O bitcoin (BTC) quebrou a sequência de valorização dos últimos dois anos ao encerrar 2025 com uma queda anual de 8,11%. O desempenho ocorre na contramão das projeções iniciais de analistas, que acreditavam no início do ano na possibilidade da criptomoeda alcançar níveis de preço acima de US$ 150 mil. Além da depreciação ao longo de 2025, o ativo digital inicia 2026 sendo negociado abaixo dos US$ 90 mil.
A depreciação do bitcoin reflete a perda do apetite a risco do investidores na reta final do ano. Desde outubro, quando a principal criptomoeda do mundo renovou a sua máxima histórica – ao ser cotada a US$ 125 mil –, o BTC passou a enfrentar um movimento consistente de correção, acumulando uma desvalorização de 30%, segundo dados da Elos Ayta Consultoria.
O recuo recente está associado às incertezas em torno dos juros nos Estados Unidos e ao temor dos investidores com a possibilidade de uma supervalorização das ações ligadas à inteligência artificial (IA). Ainda assim, 2025 também foi marcado por avanços regulatórios importantes para a indústria cripto que ajudaram a sustentar o otimismo do mercado durante a primeira metade do ano.
Em março, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a criação de umareserva estratégia de bitcoin, formada apenas por BTCs detidos pelo governo federal em processos legais. Na época, a ordem executiva foi interpretada como um reconhecimento do bitcoin como ativo de reserva pela maior economia do mundo.
O acontecimento despertou o interesse de empresas de capital aberto. Também em março, a Méliuz (CASH3) aprovou a aplicação de até 10% do seu caixa total em bitcoin com objetivo de retornos no longo prazo. A estratégia da empresa de cashback – programa de recompensa em que o consumidor recebe parte do valor da compra de volta – segue os passos da companhia de software Strategy (antiga MicroStrategy), que possui sede nos EUA. Relembre o caso nesta reportagem.
Já em julho, Trump também assinou a GENIUsAct, lei que criou o primeiro marco regulatório de criptoativos ao estabelecer uma série de regras para a emissão de stablecoins – moeda digital atrelada a uma reserva de ativos “estáveis” – no mercado americano. A nova legislação passou a exigir que esses tokens tenham garantia de reserva com ativos líquidos, como dólares americanos ou títulos do Tesouro.
“Se olharmos para um panorama de médio prazo, podemos dizer que houve uma construção positiva para o mercado em 2025 que deu início a um ciclo de consolidação, e não necessariamente de cotações elevadas”, diz Sarah Uska, analista de criptoativos do Bitybank.
Bitcoin inicia 2026 com nova dinâmica de preço
O comportamento recente do bitcoin, porém, indica uma mudança estrutural na dinâmica de preço do ativo digital. Antes, os eventos sazonais ligados ao halving – evento responsável por reduzir pela metade a emissão de criptomoeda – eram os principais fatores que ditavam os rumos desse mercado.
Em 2025, o cenário perdeu força. O apetite do investidor global e o quadro macroeconômico, especialmente o dos Estados Unidos, exercem papel central na precificação do bitcoin e devem se consolidar como os principais catalisadores de preço em 2026.
“A escassez programada continua empurrando a oferta para baixo, mas quem decide se o preço vai buscar novas máximas em 2026 são os fluxos dos ETFs spot (à vista) e o apetite a risco global”, diz Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil.
ETFs, sigla para Exchange Traded Fund, são fundos de investimento negociados em bolsa de valores como se fosse uma ação.
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Com esse cenário no radar, a tendência é que o BTC permaneça abaixo dos US$ 100 mil até que haja uma mudança na trajetória dos juros americanos que retome o apetite a risco dos investidores.
Se isso acontecer, o economista Paulo Aragão acredita que o BTC seguirá em tendência de alta ao se apresentar como ativo alternativo dentro dos portfólios dos investidores. No entanto, ele alerta que essa valorização não será linear.
“Por isso, a faixa entre US$ 120 mil e US$ 150 mil me parece um equilíbrio realista entre fundamentos, adoção institucional e riscos macroeconômicos, sem depender de cenários extremos ou excessivamente otimistas”, estima o especialista para o bitcoin 2026.