Esse comportamento é resultado de aprendizados registrados durante quase duas décadas. Antes de ser adquirida pelo banco digital, a gestora se chamava DLM e já tinha larga experiência em crédito: seu fundo mais antigo na classe de ativos foi criado em 2008. Castro aponta que essas situações sempre acontecem e não vão parar de acontecer. “Se há uma piora do cenário da economia, sempre vemos quem está nadando pelado”.
Hoje, a asset considera que sua estratégia no crédito privado é mais conservadora, apesar de sinalizar que sempre é possível aprender mais. Entre os filtros que foi criando ao longo dos anos, está a maior cautela em relação a empresas que pertencem a setores cíclicos. A gestora também fica com o pé atrás em relação a executivos que fazem movimento de expansão de forma agressiva. Por fim, também evita a euforia: nos tempos de bonança, não baixa a sua régua de risco.
Antes, a gestora olhava mais para a capacidade da empresa se recuperar. Agora, monitora a probabilidade desse evento acontecer. Segundo a asset, ainda há muito a evoluir no processo de recuperação judicial. “No Brasil, o processo de tomada de controle pelo credor é mais complexo, além de haver grande disparidade nas decisões judiciais entre os diferentes estados”.
A equipe de crédito também evita projetos de infraestrutura financiados majoritariamente por dívida, e não capital dos sócios, bem como monitora o alinhamento entre acionistas e analisa o financiamento privado existente. Por fim, analisa o histórico de reestruturação de dívidas. “Se a empresa já puniu o credor neste processo, é bem provável que fará isso novamente”.
Preocupante?
Na visão da asset, o mercado de crédito brasileiro atualmente tem menos risco do que o dos Estados Unidos. Com as disrupções provocadas pela inteligência artificial em setores como o de software, lá fora os ativos caem sem distinção, enquanto aqui não há um contágio generalizado, mas, sim, casos bons e ruins.
Apesar da recuperação extrajudicial em curso de Raízen e do Grupo Pão de Açúcar, bem como casos de empresas que estão com problemas, como CSN, Oncoclínicas e Hapvida, a asset não está vendo um fluxo de resgate dos fundos de crédito privado. Não há entradas, e nem saídas: está estável.
Antes da guerra, as pessoas físicas ensaiaram um aumento no apetite ao risco, mas com a eclosão do conflito entre Estados Unidos e Irã esse fluxo parou, conta Castro. “Os investidores estão optando por fundos de produtos bancários com liquidez diária. Não há convicção: colocaram o dinheiro para descansar, pois estão em compasso de espera”.