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Criptomoedas

É hora de investir em criptomoedas mesmo com Bitcoin em queda?

Possível aumento dos juros nos EUA impacta ativos digitais, de maior risco

Por Luíza Lanza

26/01/2022 | 3:00 Atualização: 26/01/2022 | 7:40

Valor do Bitcoin vem caindo nos últimos dias. Foto: Envato Elements
Valor do Bitcoin vem caindo nos últimos dias. Foto: Envato Elements

As incertezas frente à reunião do Fed, o banco central dos Estados Unidos, marcada para esta quarta-feira (26), estão pressionando o mercado de criptoativos. Depois de encerrar a última semana com uma queda de 18%, na manhã de segunda-feira (24) o bitcoin chegou a despencar 12,43% – a US$ 33.435, o menor nível em seis meses.

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Apesar de conseguir recuperar o patamar dos US$ 36 mil, às 19h10 desta terça (25) a cripto operava em queda de 0,19% a US$ 36.630,20. Especialistas acreditam que no curto prazo a instabilidade macroeconômica deve seguir afetando as criptomoedas. O momento de baixa, porém, pode ser uma boa oportunidade para quem estiver pensando em apostar no mercado.

Para Andrey Nousi, da Nousi Finance, tudo passa pela influência do cenário macroeconômico, com quedas bruscas nas bolsas americanas, inflação global alta e bancos centrais pressionados para aumentar as taxas de juros. Economistas já trabalham com a hipótese de que o Fed faça de três a seis aumentos de juros, o que elevaria a atual taxa dos EUA de 0% a pelo menos 1,5%.

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“No último ciclo, de 2008 a 2020, o período de aumento de juros foi muito gradual. Muito embora sair de um cenário de 0% para 1,5% possa não parecer muito, a dívida americana é muito grande. No valor absoluto para pagamento de juros é muito dinheiro”, alerta Nousi.

Com efeito em cascata para o resto das empresas e do mercado, esse aumento dos juros nos EUA impacta investimentos de maior risco – entre eles, as criptomoedas. Segundo Lucas Passarini, especialista em criptomoedas do Mercado Bitcoin, a retirada dos estímulos monetários do Fed muda a estrutura de risco dos investidores profissionais, que vão evitar estar expostos a ativos de risco, como o mercado de ações e de criptoativos, migrando para a compra de títulos do tesouro.

Para Nousi, a escalada das tensões geopolíticas entre Ucrânia e Rússia também pode estar contribuindo para o mau humor do mercado, já fragilizado pelas expectativas de alta de juros. A Ucrânia, que pretende fazer parte da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), está sob risco de invasão russa.

“O movimento hoje é bem ruim, com a bolsa da Rússia caindo 8%, em uma situação geopolítica que piora cada vez mais. Conflito armado é algo que nunca é muito bom, porque você não sabe as dimensões desse embate. E a pior coisa que o investidor pode ter diante de si é a incerteza”, explica Nousi.

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A Rússia é um dos principais produtores de petróleo do mundo e a possibilidade de um conflito armado gera aversão ao risco no exterior. Além disso, o Kremlin possui cerca de 10% dos mineradores de criptomoedas, mas, na última semana, chegou a dizer que proibiria não só a mineração dos ativos, como todo tipo de transação com ativos do segmento.

Vai melhorar?

Embora o cenário pareça desanimador, na visão dos especialistas, o mercado de criptomoedas está preparado para os próximos meses. Para Felipe Veloso, economista e fundador da Cripto Mestre, esse movimento já era inclusive esperado, pois tais ativos têm ciclos. E, agora, chegou o momento das baixas.

“Quando o mercado está assim, com juros baixos, as criptos e as bolsas secundárias crescem muito, gera bolha especulativa. Era consenso entre economistas e investidores de criptos que a bolha já estava para estourar. E está estourando”, afirma.

Na visão do especialista Passarini, do Mercado Bitcoin, o mercado ainda está precificando o cenário macroeconômico, mas a expectativa é que a queda dos criptoativos se atenue a partir de março. “Isso não quer dizer que a partir disso vai subir. Pode ficar lateralizado por vários meses. Para o ano, espera-se apenas uma consolidação, sem expectativa de quem venha realizar novas máximas”.

A previsão mais pessimista de Tasso Lago, gestor de fundos privados em criptomoedas e fundador da Financial Move. Ele estima que o bitcoin caia até US$ 27 mil esse ano. Mas o analista acredita que os bons fundamentos do mercado vão garantir a recuperação. “A queda não mudou a saúde do mercado. O bitcoin não perdeu os fundamentos de quando estava em US$ 68 mil. A estrutura de mercado, os projetos em desenvolvimento e os hashrates seguem os mesmos”.

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Veloso concorda que, passado o impacto do provável aumento da taxa de juros americana, no longo prazo a expectativa é de que as criptomoedas se recuperem. Ele destaca que em 2024 o bitcoin vai realizar um novo halving – quando, a cada quatro anos, o ativo passa a premiar os mineradores  metade do que estava estabelecido –, o que vai aumentar o valor intrínseco da criptomoeda e conduzi-la um novo ciclo de alta. Atualmente, a remuneração é de 6,25 bitcoins por bloco minerado, e daqui a dois anos deve ficar em 3,13.

“O valor tende a aumentar eternamente porque o bitcoin sobe numa proporção muito lenta, enquanto os governos imprimem dinheiro em uma proporção muito alta. Quando a gente fala que o Bitcoin está valorizando, na verdade, são as moedas que estão desvalorizando em relação ao Bitcoin”, diz.

Os especialistas concordam que este é um bom momento para o investidor interessado no setor. Na visão de para Tasso Lago, como as estruturas do mercado seguem saudáveis, mas com preço mais baixo, é como comprar o ativo na promoção. “É um excelente momento, porque é muito melhor entrar no mercado com o bitcoin valendo US$ 33 mil, US$ 35 mil do que quando vale US$ 50 mil. É melhor comprar na queda por bons projetos do que na alta por euforia”, afirma. Lago destaca ainda que o investidor interessado deve estar ciente da volatilidade do ativo e não se apavorar.

Andrey Nousi, da Nousi Finance, concorda. Para o especialista, ainda não é possível saber até onde as quedas vão se estender e, por isso, é preciso ter calma ao investir. “Prefiro a estratégia dos aportes periódicos, que te ajudam nesse tipo de situação, porque suavizam a volatilidade. Se um mês você comprou e caiu, no próximo mês você estará acumulando mais bitcoins a um preço menor. E isso te dá mais disciplina de aporte, ao invés de tentar fazer futurologia quanto ao preço mínimo ou máximo”, diz.

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A estratégia de pequenos investimentos também é a recomendação de Passarini, do Mercado Bitcoin. “Nunca entre com o aporte inteiro de uma vez só. A forma mais segura de investir em criptoativos até agora é manter uma alta exposição em bitcoin e depois ir para as outras moedas, com uma pequena parcela do capital em aportes recorrentes”.

Veloso, da Cripto Mestre, acredita que este já é um bom momento para quem quer começar a investir em bitcoin, que deve cair menos que as outras moedas digitais. Para essas, o economista aconselha esperar um pouco mais: “Vai ficar bom para comprar altcoins só depois de agosto, quando o preço tiver derretido, quando caírem 90% em relação à máxima histórica”.

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