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Direto da Faria Lima

Como o JP Morgan quer liderar uma grande tendência nos EUA que ainda não é permitida no Brasil

Gestora tem US$ 300 bi em ETFs e aposta nas estratégias ativas, a grande trend do mercado americano

Por Luíza Lanza
Editado por Geovana Pagel

11/11/2025 | 9:46 Atualização: 12/11/2025 | 8:57

JPMorgan. (Foto: Adobe Stock)
JPMorgan. (Foto: Adobe Stock)

Investidores globais estão trocando a gestão tradicional dos fundos de investimento pelas estratégias empacotadas na estrutura dos Exchange Traded Funds, os ETFs. O que não significa que estejam abrindo mão da gestão ativa, a grande tendência dessa indústria no maior mercado de investimentos do mundo, os Estados Unidos.

Leia mais:
  • Bolha de IA, queda do dólar e juros nos EUA: a opinião da BlackRock sobre as dúvidas globais dos investidores
  • ETFs ativos no Brasil? Regulação pode ficar para 2027, segundo a CVM
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E esse é um movimento que o JP Morgan Asset Management quer estar na vanguarda, disseram Jon Maier, chief ETF strategist, e John Harrington, global head of ETFs, a um grupo de jornalistas brasileiros na sexta-feira (6), em uma conversa promovida pela Avenue, em Nova York.

O encontro aconteceu na sede antiga do JP, enquanto as equipes ainda fazem a transição para a casa nova, o “monumento às finanças”, como tem sido chamado o prédio de 60 andares para mais de 10 mil funcionários e um custo de US$ 3 bilhões, inaugurada no quarteirão ao lado no fim de outubro.

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O banco tem US$ 300,3 bilhões sob gestão em ETFs globais, ainda atrás dos líderes desse mercado — BlackRock, Vanguard e Invesco. Mas se colocou na liderança do fluxo que está entrando em produtos ativos nos últimos 12 meses.

“O JPMorgan é um gestor ativo, isso faz parte do nosso DNA. Estamos aproveitando nosso capital intelectual já existente, nossos gestores de portfólio, com um enorme histórico e experiência em diferentes classes de ativos dentro dessa estrutura aprimorada”, destacou Maier.

Para o JP Morgan, essa é a grande tendência do mercado de ETFs para os próximos anos. E há números para fortalecer o argumento.

  • Hoje, os ETFs representam 35% do AuM (assets under management) da indústria de gestão dos EUA, contra 65% dos fundos. Há dez anos, a proporção era de 14% para 86%;
  • Desde 2019, quando a SEC, a “CVM dos EUA” aprovou a ETF Rule e padronizou as regras para a criação de resgate de cotas dos produtos, 76% dos novos lançamentos no mercado americano foram ETFs ativos;
  • De lá para cá, o fluxo para esses produtos cresceu 11 vezes;
  • Em 2025, os ETFs ativos representam 37% de toda a captação da indústria de ETFs nos EUA.

Na prática, as regras de gestão e composição de portfólio para um ETF ativo são as mesmas dos fundos de investimento. Só com a roupagem do ETF: simplicidade de negociação e custos mais baixos, além de cotas fechadas listadas em Bolsa, que amenizam o impacto de resgates no lado da gestão.

Na visão de Harrigton, os ETFs tendem a capturar boa parte do market share dos fundos de investimento nos próximos anos graças à eficiência tributária, custos mais baixos e transparência na gestão. Os fundos, por sua vez, devem se tornar produtos para estratégias “nichadas”, aquelas com capacity menor ou com cotas diferentes para investidores institucionais e varejo, por exemplo.

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“São os dois exemplos que vejo em que os fundos ainda podem fazer muito sentido”, afirmou o global head do JP. “Estratégias que tem limites de capacidade tendem a se adequar melhor nos fundos, já que não é possível fechar a captação de um ETF. Assim como não é possível controlar quem tem acesso ao produto; no fundo, é possível fazer uma estrutura com uma precificação que só permita institucionais.”

A aposta do JP é nas estratégias de renda fixa, onde a gestão ativa faz ainda mais sentido, explicaram os executivos. Um ETF passivo, ao seguir um índice, segue a composição da carteira dos benchmarks, que geralmente são construídos com peso maior para as empresas que têm mais dívida. O risco de inadimplência fica mais concentrado, algo que a gestão ativa pode ajudar a mitigar.

“É preciso selecionar com cuidado quais emissores e quais dívidas oferecem o melhor valor, do ponto de vista do retorno em relação ao default. Essa é uma diferença fundamental na nossa visão; e é por isso que somos tão defensores da gestão ativa nos ETFs de renda fixa”, afirmou Harrington.

O Brasil um passo atrás

O Brasil está de fora dessa tendência, já que ETFs ativos não são permitidos pela regulação da CVM apesar de, há tempos, serem cobrados pelo mercado e prometidos pelo regulador. Em setembro deste ano, em um evento da B3, a autarquia disse que quer atualizar a regra e permitir que eles também sejam negociados no Brasil. Mas depende da agenda regulatória de 2026. Se tiver que escolher apenas uma prioridade para o próximo ano, a nova norma de ETFs tende a ficar para 2027.

Mas os ETFs ativos, apesar de serem a grande trend no exterior, podem não ser urgentes no mercado local. Por aqui, ainda é preciso educar investidores com os ativos de índice, mais tradicionais, garantir liquidez no mercado secundário, ganhar maior tração como indústria. Essa é a visão da BlackRock sobre o tema, compartilhada por Benjamin Souza, managing director da maior gestora de ativos do mundo. Veja mais aqui.

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A indústria brasileira está começando a engrenar: os ETFs captaram pouco mais de R$ 9 bilhões este ano, segundo dados da Anbima. É o melhor desempenho da indústria de fundos, atrás somente — mas ainda por muito — dos R$ 172 bi de captação líquida na renda fixa.

As tendências por aqui são outras. Como os ETFs ativos não são permitidos, o mercado doméstico tem buscado inovação com outros produtos, especialmente os multiestratégias, especialmente no universo cripto. Contamos sobre isso aqui.

 

 

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