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Mercado

Ibovespa hoje fecha em alta, com disparada da Petrobras e falas de Trump sobre fim do conflito no Oriente Médio

Petróleo fechou em alta, mas diminuiu ritmo de valorização à tarde com relatos de que ministros de Energia do G7 estudam medidas para estabilizar o mercado energético

Por Ana Ayub, Isabela Ortiz e Beatriz Rocha

09/03/2026 | 4:30 Atualização: 09/03/2026 | 17:56

O Ibovespa é o principal índice da bolsa de valores brasileira, a B3. Ele funciona como um termômetro do mercado de ações no país, reunindo uma carteira teórica das empresas mais negociadas e representativas da Bolsa. (Imagem: Adobe Stock)
O Ibovespa é o principal índice da bolsa de valores brasileira, a B3. Ele funciona como um termômetro do mercado de ações no país, reunindo uma carteira teórica das empresas mais negociadas e representativas da Bolsa. (Imagem: Adobe Stock)

O Ibovespa hoje iniciou a semana sob forte pressão, refletindo a escalada da guerra no Oriente Médio e a disparada dos preços do petróleo, que ampliaram a aversão ao risco nos mercados financeiros globais. Ainda assim, o índice da B3 conseguiu avançar 0,86% aos 180.915,36 pontos nesta segunda-feira (9).

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Na sessão de hoje, o calendário foi mais fraco e trouxe apenas a divulgação do Boletim Focus, que refletiu as expectativas do mercado na primeira semana marcada pela guerra e pela turbulência global.

No campo corporativo, estão previstos os balanços de Cosan (CSAN3) e Direcional (DIRR3) após o fechamento do mercado. A MRV&CO (MRVE3) – conglomerado que reúne a MRV, Urba, Luggo e Resia – anunciou os resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) nesta manhã. A companhia reportou lucro líquido consolidado de R$ 41,4 milhões no período, uma reversão perante o prejuízo de R$ 249,8 milhões registrado no mesmo intervalo de 2024.

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Em direção ao fechamento da B3, novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o fim da guerra no Oriente Médio foram recebidas com euforia no mercado global, que tirou o petróleo do positivo e o fez mergulhar em direção a uma queda de 9% nos contratos futuros do WTI, em Nova York. Em entrevista à rede CBS, Trump afirmou que o conflito com o Irã está perto de ser concluído. Em Nova York, os três índices de ações firmaram alta com os comentários, buscando máxima do dia para o Nasdaq. No fechamento, Dow Jones +0,50%, S&P 500 +0,83%, Nasdaq +1,38%.

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Dessa forma, após os comentários de Trump, o Ibovespa foi buscar máxima do dia bem perto dos 182 mil pontos, aos 181.952,23 pontos. Reforçado em direção ao fechamento, o giro foi a R$ 37,6 bilhões nesta segunda-feira. No mês, o Ibovespa ainda recua 4,17%, limitando o ganho acumulado no ano a 12,28% – na última sessão de fevereiro, que antecedeu o ataque ao Irã, o avanço estava em 17,17% em 2026. No fechamento de hoje, mostrava alta de 0,86%, aos 180.915,36 pontos, na sessão.

“Você tinha uma narrativa muito forte de que haveria uma sobreoferta grande de petróleo neste ano”, diz Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos. “Se imaginava que fosse ser negociado abaixo dos US$ 60 durante um bom período.”

“Na abertura do mercado, a gente viu o petróleo extremamente agressivo, subindo quase 20%”, aponta Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos, acrescentando que o “spike” – alta acentuada – decorreu da interpretação, pelos participantes do mercado, de que a escolha do filho de Ali Khamenei, morto no ataque do fim de fevereiro, para substituí-lo como Líder Supremo do Irã reforça a narrativa de resiliência ou mesmo de endurecimento do regime após o início do conflito, o que pode resultar em nova concentração de poder no país. “O mercado voltava a projetar um conflito com duração mais longa, começando a visualizar a questão da oferta global do petróleo. E a gente já via alguns países se movimentando para começar a usar reservas estratégicas”, diz Moreira.

Boletim Focus: expectativa da Selic muda

A mediana do relatório Focus para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 permaneceu em 3,91%, nível 0,91 ponto porcentual acima do centro da meta de inflação, de 3%. Há um mês, a projeção era de 3,97%. Considerando apenas as 44 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana oscilou de 3,91% para 3,92%. Para 2027, a expectativa subiu levemente de 3,79% para 3,80%, enquanto, entre as 42 projeções mais recentes, avançou de 3,74% para 3,81%. O IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, abaixo da última mediana do Focus, de 4,31%, e da projeção do Banco Central, de 4,4%.

Conforme a trajetória divulgada pelo Copom em janeiro, o BC projeta inflação de 3,4% ao fim de 2026 e de 3,2% no horizonte relevante, atualmente no terceiro trimestre de 2027.

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Desde 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses, tendo centro de 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo; caso a inflação permaneça fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo. No Focus divulgado hoje (9), a projeção para o IPCA de 2028 permaneceu em 3,50% pela 18ª semana seguida, e a de 2029 também ficou em 3,50%, pela 27ª semana consecutiva.

Em relação aos juros, a mediana do Focus para a taxa Selic ao fim de 2026 subiu de 12,00% para 12,13%, movimento também observado nas 40 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis. Para 2027, a projeção seguiu em 10,50% pela 56ª semana consecutiva, enquanto as medianas para 2028 e 2029 permaneceram em 10,00% e 9,50%, respectivamente.

Em janeiro, o Copom decidiu manter a Selic em 15% pela quinta reunião seguida, mas indicou que pode iniciar o processo de cortes na próxima reunião, em março. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou na ata.

Já para o câmbio, a mediana das projeções para o dólar ao fim de 2026 recuou de R$ 5,42 para R$ 5,41, ante R$ 5,50 há um mês, enquanto a estimativa para 2027 permaneceu em R$ 5,50 pela quinta semana seguida. A moeda americana encerrou 2025 a R$ 5,4840, acumulando queda de 11,18% frente ao real, movimento associado ao enfraquecimento global do dólar e à atratividade do carry trade (mecanismo utilizado para tentar obter lucros com base na diferença entre a taxa de juros de dois países) diante da Selic em nível elevado.

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Para 2028 e 2029, as medianas também permaneceram em R$ 5,50, pela quarta e pela primeira semana consecutiva, respectivamente. No Focus, a projeção anual de câmbio considera a média da taxa ao longo de dezembro, e não a cotação do último dia útil do ano, como ocorria até 2020.

Petróleo tem novo salto

A forte alta do petróleo no mercado internacional dominou o ambiente de aversão ao risco. Os contratos futuros da commodity chegaram a disparar cerca de 30% durante a madrugada e se aproximaram de US$ 120 por barril, refletindo o aumento das tensões no Oriente Médio. A escolha de Mojtaba Khamenei para suceder ao pai, Ali Khamenei, como líder supremo do Irã ampliou as preocupações geopolíticas – ele é visto como representante da ala mais rígida do regime.

O contrato futuro do WTI para abril subiu 4,3%, para US$ 94,77 por barril, enquanto o Brent avançou 6,8%, para US$ 98,96. Relatos de que ministros das Finanças do G7 discutem uma reunião emergencial para avaliar a liberação de reservas estratégicas ajudaram a moderar a alta.

Em meio à escalada da crise, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em redes sociais que a disparada do petróleo no curto prazo é um preço “muito pequeno” a pagar tanto para seu país quanto para o mundo em nome da segurança e da paz.

“Só tolos pensariam diferente”, escreveu Trump, acrescentando que os preços devem cair rapidamente quando a ameaça nuclear do Irã for eliminada.

Destaques do Ibovespa hoje

Entre as empresas brasileiras de grande peso, as ações da Vale (VALE3) fecharam em valorização de 0,51%, diante da alta do minério de ferro, enquanto os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) avançaram 2,12% nos ordinários e 2,49% nos preferenciais impulsionados pelo salto do petróleo.

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No campo macroeconômico, os próximos dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos devem ajudar a recalibrar as expectativas para a política monetária. No mercado doméstico, cresce a aposta em um corte de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic ainda neste mês, para 14,75%. Já nos EUA, investidores avaliam a possibilidade de retomada do ciclo de cortes de juros a partir de junho, após a divulgação de um relatório de emprego (payroll) mais fraco.

Mercados globais

Em Wall Street, os índices fecharam em alta nesta segunda-feira (9). O Dow Jones subiu 0,5%, o S&P 500 avançou 0,83% e o Nasdaq teve valorização de 1,38%.

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Na Europa, os principais mercados acionários encerraram em queda, pressionados pelo avanço do petróleo e pelos temores de impacto sobre inflação e crescimento econômico, além de dados mais fracos que o esperado para a indústria alemã. A Bolsa de Londres caiu 0,34%, a de Paris recuou 0,98% e a de Frankfurt cedeu 0,83%.

Na Ásia, as bolsas fecharam o pregão em forte queda. A Bolsa de Tóquio recuou 5,2%, enquanto o índice Kospi, da Coreia do Sul, caiu 5,96% e o Taiex, de Taiwan, perdeu 4,43%. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 1,35%. Já na China continental, os índices de Xangai e Shenzhen registraram quedas mais moderadas, de 0,67%.

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Na Oceania, o S&P/ASX 200, da Austrália, terminou o dia em baixa de 2,85%.

Os rendimentos dos Treasuries (títulos públicos dos EUA) recuaram. O juro da T-note de 2 anos caiu a 3,554% e o rendimento da T-note de 10 anos cedeu a 4,104%, enquanto o T-bond de 30 anos teve queda a 4,718%.

Dólar recua no mercado internacional

No fechamento, o dólar caiu a 157,69 ienes, enquanto o euro avançou a US$ 1,1632 e a libra teve alta a US$ 1,3445. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em baixa de 0,19%, a 99,175 pontos.

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