Organizar o orçamento e definir prioridades financeiras é essencial para enfrentar 2026 com mais segurança (Foto: Adobe Stock)
O ano de 2026 começa trazendo novos gastos e, para muitas famílias, também dívidas acumuladas, o que exige recalcular a rota do planejamento financeiro. Em um cenário marcado por juros ainda elevados, política fiscal instável e a corrida eleitoral já no radar, organizar as finanças pessoais se torna essencial para decidir onde e como alocar o dinheiro com mais estratégia e consciência.
Tradicionalmente, janeiro é um dos meses mais pesados do ano para o orçamento. IPVA, IPTU e matrícula escolar concentram despesas relevantes logo no início do calendário. A isso se somam parcelas e faturas das compras de fim de ano, que frequentemente empurram o orçamento para o limite logo nas primeiras semanas de 2026.
No campo econômico, especialistas apontam para a possibilidade de queda gradual dos juros ao longo do ano, com a taxa Selic podendo encerrar 2026 em 12,25%, segundo o boletim Focus. A redução tende a aliviar o custo de financiamentos e empréstimos, abrindo espaço para renegociações de dívidas. Por outro lado, a atividade econômica segue aquecida, o que pode manter pressionados os preços de serviços como aluguel, educação, lazer e saúde.
O ambiente político também entra na equação. Com a proximidade das eleições presidenciais em 2026, um desfecho que sinalize maior compromisso com o equilíbrio fiscal pode favorecer os ativos de risco (que demonstram maior volatilidade, mas também maior rendimento), levando o mercado a projetar o Ibovespa em patamares próximos de 220 mil pontos. Em um cenário mais adverso, porém, o indicador poderia cair para 120 mil pontos.
“2026 tende a ser um ano de transição e seletividade. Não será necessariamente um ano ruim, mas exigirá mais consciência financeira. O diferencial não estará apenas no cenário macroeconômico, mas no nível de preparo financeiro de cada família”, afirma Diego Endrigo, planejador financeiro da Planejar.
Diante desse contexto, a chegada de um novo ano representa uma oportunidade estratégica para recalibrar rotas e estabelecer prioridades. Para começar 2026 com o pé direito, o E-Investidor ouviu especialistas e preparou um guia prático sobre como organizar as finanças pessoais, equilibrar dívidas, formar reserva, planejar o orçamento e investir com mais clareza.
Guia prático para organizar as finanças pessoais em 2026
O primeiro passo para organizar as finanças em 2026 é ter clareza sobre o que entra e sai da conta todos os meses. Para isso, vale separar os gastos essenciais — como aluguel, contas básicas e supermercado — e os não essenciais, que incluem lazer, streaming e delivery.
“Olhe para os extratos dos últimos três meses e categorize cada saída. Gastos pequenos e invisíveis (como serviços de assinatura não utilizados ou compras por impulso) podem consumir uma fatia significativa do orçamento, levando recursos que poderiam ser investidos”, avalia Lucas Ortega, especialista financeiro e líder comercial do Bari, grupo financeiro.
Com o orçamento mapeado, o passo seguinte é construir uma reserva de emergência, essencial para lidar com imprevistos sem recorrer ao crédito. A recomendação dos especialistas é manter entre seis e 12 meses do custo de vida mensal em aplicações seguras e com alta liquidez. Entre as alternativas estão Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária, caixinhas bancárias e fundos DI com baixa taxa de administração.
Também é indispensável mapear as dívidas existentes. Segundo Endrigo, da Planejar, o antídoto contra o endividamento é a previsibilidade. “Na prática, isso significa limitar o uso do crédito a parcelas que caibam no orçamento mesmo em meses ruins, evitar tratar o cartão de crédito como extensão da renda, renegociar dívidas mais caras e manter um colchão de liquidez para emergências”, afirma.
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Uma ferramenta para manter o equilíbrio é a chamada regra 50/30/20, que propõe a seguinte divisão da renda mensal:
50% para necessidades básicas: aluguel, contas essenciais, alimentação e transporte;
30% para desejos e estilo de vida: lazer, streaming, viagens e delivery;
20% para prioridades financeiras: pagamento de dívidas e investimentos, incluindo a reserva de emergência.
Com o orçamento organizado, o próximo passo é definir metas financeiras claras. Especialistas recomendam separar os objetivos em: curto prazo (até 1 ano), como quitar o cartão de crédito ou fazer uma viagem de férias; médio prazo (2 a 5 anos), como trocar de carro ou dar entrada em um imóvel; e longo prazo (acima de 5 anos), como planejar a aposentadoria.
A seguir, veja um checklist financeiro para começar o ano com o pé direito.
Liste todas as fontes de renda e os gastos mensais;
Classifique despesas entre essenciais e não essenciais;
Mapeie dívidas pendentes e avalie opções de renegociação;
Monte uma reserva de emergência equivalente a 6 a 12 meses de despesas;
Defina objetivos financeiros de curto, médio e longo prazo;
Estruture uma carteira de investimentos diversificada e alinhada ao seu perfil.
Quais investimentos manter na carteira em 2026
Para quem está começando a investir, o foco inicial deve ser a construção da reserva de emergência. Em um cenário de juros elevados, aplicações atreladas à Selic ou ao CDI — como Tesouro Selic, CDBs pós-fixados e fundos DI — tendem a oferecer uma combinação adequada de segurança, liquidez e rentabilidade.
“Aos poucos, o investidor pode passar a diversificar para títulos indexados ao IPCA, já que a inflação corrói o poder de compra no longo prazo. A recomendação é começar pelo básico, que funciona, e avançar com consistência”, afirma Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP e especialista em investimentos.
Para quem já tem alguma experiência no mercado, vale manter o equilíbrio e diversificação. A estratégia elencada por especialistas passa por uma base sólida em renda fixa, que garante previsibilidade e tranquilidade, combinando pós-fixados e títulos IPCA+.
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O investidor ainda pode buscar oportunidades na renda variável, de forma gradual e compatível com seu perfil. “Setores como o bancário e o de saneamento básico podem ser alternativas interessantes, desde que o aumento da exposição seja feito aos poucos, aproveitando eventuais movimentos de recuperação, mas sem exageros”, diz Patzlaff.
O especialista ainda recomenda manter parte do patrimônio no exterior como forma de diversificar riscos e reduzir a exposição ao cenário doméstico. Em um ano eleitoral, como 2026, marcado por maior volatilidade política, a alocação internacional tende a ganhar relevância. Nesse contexto, os Exchange Traded Funds (ETFs, fundos de investimento negociados na Bolsa de Valores como se fossem uma ação) aparecem como uma alternativa para o investidor pessoa física.