setor |
| BIL |
Títulos americanos de curto prazo (treasuries bills)
|
| CAFE |
|
| CIBR e HACK |
|
| CORN |
|
| CURE |
Saúde |
| DRGS |
|
| FAN e TAN |
|
| FONE |
Smartphones |
| GAMR |
Games |
| GURU |
|
| IPO |
|
| MJ, YOLO, POT e WEED |
ETFs e empresas que investem em cannabis
|
| MOO |
Agrobusiness |
| RING |
|
| SLIM |
Empresas contra obesidade
|
| URA |
Urânio |
| WOOD e CUT |
|
| WOOF e PAWZ |
Pets |
| YANG |
China |
| YINN |
China |
| Fonte: Avenue Securities |