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Educação Financeira

Dois fatores explicam ‘boom’ da previdência privada em 2024, diz CEO da Zurich Santander

Marcelo Malanga destaca ainda que 'tombos' na renda variável favorecem investimentos em previdência privada

Por Janize Colaço

10/07/2024 | 11:10 Atualização: 10/07/2024 | 13:03

Marcelo Malanga, CEO da Zurich Santander e diretor-estatutário da Fenaprevi. Divulgação/Fenaprevi
Marcelo Malanga, CEO da Zurich Santander e diretor-estatutário da Fenaprevi. Divulgação/Fenaprevi

A previdência privada aberta passa por um dos seus melhores momentos: no primeiro quadrimestre de 2024 as captações líquidas dispararam 225% na comparação anual. Segundo Marcelo Malanga, CEO da Zurich Santander e diretor-estatutário da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), dois fatores favorecem essa modalidade de investimentos: a permanência de um cenário de juros elevados e a visão de longo prazo do investidor.

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Em entrevista ao E-Investidor, Malanga destaca que o brasileiro tem levado alguns ‘tombos’ na renda variável e isso contribui para uma reflexão mais conservadora nos investimentos. “As pessoas começaram a ter um pouco mais de consciência da poupança de longo prazo e começaram a ter mais capacidade discricionária”, diz.

Para o executivo, uma parcela dessa maior capacidade de escolha deve-se ao crescimento das assessorias de investimentos e o seu papel de montar uma carteira diversificada para os clientes. “É aí que entra a previdência privada, visto que ela está atrelada a fundos de renda fixa — que é o grande atrativo do momento”, aponta Malanga.

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Além disso, o executivo afirma que desde a reforma da previdência os planos privados abertos passaram a fazer parte da intenção de investimento dos brasileiros. No entanto, a pandemia adiou esse bom momento do setor, inclusive impactando diretamente nos resgates observados no período. “A covid-19 postergou o crescimento da indústria previdenciária até uma condição de maior normalidade, que temos visto somente agora. Isso nos leva a crer que há a tendência de uma curva mais ascendente futura”, afirma.

No final de 2023, quando a reforma tributária aprovou a taxação de fundos exclusivos e offshores, houve rumores de que a previdência privada seria o destino das aplicações dos super-ricos. Segundo o diretor da Fenaprevi, não foi isso o que aconteceu, já que no início deste ano o governo federal publicou a resolução CNSP 464, limitando em R$ 5 milhões por CPF nas aplicações da previdência.

“Isso acabou impedindo que ocorresse uma migração. Mas vale lembrar que os super-ricos não são a maioria dos nossos investidores. Hoje, são entre 8% e 9% da população que possuem planos previdenciários e não temos esse percentual de grandes fortunas no Brasil”, explica.

Como mostramos nesta reportagem, quase a metade (48%) das pessoas que aplicam na previdência privada aberta se encontram na classe C, seguida pela D/E e então pela A/B, que respondem por 29% e 23%, respectivamente. “O crescimento que o setor observa está dentro de um mercado com pouca variação por número de clientes. Dentro dos recursos disponíveis, os contribuintes começaram a ver a previdência com um pouco mais de atenção e com o enfoque realmente conservador.”

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