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Educação Financeira

Tem CDBs do Master para receber? Esses são os cuidados para reinvestir o dinheiro na renda fixa

Para especialistas, os R$ 41 bilhões investidos em CDBs do Master que serão ressarcidos pelo FGC tendem a voltar para a renda fixa; é preciso ficar atento aos emissores e liquidez dos títulos

Por Luíza Lanza
Editado por Geovana Pagel

26/11/2025 | 5:30 Atualização: 25/11/2025 | 16:23

Especialistas indicam cuidados ao escolher novas opções na renda fixa. (Imagem: Adobe Stock)
Especialistas indicam cuidados ao escolher novas opções na renda fixa. (Imagem: Adobe Stock)

A liquidação do Banco Master pode não ter sido uma grande surpresa para especialistas de mercado, mas deixou na mão uma leva de pessoas físicas que aplicaram nos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pela instituição atraídos pelas altas taxas, mas sem o devido conhecimento dos riscos. Agora, esses investidores vão precisar esperar um tempo para reaver os recursos.

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Aplicações de até R$ 250 mil serão ressarcidas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que estima ao menos 1,6 milhão de credores e um pagamento total de R$ 41 bilhões. Não há um prazo para a execução da garantia, mas a expectativa é que o processo demore entre 30 a 40 dias.

  • Caso Banco Master: quanto tempo o FGC pode levar para pagar os investidores? Veja o histórico da associação

Segundo o FGC, o pagamento pode acontecer ainda neste ano. Isso significa que os mais de R$ 40 bilhões vão voltar ao mercado brasileiro, e caberá aos investidores superar o trauma para decidir como reinvestir esses recursos.

Para Fernando Gonçalves, especialista em investimentos e sócio da The Hill Capital, boa parte desse dinheiro deve migrar novamente para a renda fixa conservadora. Afinal, após uma liquidação bancária, a primeira para muitos investidores, é natural adotar uma postura mais cautelosa.

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“Acredito que veremos uma realocação para Tesouro Selic, CDBs de bancos sólidos, LCIs, LCAs e fundos DI. O mercado hoje oferece uma variedade ampla de alternativas dentro da renda fixa, com taxas bastante competitivas em um cenário de Selic elevada e inflação mais estável”, destaca.

Como escolher um novo investimento

Quem receber os recursos que antes estavam em FGC vai se deparar com prateleiras cheias de produtos de renda fixa nas corretoras. Antes de escolher entre uma opção ou outra, porém, é essencial pensar no objetivo daquele dinheiro, explicam especialistas. Na prática, isso envolve definir o prazo do recurso: se ele pode ficar aplicado em um ativo de vencimento mais longo ou se o investidor prefere manter liquidez diária.

“Naturalmente, as taxas mudam. Quanto mais líquido for o dinheiro, menor é o retorno em relação ao CDI”, explica Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar.

Com a taxa Selic em 15% ao ano, o investidor não precisa correr tanto risco para conseguir bons retornos. É um momento interessante para equilibrar liquidez e rentabilidade, diz Fernando Gonçalves, especialista em investimentos e sócio da The Hill Capital.

“Há boas oportunidades em títulos prefixados de prazo curto e intermediário, além de papéis atrelados ao IPCA com taxas reais atrativas”, pontua o especialista.

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O ponto central, segundo ele, é avaliar com cuidado prazos e liquidez do título, evitando concentrar todo o recurso em aplicações longas ou sem flexibilidade. Assim como alinhar a aplicação ao objetivo do investidor, seja reserva, geração de renda ou valorização.

“Este é um momento que pede equilíbrio entre segurança, diversificação e busca por retorno real consistente”, avalia Gonçalves.

E, como no caso do Master, é importante olhar além das taxas. No geral, a remuneração mais elevada indica que um ativo é mais arriscado. Um CDB pós-fixado de um banco grande e consolidado, por exemplo, raramente paga mais do que 100% do CDI.

É o risco do emissor, que o investidor precisa conhecer para evitar depender de novo do FGC. “Taxas muito acima da média de mercado são um sinal de alerta. Informações como solidez e histórico da instituição, rating dos emissores dos títulos são fundamentais”, destaca Perri, da Dom Investimentos.

O que aconteceu com o Master

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O Banco Central decretou a liquidação do Master na terça-feira (18) da semana passada, finalizando um processo que vinha se arrastando desde o fim de março, quando a instituição foi comprada pelo Banco de Brasília (BRB) em uma operação posteriormente embargada pelo BC.

Desde então, o futuro do banco fundado pelo empresário Daniel Vorcaro estava no radar do mercado. O modelo de negócios era considerado problemático, com uma carteira de crédito de alto risco e uma estratégia agressiva de emissões de CDBs a taxas muito acima da média do mercado.

Os “CDBS do Master” se popularizaram entre investidores pessoa física graças aos rendimentos de até 140% do CDI; o que preocupava especialistas dado a representatividade do volume emitido pelo banco na liquidez total do FGC.

Além da liquidação do banco, Daniel Vorcaro foi preso em uma operação da Polícia Federal que apura suspeitas de crimes envolvendo a venda do banco para o BRB. O presidente do banco estatal do governo do Distrito Federal, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo.

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Outros executivos também foram presos na operação da PF. Augusto Lima, ex-sócio do Master e atual dono do Banco Pleno é um deles. Como mostramos aqui, os CDBs do Pleno dispararam.

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