

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou nesta quinta-feira (3) a suspensão das negociações do Eike Token ($EIKE), criptomoeda lançada há mais de um mês pelo ex-bilionário Eike Batista para financiar a “supercana”. O site do projeto já está fora do ar para endereço de protocolo de internet (IP) localizados no Brasil.
O Eike Token movimentou o mercado brasileiro quando foi lançado, no final do mês de fevereiro, com o objetivo de captar recursos para financiar a produção de larga escalada da “supercana”. Trata-se de uma variedade de cana-de-açúcar que, segundo os desenvolvedores, permitira uma produzir etanol em larga escala, além de utilizar o excesso de bagaço para criar embalagens biodegradáveis.
O projeto marcava a volta do empresário que chegou a ser o homem mais rico do Brasil e viu seu império decair ao setor de energia, mais de uma década depois da queda de sua petroleira OGX. Com financiamento de US$ 500 milhões por um fundo árabe, a iniciativa, chamada BRX, esperava captar US$ 100 milhões com o lançamento do $EIKE.
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No entanto, desde que o ex-bilionário lançou a criptomoeda, a CVM estaria buscando esclarecimentos para entender possíveis irregularidades na oferta dos tokens, que estariam sendo comercializados com características de valores mobiliários. Isso foi noticiado pelo Pipeline, do Valor Econômico, em meados de março. Agora, chega a confirmação.
A autarquia disse que nem Batista nem o sócios do projeto Luis Claudio Silva Rubio, Sizuo Matsuoka, Ebx Digital LLC, BRXE Global Holdings LLC, BRXE Brasil Holdings Ltda, BRXE USA Holdings LLC e BRXE Dubai Holdings LLC possuem autorização CVM para atuar como ofertantes de valores mobiliários ao público brasileiro. Por isso, determinou suspensão imediata das operações sob multa diária de R$ 100 mil.
Em nota, EBX Digital Green destacou que o $EIKE não se destina à venda, distribuição ou comercialização no território brasileiro. “Este token está em fase de pré-venda internacional e não constitui uma oferta de venda nem uma solicitação de oferta para compra de valores mobiliários ou criptoativos a residentes no Brasil ou em qualquer jurisdição onde tal oferta ou venda seja ilegal. O projeto está em total conformidade com as regulamentações internacionais aplicáveis e restringe o acesso de acordo com as leis e diretrizes locais de cada país”, diz a empresa.
Para atender à determinação da CVM, IPs localizados no Brasil foram bloqueados do projeto. A companhia disse que não vai recorrer da decisão, já que a oferta do token de “supercana” de Eike Batista segue normalmente no mercado americano.
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