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Educação Financeira

As 3 dicas financeiras para enfrentar a crise, por Annalisa Dal Zotto

Especialista em Gestão Financeira, Investimentos e Mercado de Capitais dá conselhos a investidores

Annalisa Dal Zotto
Annalisa Dal Zotto é sócia da ParMais e especialista em Gestão Financeira, Investimentos e Mercado de Capitais
  • O ideal é fazer projeções de rendas e despesas da família para, pelo menos, até o fim do ano, incluindo também as parcelas de compras feitas a prazo
  • Em tempos de pandemia, o investidor deve rever e reposicionar o portfólio
  • A leitura de artigos sobre finanças comportamentais pode ajudar o investidor a se conhecer melhor e entender seu jeito de ser

Annalisa Dal Zotto é especialista em Gestão Financeira, Investimentos e Mercado de Capitais e sentiu de perto a importância de um bom planejamento financeiro. Casada há 30 anos com Renan Dal Zotto, ex-jogador de vôlei e atual técnico da seleção masculina, ela foi a responsável por gerir o patrimônio do ex-atleta após a aposentadoria.

Hoje, à frente da ParMais, empresa de investimentos com mais de R$ 280 milhões sob gestão, a profissional divide sua experiência com os clientes e o público interessado em investir para conquistar a tão sonhada tranquilidade financeira.

Para o E-Investidor, Annalisa preparou as seguintes dicas financeiras para enfrentar a crise.

1- Organizar-se é o primeiro passo

Neste momento, é ainda mais necessário saber quanto dinheiro entra e sai da sua conta e como os recursos estão sendo gastos. Para isso, é preciso lançar todas as receitas e despesas em uma planilha bem estruturada. Em seguida vem uma análise criteriosa, identificando onde é possível gastar melhor, economizar e cortar despesas, caso seja necessário.

“O ideal é montar um fluxo projetado, ou seja, fazer as projeções de rendas e despesas da família para, pelo menos, até o fim do ano, incluindo também as parcelas de compras feitas a prazo. Assim, fica mais fácil observar todos os custos fixos e já empenhados”, recomenda Annalisa. “Se a conta não fechar, avalie quais custos podem ser postergados ou reduzidos.”

A especialista lembra que há várias possibilidades disponíveis de renegociação de dívidas. Por exemplo, pessoas físicas, micro e pequenas empresas podem suspender o pagamento de parcelas de dívidas por 60 a 120 dias, dependendo do banco, e jogá-las para o final do contrato. “Use esse benefício a seu favor”, sugere.

2- Reveja sua carteira de investimentos

Montar uma boa carteira de investimentos, condizente com o perfil de risco do investidor e alinhada aos seus objetivos financeiros, é crucial. Mas tão importante quanto isso é mantê-la adequada ao cenário macroeconômico, que está em constante mudança.

“O que nunca podemos fazer é ficar sentados no portfólio. O time de gestão do seu fundo pode ter mudado para pior, a empresa que você comprou papéis pode estar performando mal… há muitas variáveis que, se bem observadas, reduzem perdas e melhoram a rentabilidade”, explica Annalisa.

Em tempos de pandemia, o investidor deve rever e reposicionar o portfólio, para protegê-lo, recuperá-lo ou até mesmo aproveitar novas oportunidades. Para os mais conservadores, ela sugere, dentro da renda fixa, títulos públicos prefixados ou atrelados à inflação. Em crédito privado, há debêntures de empresas sólidas que estão pagando mais juros nesse momento. “Mas é bom sempre optar por vencimentos curtos”, alerta.

Outras sugestões da especialista são os fundos multimercados, que tendem a se beneficiar em cenários turbulentos, e renda variável, por meio de fundos de ações. “A dica é delegar para bons gestores, que saberão aproveitar melhor as oportunidades do que as pessoas físicas.”

3- Autoconhecimento pode evitar armadilhas

Na opinião de Annalisa, a leitura de artigos sobre finanças comportamentais pode ajudar o investidor a se conhecer melhor e entender seu jeito de ser. Esse autoconhecimento evita que ele caia em certas armadilhas.

“É provável que, quando terminar a pandemia, vamos querer comprar tudo o que virmos pela frente, vivendo como se fosse o último dia de nossas vidas. Porém, provavelmente vamos nos arrepender depois, pois vamos gastar mais do que devemos”, antecipa.

Outra tendência é não querer olhar para a carteira de investimentos, evitando trocar as posições em desvantagem, tudo por medo de encarar a dor da perda. “Mas assim podemos ficar paralisados e perder muito mais”, conclui. “Pegue o saldo total dos seus investimentos, imagine que esse dinheiro está parado na conta-corrente e reflita sobre o portfólio ideal. Assim fica mais fácil fazer uma realocação das aplicações adequada ao novo momento”, ensina.

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